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Pais e Filhos
Má educação
Por
Adilson Luiz Gonçalves*
Somos uma
família básica: casal e um filho. Digamos que essa é uma fórmula que tem
tudo para dar certo ou errado, dependendo dos pais.
Para alguns, um
elogio ao filho é uma vitória pessoal, mas uma crítica é culpa dele ou de
algum parente, normalmente do cônjuge... Ocorre que os filhos refletem o
ambiente e a forma como são educados, inclusive nos nossos traços mais
negativos. Antes de educar, portanto, é preciso corrigir a si próprio.
Estou longe de ser
um modelo de pai, mas a atuação de alguns "colegas de trabalho" desonra de
tal forma a "profissão", que merecia advertência verbal, por escrito,
suspensão e, no limite, cassação da “licença”.
Acredito que ser pai
envolve um tanto de amor, outro de renúncia, alguma disciplina e bastante
autocrítica. Egoísmo e estupidez não acrescentam nada à educação dos
filhos! Infelizmente, existem pais que sob o pretexto de educar usam
vários tipos de violência psicológica e física. Isso é educação ou
adestramento?
Outros transformam
seus filhos em vítimas inocentes de seus traumas pessoais e desgostos
afetivos ou profissionais. Como não têm coragem para enfrentá-los e
resolvê-los, exercem sua “autoridade” para descontar nos filhos. Esses são
duplamente incompetentes, além de covardes! Deveriam estar criando gado em
vez de filhos e mesmo assim sob supervisão rigorosa dos órgãos
competentes.
Vi, recentemente, um
lamentável exemplo dessa espécie de “pai”. Estávamos num restaurante
quando uma família semelhante a nossa ocupou a mesa ao lado. Enquanto o
pai foi se servir, a mãe conversou em tom normal com o filho, que
aparentava não mais que seis anos, e seguiu o pai.
Tudo parecia normal
até que o pai, ao retornar, iniciou uma cena perturbadora. Quando o filho
disse que não estava com fome, ele passou a gritar, alterado e agressivo,
que ninguém mais o suportava. Não satisfeito, ergueu-se da cadeira e
ameaçou desferir-lhe um tapa de tal potência, que se o tivesse consumado
teria provocado a reação de todos os que já estavam atentos ao seu
comportamento. Ele, no entanto, agia como se não houvesse ninguém à volta.
Temo pensar no que poderia ter feito se de fato não houvesse... O menino
permaneceu estático, assustado e indefeso, num choro contido.
É possível amar um
pai assim? Como o amor é cheio de segredos, talvez sim...
Não sei quantos
motivos o menino possa ter dado. Também não sei quanto tempo levou para
que ele, tão jovem, se tornasse “insuportável” para seus parentes. Mas
bastaram pouquíssimos minutos para demonstrar o quão insuportável um pai
pode ser.
O que pode passar
pela cabeça de uma criança quando um ente tão querido, diante de várias
pessoas desconhecidas, em vez de protegê-la proclama, cheio de ódio, que
ninguém mais a agüenta? Será que ela se sentirá segura para contar um
problema pessoal ou pedir ajuda antes que seja tarde demais? Ela não
correrá o risco de buscar nas drogas ou em “tribos” uma compensação para o
que não encontra em casa?
A providência divina
pode protegê-la disso, mas quem garante que quando adulta ela não será uma
versão "aprimorada” dessa truculência paterna?
Onde há medo não
pode haver amizade! Constrangimento público, ameaças e agressões não têm
absolutamente nenhum valor edificante ou educativo para quem quer que
seja. Quando muito só servem para demonstrar a má educação e estupidez de
quem os pratica.
Carinho, respeito,
confiança e diálogo sempre serão as melhores alternativas em qualquer
circunstância ou idade.
*Escritor,
engenheiro e professor universitário (UniSantos e Unisanta), aAutor do
livro: "Sobre Almas e Pilhas"
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