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cidades As rodas da vida Um ciclista imprudente, um acidente, o trânsito nosso de cada dia Adilson Luiz Gonçalves* Tá lá o corpo estendido, imóvel, na avenida. Ao lado, uma bicicleta retorcida, um veículo estacionado de qualquer jeito, um motorista em estado de choque. Alguém afirma que o ciclista cruzou a avenida no sinal vermelho... Embora o termo acidente pressuponha imprevisibilidade, existem analogias que podem ser feitas, por exemplo, com a segurança do trabalho: ato inseguro é pessoal; condição insegura é ambiental. No trânsito, a condição insegura é evitada com pavimento, sinalização e fiscalização adequados; já o ato inseguro é função do condutor, seja qual for o veículo utilizado. Assim, é infelizmente comum vermos motoristas que fazem conversões irregulares, estacionam em fila dupla só para não ter que manobrar, mudam de faixa abruptamente e sem sinalizar, falam ao celular, dirigem grudados; motociclistas "costureiros" ou que transitam em alta velocidade por entre congestionamentos; pedestres que atravessam fora da faixa de segurança; carroças em avenidas principais, em horários de pico... Mas, o que dizer dos ciclistas? Com raríssimas exceções, ignoram propositalmente a sinalização viária, com risco pessoal e de terceiros. Entre seus atos inseguros podemos citar: transitar na contramão; não parar em cruzamentos, mesmo com sinal vermelho; "costurar", de preferência usando os pés e as mãos para passarem entre os carros; querer treinar ciclismo de competição em vias públicas; fazer fila dupla em avenidas só para "bater um papo" enquanto pedalam; "ilhar" pedestres na faixa, que têm que esperar a passagem de "pelotões" desembestados para concluírem a travessia; e tudo isso impunemente, pois as autoridades alegam falhas na legislação pertinente ou dificuldades operacionais para aplicarem aos ciclistas os mesmos rigores implacáveis destinados aos veículos automotores. Para piorar, somam-se aos atos inseguros a condição insegura das bicicletas, muitas sem retrovisores, freios ou sinalização. Aos motoristas é recomendado respeito aos ciclistas e prática de "direção defensiva"; mas a recíproca não é verdadeira. Logo será preciso apelar para a "direção premonitória", tal a imprevisibilidade e irresponsabilidade das manobras. A implantação de ciclovias é uma parte da solução, mas temos que analisar objetivamente dois aspectos:
Assim, se as campanhas educativas atuais não surtem efeito, que sejam reformuladas. Está mais do que na hora de atuar mais incisivamente na inibição dos atos inseguros, senão continuaremos a ver corpos estendidos, famílias desamparadas e traumatismos físicos e psicológicos, com a cumplicidade da omissão de quem de direito. *Escritor, engenheiro e professor universitário. E-mail: algbr@ig.com.br |