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turismo Colômbia muy buena Um roteiro de belas surpresas Texto e fotos: Antônio Carlos Silva Ferreira*
Meu flerte com a Colômbia começou em 2001, quando aquele país e a Venezuela trocavam juras de amor fraterno. O presidente colombiano era Andrés Pastrana Arango, antecessor de Álvaro Uribe. Na Venezuela já tínhamos Hugo Chávez e os dois países mantinham laços bastante afetivos. Em 18 de julho daquele ano, eu estava na Venezuela, onde fora estudar espanhol, e quando assistia ao jogo Brasil x Paraguai pela Copa América no telão de um bar em Mérida, conheci o filho da consulesa da Colômbia naquela cidade. Ganhamos o jogo por 3 a 1 e eu ganhei um convite para um evento que seria promovido no dia seguinte pela mãe do novo amigo. O espetáculo marcaria a independência da Colômbia celebrada em 20 de julho. Os coreógrafos, estudantes das universidades da Colômbia e da Venezuela, mostraram danças típicas daquele país, num espetáculo exuberante e colorido. Em 2004, conheci uns colombianos numa viagem de trem no Peru e perguntei-lhes se era seguro visitar a Colômbia. Eles garantiram que sim e que eu teria muita coisa bela para ver. Em novembro de 2007, a Colômbia conseguiu sediar, em Cartagena de Índias, a 17ª Assembléia da Organização Mundial de Turismo. Neste evento, que contou com a participação de 800 representantes do trade turístico de 150 países, a Colômbia não perdeu a chance de mostrar que as FARC e o narcotráfico não podiam ofuscar o potencial turístico daquela república, outrora conhecida pelo famoso café. O evento gerou mídia espontânea para a Colômbia e, como se não bastassem tantos argumentos para me convencer a visitar o país, tivemos, por fim, a excelente reportagem de Carla Jamille publicada nesta revista eletrônica sob o título Um paraíso tropical. Bem, eu me rendi, chegou a vez de fazer parte das estatísticas do turismo da Colômbia. Apertem os cintos, a viagem começa agora. Bogotá me lembrou Caracas, pelo porte, pela paisagem urbana, pelos morros repletos de casebres e até por uma atração turística similar em ambas: em Caracas o Cerro El Ávila, e em Bogotá o Cerro Monserrate. Estes mirantes naturais a mais de 3 mil metros acima do nível do mar, cujos topos podem ser alcançados por teleférico – e também por funicular, no caso de Bogotá – oferecem as mais belas vistas das duas cidades. A Colômbia tem um pouco de Venezuela e vice-versa, afinal, ambas já formaram uma única nação que se chamava Grã Colômbia, no século XVIII, e isso deve explicar a semelhança das bandeiras e da cultura. Na Venezuela o prato nacional é o pabellón criollo, que se compõe de feijão preto, arroz, carne desfiada e banana da terra; na Colômbia a atração é o arroz com coco, geralmente servido com peixe frito e banana da terra.
Outra grande atração de Bogotá é o bairro chamado La Candelária, um centro histórico repleto de casas antigas e coloridas, convite irresistível para máquinas fotográficas e seus filtros polarizadores. Neste local está a Plaza Bolívar onde ficam o Palácio da Justiça, o Congresso e a catedral em frente à qual pousam e brincam rotineiramente fiéis pombos que fazem a alegria dos turistas. Em uma certa rua de La Candelária há algumas estátuas nos telhados - contei pelo menos cinco -, mas voltei sem saber qual a história daqueles curiosos alpinistas urbanos.
O peso colombiano me trouxe à memória de um passado econômico brasileiro que esperamos não volte mais. Lá uma passagem de ônibus custa 1.200 pesos, um prato feito num restaurante popular 4 mil pesos, uma diária de hotel classe turística de 100 a 150 mil pesos, e uma corrida de táxi do centro ao aeroporto custa 14.600. Lá os taxímetros contam a corrida em uma unidade taximétrica - no Brasil era este o nome, abreviado para U.T. - que são convertidos para pesos colombianos por meio de uma tabela. Dessa forma, em vez de ajustar o taxímetro a cada aumento de preço, altera-se a tabela. Mas não se assustem, 1.000 pesos colombianos correspondem a cerca de 90 centavos de real. Nas ruas de Bogotá, duas coisas chamaram a atenção: o contingente de soldados – pareciam do Exército – no policiamento ostensivo, munidos de armas de grosso calibre e de cães; e a quantidade de lojinhas e ambulantes oferecendo serviços de chamadas telefônicas, especialmente de celulares. Numa mesma rua seis ambulantes gritavam llamadas, llamadas, llamadas, anunciando o serviço telefônico. Ao primeiro fato atribuímos a necessidade de se coibir uma provável ação ousada de demonstração de força por parte da guerrilha, o que por via indireta termina por inibir a ação de trombadinhas. A presença dos ambulantes pode indicar que a rede de telefones públicos é insuficiente e que a posse de celulares na Colômbia ainda não está tão popularizada quanto no Brasil. Há também muitos ambulantes vendendo rodelas de abacaxi, fatias de manga e batatas fritas. A gente sabe que o sal vem do mar, mas na Colômbia ele vem principalmente da terra, ou melhor, do subsolo. Em Zipaquirá, uma cidadezinha de pouco mais de 100 mil habitantes, localizada a 48 km de Bogotá, no coração da nação colombiana, existe o que eles chamam de Primeira Maravilha da Colômbia: um complexo formado por uma mina de sal, o Museu da Salmoura e a Catedral do Sal, construída no interior da mina. Um filme em 3D explica que há cerca de 150 milhões de anos, quando a região era mar, um processo de evaporação da água e acumulação de sedimentos fez com que o imenso depósito de sal ficasse embutido na terra. É um passeio imperdível, embora a visita não inclua o acesso ao processo de extração do sal. Vale a pena pelo visual da catedral subterrânea e pelo conjunto turístico. Depois da visita à Primeira Maravilha você pode tirar uns 30 minutinhos para conhecer o centro de Zipaquirá antes de voltar para a capital federal. Para chegar em Zipa, como carinhosamente chamam, saindo do centro de Bogotá, pode-se usar o Transmilenio, um eficiente sistema de transporte urbano formado por ônibus articulados e estações de embarque/desembarque. O sistema foi copiado daquele que tem as estações tubo implantado em Curitiba por Jaime Lerner, quando prefeito daquela capital. Descendo do Transmilenio na estação Portal Norte pode-se embarcar numa das busetas – micro-ônibus – com destino a Zipaquirá. Depois de três dias inteiros em Bogotá, o embarque no aeroporto com destino a Cartagena foi feito num avião brasileiro que não voa no Brasil. Assim como diversas outras companhias domésticas ao redor do mundo, a AeroRepública utiliza vários Emb-190, um moderno jato fabricado pela nossa Embraer. O vôo foi tranqüilo, a aeronave, com pouco mais de 100 assentos em couro, é bastante confortável, chiquitita pero cumplidora. Completa mudança de clima na chegada, o frio de 15 graus com chuvas esparsas de Bogotá dá lugar ao calorão tropical de Cartagena de Índias, assim com nome e sobrenome para distinguir-se da Cartagena da Espanha que lhe inspirou a denominação. A cidade é quase toda cercada por uma muralha, obra da antiguidade para protegê-la dos invasores. Aqui o clima é bem salsa e merengue, não teve um rádio de carro, ônibus, táxi ou buseta que não estivesse tocando uma música caliente marcada por sopros e tambores.
Caminhar pelas ruas do centro de Cartagena é uma atividade para se executar sem pressa, degustando cada passo. São tantas casas coloridas com balcões recheados de flores que a gente quer admirá-las todas. E lá, como em Bogotá, é incrível o número de ambulantes oferecendo o serviço de llamadas telefónicas. Mas é claro que os camelôs de Cartagena, como os de qualquer lugar, vendem também peças para fogão, pilhas, eletrônicos, frutas, camisetas, bijuterias artesanais etc. Uma paradinha na Plaza Santo Domingo é perfeita para almoço ou jantar nos diversos restaurantes, com mesinhas na praça. E uma vez estando ali, não se pode deixar de tirar uma foto ao lado da gordinha de Fernando Botero, um conhecido artista colombiano. Fazendo contraponto com o centro histórico, o bairro de Bocagrande concentra os modernos edifícios de apartamentos, os hotéis, as pousadas, as praias e também os preços altos. Lá quase tudo é mais caro porque o bairro é o reduto dos turistas. Um turista que chega à praia, mesmo que seja de passagem para dar uma olhadinha, é logo assediado por diversos barraqueiros que disparam ofertas em espanhol, sem nem saber se serão compreendidos. Essa pequena experiência fez lembrar o conselho da recepcionista do hotel, de ir para uma praia mais reservada nas Ilhas do Rosário. Cada uma das ilhas tem pelo menos um hotel e estes oferecem o programa “pasadía”, que inclui a aprazível viagem de barco pela Baía de Cartagena até uma das ilhas, o direito de uso das instalações do hotel escolhido, tais como piscina, bar, restaurante, redes de dormir e a praia particular. Para fechar esta aventura, presenciamos um fato histórico, no dia 02 de julho, por volta das 15 horas, horário da Colômbia, num fast food chamado Pollo Tropical, em Cartagena. De repente, aparece na TV o ministro da defesa colombiano e anuncia a libertação de Ingrid Bettancourt e de mais 14 reféns das FARC. Durante o anúncio, os consumidores presentes se mantêm de olhares atentos à TV. Ao final, um coro de palmas e gritos. A partir daí, esse foi o assunto nas ruas, nos celulares e no aeroporto até que o avião decolou rumo ao Brasil. A Colômbia agora é um pedaço do meu mapa-múndi espetado por 03 alfinetes (Bogotá, Zipaquirá, Cartagena), indicando que lá estive. E, cá pra nós, fue muy bueno. *Administrador de Empresas. Mora em Salvador. E-mail: acferreira@atarde.com.br |