Edição 101 - Aracaju, 13 de maio a 10 de junho de 2007
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  Basquete no cesto
Na década de 60 o basquete já era tradição no Brasil

Adilson Luiz Gonçalves*

Na década de 1960, o basquete já era um esporte de tradição no Brasil, principalmente no interior de São Paulo. Uma prima mais velha, de Piracicaba, contava que as famílias iam ao ginásio, com cobertores e garrafas de café ou chocolate, para assistir jogos do XV de Novembro, que na época tinha Pecente e Wlamir Marques, entre outros. Mas foi em 1971 que eu passei a prestar mais atenção à bola ao cesto, como alguns ainda o chamavam, o que, cá entre nós, seria a forma correta de denominá-lo por aqui (“beach soccer” para o futebol de areia, então, é o fim da picada!).

Os Jogos Pan-americanos de Cali, na Colômbia, eram a “bola da vez”, com destaque para os times de basquete masculino e feminino.

A geração bicampeã mundial de Pecente, Rosa Branca, Wlamir Marques e outros já havia pendurado os tênis de cano alto, mas ainda havia Mosquito, que deu um show na final, provocando a quinta falta nos principais jogadores de Porto Rico. Nosso pivô era Emil Rached, que depois virou personagem de programas de humor, com seus incomensuráveis 2,25 m. Era só mandar a bola no “13º andar” que, se ele pegasse, bastava um giro para depositá-la na cesta.

Seus companheiros: Marquinhos, o incansável Ubiratan, o fantástico Hélio Rubens, o “mágico” Fausto (com suas incríveis cestas de fora garrafão, numa época em que elas ainda não valiam três pontos).

O feminino não ficava atrás, com: Norminha, Elzinha, Maria Helena & Cia. Graças a eles o basquete ganhou a simpatia e a torcida dos brasileiros.

O que já estava bom ficou ainda melhor a partir do final da década de 1970, quando surgiu a geração de Marcel, Oscar, Adilson, Israel, Gerson, Pipoca... O feminino não ficou atrás e nos brindou com Hortência e Paula.

O auge do basquete masculino, no entanto, se foi com a aposentadoria deles, e há tempos estamos longe das Olimpíadas. Nossa seleção nunca mais conseguiu “acertar a mão”... Em compensação, o feminino, embora órfão de duas mães e, recentemente, de Janete, continua na luta!

O curioso é que nunca tivemos tantos jogadores na NBA, todos com destaque! Só que eles aparentemente não mostram muito interesse em defender o esporte de seu país. Parece que, também no basquete, a paixão abandonou a seleção brasileira. Problema de dirigentes? De jogadores? De ambos? Onde foi parar o espírito de Indianápolis?

Paradoxalmente, o voleibol brasileiro esbanja paixão, garra e superação! Apesar de serem vedetes internacionais e defenderem, regiamente pagos, clubes de outros países, Giba & Cia. demonstram um enorme prazer em quebrar recordes, ao som das exortações enérgico/energéticas de Bernardinho. Parece que, mesmo vivendo lá fora, o coração deles está aqui!

Existem muitos outros exemplos como o deles, em todas as áreas profissionais: brasileiros que buscam o mercado internacional para realizarem suas potencialidades, mas não perdem os laços de amor com o Brasil.

Bernardinho ajuda a manter acesa essa chama, no vôlei. Dunga trouxe, senão esperança, um pouco de seriedade ao nosso futebol!

E o basquete? De que vale ter tantos astros na NBA e não poder contar com eles?

Pois é... É preciso tirar nosso basquete masculino do cesto, e lhe ensinar de novo o caminho da cesta!

*Escritor, engenheiro e professor universitário. E-mail: algbr@ig.com.br