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administração O segredo do sucesso A chave envolve prática e muito trabalho Por Antônio Carlos Silva Ferreira* Em 28 de março de 2007, em Salvador, estive presente à palestra “A Busca da Excelência” proferida por Bernardinho, técnico de vôlei bi-campeão mundial. A palestra foi realizada em diversas cidades do Brasil e, na ocasião, escrevi um artigo que foi publicado na Revista Eletrônica Balaio de Notícias. Uma das coisas que me chamou a atenção durante a palestra, além de Bernardinho ter se definido como um gestor de pessoas, foi um artigo citado por ele que havia sido publicado na revista americana Fortune em final de outubro de 2006. Logo após a palestra, busquei o artigo na internet, li e fiquei tão impressionado quanto Bernardinho pois o conteúdo do artigo comprovava, de certo modo, o que já era uma convicção minha. O artigo original pode ser lido clicando-se no título em inglês, What it Takes to Be Great, mas, para quem não quiser se dar ao trabalho, segue abaixo a minha tradução. *** O que é preciso para ser bem sucedido Pesquisas revelam que a falta de talento natural é irrelevante para o sucesso. Qual o segredo? Prática árdua e exaustiva e trabalho duro.
Por
Geoffrey Colvin O que faz Tiger Woods (1) ser bem sucedido? O que fez Warren Buffett (2) Diretor da Berkshire Hathaway ser o maior investidor do mundo? Nós achamos que sabemos: cada um deles era um mortal que veio ao mundo com um dom de fazer exatamente o que ele terminou por fazer. Como disse Buffett à Revista Fortune, há não muito tempo, ele já nasceu “predestinado a alocar capital”. É coisa de um dentre um milhão. Ou você tem o dom ou não. Bem, gente, não é exatamente assim. Por uma simples razão: você não possui um dom natural para uma certa atividade porque dons de berço não existem (desculpe, Warren). Você não nasce executivo ou investidor ou mestre de xadrez. Você obterá sucesso apenas por meio de muito trabalho por anos e anos. E não somente por meio de trabalho, mas de um tipo específico de esforço que é exaustivo e duro. Buffett, por exemplo, é famoso por sua disciplina e pelas horas que gasta estudando demonstrativos financeiros de potenciais investimentos. A boa nova é que a sua falta de dom natural é irrelevante – talento tem pouco ou nada a ver com sucesso. Você pode se tornar um bocado de coisas e você pode até mesmo se tornar uma pessoa de sucesso. Cientistas especialistas estão produzindo descobertas extraordinariamente consistentes em uma variada gama de setores. É preciso que você entenda que talento não significa inteligência, motivação ou traços pessoais. É uma habilidade inata para fazer bem alguma coisa específica. Os pesquisadores britânicos Michael J. Howe, Jane W. Davidson e John A. Sluboda concluíram, em um extensivo estudo, que “a evidência que nós pesquisamos (...) não sustenta a noção de que a excelência é uma conseqüência da posse de dons inatos.” Para saber como os pesquisadores puderam chegar a tal conclusão, considere o problema que eles estavam tentando equacionar. Praticamente, em qualquer ramo de atividade, a maioria das pessoas aprende rapidamente no início, daí mais lentamente e por fim param de se desenvolver completamente. Há ainda uns poucos que se aperfeiçoam por anos e mesmo por décadas e daí atingem o sucesso. A questão irresistível – o “desafio fundamental” para os pesquisadores neste campo, diz o mais eminente deles, professor K. Anders Ericsson da Florida State University – é “por quê?” Como certas pessoas são capazes de continuar se aperfeiçoando? As respostas começam com observações consistentes em torno de pessoas de excelente desempenho nos diversos campos. Cientistas em todo mundo têm conduzido uma quantidade enorme de estudos, desde a publicação, em 1993, de um documento de referência, por Ericsson e dois colegas, muitos focando em esportes, música e xadrez, nos quais o desempenho é relativamente fácil de medir e tabular ao longo do tempo. Mas, diversos estudos adicionais têm também examinado outros campos, incluindo os negócios. Não há substituto para o trabalho duro A principal conclusão é que ninguém se torna bem sucedido sem trabalho. É legal acreditar que se você encontrar o ramo para o qual tem um talento inato, você terá sucesso desde o primeiro dia, mas isto não acontece. Não há evidência de desempenho de alto nível sem experiência ou prática. Reforçando a teoria de que “não existe almoço grátis” há grande evidência de que as pessoas mais talentosas necessitam de dez anos de trabalho árduo antes de se tornarem excelentes mundialmente, um padrão tão bem estabelecido que os pesquisadores o chamam de “a regra dos dez anos”. E o que dizer então de Bobby Fischer que se tornou um grande mestre do xadrez aos 16 anos de idade? Também aqui a regra se aplica: ele tinha tido nove anos de estudo intensivo. E como observaram John Horn da University of South Califórnia e Hirogi Masunaga da Califórnia State University, “a regra dos dez anos representa uma estimativa aproximada, e a maioria dos pesquisadores a reputam como um mínimo e não como uma média.” Em muitos setores (música, literatura) os profissionais de primeira linha necessitam de vinte ou trinta anos antes de atingirem seu ápice. Portanto, o sucesso não está acessível a qualquer um porque ele exige muito trabalho árduo. E só isso pode não ser suficiente já que muita gente trabalha duro por décadas sem que atinja o sucesso ou mesmo sem que evolua significativamente. O que lhes falta? |