Edição 141 - Aracaju, 05 de setembro a 03 de outubro de 2010
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  administração
As quatro gerações de profissionais
Empresas enfrentam novos desafios nas relações interpessoais

Por Antônio Carlos Silva Ferreira*
Ilustração: MSN Dinheiro

Estudos recentemente divulgados em revistas e sites especializados em administração informam que as empresas hoje têm nos seus quadros profissionais de quatro gerações distintas, que são a Geração dos Veteranos (também chamados Conservadores ou Tradicionais), a dos Baby Boomers, a Geração X e a Geração Y, cada uma delas com características específicas que passamos a descrever de acordo com a classificação utilizada pelos especialistas: 

VETERANOS

BOOMERS

GERAÇÃO X

GERAÇÃO Y

Nascidos entre
1922 e 1945

Nascidos entre
1945 e 1965

Nascidos entre
1965 e 1977

Nascidos entre
1977 e 2000

Cresceram entre duas guerras mundiais e foram educados para a disciplina rígida e o respeito às hierarquias. O amor à pátria é um valor absoluto.

Otimistas em relação a mudança do mundo político, viveram uma fase de engajamento contra ditaduras e poderes tiranos.

Céticos e politicamente apáticos, refletem as frustrações da geração anterior e assumem a posição de expectadores da cena política.

Otimistas
em relação ao futuro e comprometidos em mudar o mundo na esfera ecológica. Têm senso de justiça social e se engajam em voluntariados.

No trabalho, valorizam o comprometimento e a lealdade.

Workaholics, valorizam o status e o crescimento profissional. São políticos, formam alianças para atingirem seus objetivos.

Gostam da informalidade no trabalho e buscam o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

São extremamente informais, agitados, ansiosos e impacientes e imediatistas. Acompanham a velocidade da internet.

Como consumidores, evitam parcelamento e privilegiam as compras à vista. Investem de forma conservadora, sem riscos.

São responsáveis pelo estilo de vida que se tem hoje, de conquistas materiais, como casa, carro e acesso ao entretenimento.

Sentem-se a vontade
com a tecnologia e já têm gosto pelo consumo de equipamentos eletrônicos.

Tecnologia e diversidade são coisas naturais na vida. Usam todos os recursos do celular e precisam estar conectados.

Como funcionários, abem aguardar a hora certa para receberem a recompensa pelo trabalho.

Funcionários fiéis às organizações em que trabalham, fazem vínculo com a empresa.

Não se fidelizam às organizações, priorizam os interesses pessoais e não vêem com bons olhos um currículo de 20 anos numa mesma empresa.

A falta de cerimôonia com os pais leva à indiferença sobre autoridade. Admiram a competência real e não a hierarquia.

Acreditam na lógica e não na magia. Têm religião, mas sem superstição.

Necessitam de justificativas profundas e estruturadas para tomar  decisões.

Trabalham com entusiasmo quando possuem foco definido e têm necessidade de feedback.

Vivem com sobrecarga de informações, dificultando a correlação de conteúdos.

Fonte: http://vocesa.abril.com.br 

A delimitação dos períodos não é rígida. Para alguns estudiosos, por exemplo, os membros da Geração X nasceram entre 1961 e 1981 -, o que indica uma pequena variação nos intervalos considerados para cada geração. Além disso, algumas análises concentram-se na convivência das três últimas gerações, o que pode ser explicado pelo fato de que em algumas empresas a Geração dos Veteranos é inexistente ou muito pouco expressiva em termos numéricos.  

Outro ponto a se considerar é que, ao ler a descrição de cada geração, algumas pessoas não conseguem se enquadrar em nenhuma delas ou se percebe com características de mais de uma geração. Isso é perfeitamente natural já que toda análise que distribui uma amostra, ou mesmo um universo, em categorias, não pretende esgotar nem abarcar todas as possibilidades, mas sim identificar faixas significativas nas quais a maioria se encaixa, uma vez que o foco não é o estudo das exceções nem o estudo individualizado de cada pessoa. Assim, o conjunto de características de cada categoria forma o que se convencionou chamar de perfil dominante de cada grupo e facilita o estudo comparativo. Os atributos de cada perfil levam em conta o  cenário sócio-político-econômico de cada época e os valores, crenças  e conhecimentos vigentes e disseminados aos seus integrantes nas suas formações familiar, social, acadêmica e profissional. Isto vai explicar, por exemplo, porque as gerações que viveram a infância e adolescência sob o regime de ditadura militar são mais propensas a aceitar uma disciplina rígida e valorizam a hierarquia. Cabe ainda lembrar que também nesse período o ambiente familiar era mais formal, os filhos tratavam os pais por Senhor e Senhora, ao passo que as pessoas da Geração Y tendem a tratar os pais por você e foram criados num ambiente social menos hierarquizado. Um exemplo que traduz este contexto são programas de televisão como o Casseta & Planeta e o CQC - Custe o Que Custar, cujos conteúdos e abordagens nunca teriam sido liberados pela Censura Federal, vigente no regime militar e muito provavelmente seus criadores teriam sido chamados a depor perante autoridades sob acusação de subversão da ordem política e social.  

Outro aspecto a ser comentado é que a divulgação dos perfis suscita comentários que denotam visões preconceituosas e parciais. Algumas pessoas entendem que o perfil dos Veteranos apresenta mais defeitos que qualidades, por identificarem a aderência destes à burocracia, tida como sinônimo de ineficácia. O conceito de burocracia vai revelar que é “um sistema hierárquico, com alta divisão de responsabilidade, onde seus membros executam invariavelmente regras e procedimentos padrões, como engrenagens de uma máquina”; e muitas vezes utilizado para garantir a eficiência e a eficácia. O problema é que se generalizou, indevidamente, o uso do termo para denominar o excesso ou as disfunções da burocracia. Já outras pessoas entendem a Geração Y como irresponsável, descompromissada com o trabalho. São pontos de vista que se baseiam em estereótipos e numa visão que teima em enxergar o todo por meio de focos estreitos e tendenciosos.  

Nas organizações, o envelhecimento, e consequente aposentadoria ou morte, faz com que o percentual de Veteranos e Baby Boomers seja decrescente ao mesmo tempo em que aumenta o ingresso de jovens da Geração Y, gerando inevitáveis choques de idéias. A chegada dos novos, com idéias bem diferentes, vai exigir uma nova leitura e adaptação da organização aos  paradigmas que vão sendo implantados. No quadro abaixo, temos como exemplo destes novos paradigmas os objetivos de carreira e as motivações na escolha do emprego para a Geração Y:

Fonte: http://www.administradores.com.br 

Em algumas empresas, jovens  profissionais da Geração Y já ocupam cargos de liderança de modo que se observa elementos das quatro gerações distribuídos pelos diversos níveis hierárquicos, tornando ainda mais complexas as relações interpessoais. 

A omissão da empresa diante desse quadro ou o não gerenciamento dessa diversidade contribui para a geração de conflitos, com perda de energia e possível comprometimento do clima organizacional e do desempenho das pessoas e das organizações. Assim, o grande desafio das organizações diante desta situação é transformar esta aparente adversidade em oportunidade. É preciso saber reconhecer estas diferenças, identificar os pontos fortes e fracos das equipes e buscar a integração, transpondo os obstáculos que se apresentam nas relações interpessoais para avançar no atingimento das metas tanto corporativas quanto pessoais. Cabe às lideranças, não importando de quais geração elas façam parte, conduzir este processo de harmonização, visando formar e integrar equipes, potencializar as forças para o aproveitamento das oportunidades, mitigação das ameaças e redução dos pontos fracos. 

Não podemos esquecer, inclusive, que o esforço para entender as novas gerações e as interações do novo mix de gerações de profissionais facilitará às corporações o entendimento do mercado, uma vez que os consumidores também fazem parte dessas gerações, e seus hábitos e comportamento de consumo estão associados ao perfil de cada categoria. 

Um time de futebol vencedor não se forma com onze atacantes, muito menos com onze goleiros. De igual forma, uma boa orquestra não se faz apenas com um naipe de violinos; é a habilidade de cada membro que vai estabelecer o caráter de complementaridade de uns em relações aos outros e propiciar que o grupo atue em concerto.  

Este é o pensamento que tem que ser compartilhado por todas as gerações presentes nas empresas, de modo a se cumprir a missão de cada corporação em clima organizacional favorável.

Fontes Consultadas:

Revista Você S/A
Administradores
MSN Dinheiro
Revista Voe Trip

*Administrador, Especialista em Política e Estratégia. E-mail: acferreira@atarde.com.br