Edição 110 - Aracaju, 17 de fevereiro a 16 de março de 2008
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  administração
O segredo do sucesso
A chave envolve prática e muito trabalho

Por Antônio Carlos Silva Ferreira*

(Continuação de 2)

Adotando um  novo modelo mental

Munidos deste modelo mental, as pessoas vão para o trabalho de uma maneira diferente. Pesquisas demonstram que eles processam a informação mais profundamente e as retém por mais tempo. Eles desejam mais informações  sobre o que estão fazendo e buscam outras perspectivas. Eles adotam um ponto de vista mais duradouro. Na atividade propriamente dita, o modelo mental persiste. Você não está simplesmente fazendo o trabalho, você está explicitamente tentando melhorar seu desempenho num sentido mais amplo.

Novamente, as pesquisas demonstram que esta diferença na abordagem mental é vital. Por exemplo, quando cantores amadores tomam uma lição de canto, eles a encaram como algo divertido, uma liberação de tensão. Mas para os cantores profissionais, é o contrário. Eles aumentam sua concentração e foco na melhoria do desempenho durante a lição. A mesma atividade, mas modelos mentais diferentes.

O feedback é crucial e obtê-lo não deveria ser um problema nos negócios. Mesmo assim, a maioria das pessoas não o busca; eles apenas esperam que ocorra, meio que esperando que isso não aconteça. Sem ele, como diz Steve Kerr, chefe de desenvolvimento de líderes da Goldman Sachs, “é como se você estivesse jogando boliche detrás de uma cortina  que cobre até os seus joelhos. Se você não sabe o quanto acertou, duas coisas podem acontecer: uma, você não melhora nem um pouco; outra, você deixa de se importar com isso.” Em algumas organizações, como a General Electric, feedback freqüente é parte da cultura. Se você não for sortudo o suficiente para obtê-lo, vá atrás dele.

Seja a bola da vez

No decorrer de todo o processo um dos seus objetivos é construir o que os pesquisadores chamam de “modelos mentais para seus negócios” – símbolos de como os elementos se ajustam e influenciam uns aos outros. Quanto mais você trabalha nisso, mais seus modelos mentais se alargam e melhor será seu desempenho.

Andy Grove pôde manter na sua mente um modelo amplo de indústria de tecnologia para um mundo em mutação e adaptou a Intel conforme era preciso. Bill Gates, fundador da Microsoft, teve a mesma sacada: ele pode vislumbrar no surgimento do PC que seu objetivo de um computador em cada mesa era realista e poderia criar um mercado inimaginavelmente grande.  John D. Rockefeller, também, viu mais na frente quando a nova indústria do mundo em mudança era o petróleo. Napoleão, foi talvez, o mais sagaz de todos. Ele pode não só reunir na sua mente todos os elementos para uma grande batalha, porém, o mais importante, ele podia também responder rapidamente quando alguma coisa mudava inesperadamente. 

Há muito o que focalizar em relação ao benefícios da prática deliberada – e mais um requisito sem o qual nada adianta: exercite regularmente e não esporadicamente.

Por quê?

Para a maioria das pessoas, o trabalho já é duro o bastante mesmo sem que haja um esforço adicional. Estes passos extras são tão difíceis e dolorosos que eles quase nunca os conseguem dar. Mas é assim que tem que ser. Se fosse fácil obter alto desempenho, não seriam raros os casos. O que leva à questão, provavelmente mais profunda sobre o sucesso. Enquanto os experts  entendem muito sobre o comportamento que leva ao excelente desempenho, eles entendem muito pouco sobre de onde vem este comportamento.

Os autores de um estudo concluem: “Nós ainda não sabemos quais fatores encorajam os indivíduos a se engajar na prática deliberada”. Ou, como o professor da escola de negócios da University of Michigan, Noel Tichy, afirma, após 30 anos de trabalho com gerentes “algumas pessoas são mais motivadas que outras e esta é uma questão existencial que eu não tenho como responder”.

A realidade crítica é que nós não somos portadores de algum nível de talento naturalmente adquirido. Nós podemos nos tornar o que quisermos. Estranhamente, essa noção não é tão popular. As pessoas odeiam abandonar a idéia de que eles podem alcançar a fama  e riqueza se eles encontrarem o seu talento (dom). Mas esta visão está diminuindo tragicamente porque quando eles encontram os inevitáveis obstáculos da vida no caminho, eles concluem que eles não foram agraciados com um dom e desistem.

Talvez não devamos esperar que a maioria das pessoas atinja o sucesso. Seria pedir demais. Mas a grande novidade é que o sucesso não está reservado para alguns poucos pré-escolhidos. O sucesso está ao seu alcance e ao alcance de qualquer um.

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Notas do Tradutor:

(1)  O americano Tiger Woods é considerado um dos mais completos golfistas de todos os tempos e é o esportista mais bem pago do mundo, segundo uma lista publicada pela revista americana Forbes, na qual o jogador brasileiro Ronaldinho aparece em nono lugar.  Woods aparece no topo da classificação dos 25 esportistas mais ricos do planeta, com ganhos avaliados em US$100 milhões, mais do que o dobro do que o segundo colocado, o ex-campeão mundial de boxe Oscar De La Hoya, que soma US$43 milhões.

(2) Warren Buffett, 77 anos, megainvestidor americano com patrimônio pessoal de 52 bilhões de dólares, considerado o terceiro homem mais rico do mundo, atrás apenas do mexicano Carlos Slim e do americano Bill Gates (Microsoft). 

*Administrador de Empresas. Mora em Salvador. E-mail: acferreira@atarde.com.br

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