Webjornal - Mensal  - Edição 87 - Aracaju, 19 de fevereiro a 26 de março de 2006
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Eleições 2006

O palanque africano

Por Carla Jamile*

O presidente Lula busca reforçar uma de suas estratégias da política externa, o estreitamento das relações com países pobres e em desenvolvimento, visitando pela quinta vez a África. No entanto, essas viagens fazem parte da tentativa de construção de uma imagem como líder internacional, já que sua imagem apagou-se na América Latina por causa da ascensão do seu companheiro Hugo Chavéz, presidente da Venezuela.

Nesta última visita, o presidente, mais uma vez, apelou aos países desenvolvidos por ajuda financeira e pelo perdão da dívida: “Os países desenvolvidos deveriam abrir seus cofres e estender a mão ao mundo em desenvolvimento”, disse o presidente. Ao tocar neste assunto, demonstrando pouco conhecimento da realidade econômica e política da África, Lula piora sua imagem. Até os próprios africanos estão pedindo, “pelo amor de Deus”, para que parem com a ajuda. Um deles é James Shikwati, que em entrevista ao principal jornal alemão, o Der Spiegel, argumentou que bilhões em ajuda somente alimentam as burocracias e piora a situação dos empresários locais que não conseguem competir com a ajuda estrangeira gratuita.

Os africanos não querem que olhemos para eles como pobres coitados, vítimas ou mendigos. Se alguém realmente quiser reverter o quadro da pobreza na África, precisa estimular o livre comércio, proteger os direitos de propriedade e reduzir a intervenção do governo na economia. Com isso, eles teriam mais oportunidades para conquistar uma vida digna.

Ao invés de usar dinheiro público com viagens dispendiosas, Lula deveria parar de espalhar factóides, agir como um político sério e realizar acordos comerciais importantes para o crescimento da África, coisa que não fez nesta visita. E aproveitando, se espelhar em alguns estados africanos, como Botsuana, que hoje tem uma renda per capita maior que a do Brasil e é considerado um modelo de democracia na África, além de ter o menor índice de corrupção entre os países africanos, segundo a ONG Transparência Internacional.

*Estudante de jornalismo da FACHA/RJ

                                 

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