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mercado de trabalho Maratona do estágio As estratégias para conseguir uma vaga Por Alexandra Gurgel*
Você está estagiando? Cansou do seu estágio e quer pular fora? Busca um estágio? Estágio e estágios, uns que duram o tempo suficiente para efetivação, outros que não dão nem para sentir o gostinho da empresa, e outros que duram anos e depois você é trocado por outro estagiário. Histórias da vida de estudantes de todo Brasil que buscam no estágio a oportunidade de uma experiência na área escolhida ou, quem sabe, a promessa de ser efetivado. Aqui serão sanadas dúvidas sobre os direitos do estagiário, dicas para uma boa entrevista, onde procurar, como criar seu currículo e como manter seu estágio. Não desanime, tem estágio para todo mundo! Segundo o artigo A importância do Estágio, de autoria de Adriano Pinheiro, "o estágio é um processo de aprendizagem indispensável a um profissional que deseja estar preparado para enfrentar os desafios de uma carreira". Conforme o autor, "está no estágio a oportunidade de assimilar a teoria e a prática, aprender as peculiaridades e macetes da profissão, conhecer a realidade do dia-a-dia, daquilo que o acadêmico escolheu para exercer". Adriano explica em seu artigo que "é comum o estagiário lembrar do que realizou durante o estágio enquanto assiste às aulas e do que aprendeu em sala enquanto está exercendo atividades no estágio". Por isso é tão importante estagiar. Além de proporcionar uma melhor visão sobre a teoria através da prática, é imprescindível hoje experiência para sair da faculdade com um bom emprego a vista.
Procurando um estágio? Ok. Já fez o seu currículo? Não tem idéia de como se faz? Para concorrer a uma vaga de estágio, é necessário um currículo. Com ele você descreve - basicamente - o que faz, o que já fez e o que pretende fazer. Ser simples e objetivo é o primeiro passo para conseguir uma entrevista. E é através do currículo que o entrevistador decide se te convoca ou não para a entrevista. Por isso, é muito importante atentar para pequenos detalhes que contam pontos: Escreva de maneira informal, mas corretamente. A última coisa que um contratante quer é alguém que mal sabe escrever português. Seja localizável. São informações essenciais. Elas devem vir no alto, no início da página. Não procure ser mais extensivo do que o necessário: basta ter o nome completo, telefone fixo, telefone celular e e-mail. Tenha um foco. Citar no currículo que você concluiu um curso de 60 horas mensais de artesanato em argila de nada acrescenta para a disputa por uma vaga em uma empresa de Informática. Eis alguns endereços com modelos de currículos e várias outras dicas de como criá-lo:
10 dicas para criar um currículo caprichado: Modelos de currículo: http://www.mxstudio.com.br/forum/index.php?showtopic=3234 Onde achar vagas Seu currículo está pronto e agora está na hora de ir à procura de vagas. É muito comum estudantes esperarem cair do céu uma vaga de estágio. Pura utopia. A concorrência é tão grande e a demanda tão baixa que pode parecer desanimador tentar algo. Mas saiba que sabendo procurar suas chances aumentam. O que não pode é ficar parado. Mas tenha bom-senso, não se candidate a vagas que não atendem ao seu perfil, e, se o fizer, não fique frustrado se não te chamarem para a entrevista. Seja honesto consigo mesmo. A principal dica: faculdade. Para estudantes sem experiência é muito comum começarem sua vida de estagiários nas próprias faculdades. Veja no mural de estágios da sua faculdade – todas têm – se há oferta de vagas. Procure se informar para não ser deixado para trás. Permanecendo na faculdade: converse com seus professores, colegas de faculdade. Sempre há alguém para dar alguma informação sobre determinada empresa que abriu uma vaga, ou até mesmo alguém que já estagie e possa te indicar. Seja comunicativo. Existem agências em as quais muitas empresas são parceiras, em que a seleção e contratação de estagiários ocorrem, geralmente, por meio dessas agências, como o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE). Só pela instituição há cerca de 250 mil estagiários trabalhando no Brasil. Na Internet a procura é mais abrangente, ela é sua maior aliada na busca de vagas; há milhares de sites onde você cadastra seu currículo, seu perfil e recebe oferta de vagas. Existem sites específicos para determinada região, mas o mais comum são sites que atendem todo Brasil e até o exterior. Muitas empresas utilizam o banco de dados desses sites para procurar o candidato que se encaixe no perfil da vaga oferecida.
Além disso, temos hoje em dia vários sistemas de busca, como o
Google,
Cadê,
Aonde e o
Orkut. O
Orkut deixou de ser um site de relacionamentos e virou um sistema de busca
eficaz, que pode e deve ser utilizado. Seguem abaixo alguns sites que
ajudarão a dar o pontapé inicial: A entrevista Mandou vários currículos e foi chamado para uma entrevista! Ótimo, agora é hora de se preparar para a entrevista, a maior aflição dos iniciantes no assunto. A convocação para a entrevista já é 50% do caminho andado. Os outros 50% dependerão exclusivamente de você. Agora é hora de se preparar para fazer bonito. Conhecer a empresa onde for fazer a entrevista é o principal. Nunca vá a uma entrevista não sabendo nem o nome da empresa. É bom ressaltar alguns pontos para obter sucesso: Seja discreto. Desde o momento em que chega no local da entrevista, o candidato pode estar sendo observado. O melhor, portanto, é se comportar adequadamente desde a sala de espera. Mantenha a postura ao sentar-se e deixe o celular desligado. Goma de mascar, balinhas e outras guloseimas devem ser evitadas a qualquer custo. Vista-se discretamente. Por mais casual que seja a empresa, a entrevista é um momento formal. Por isso, nada de roupas chamativas, blusas decotadas, barriga de fora ou saias curtas. Venda-se, sem exageros. Quando perguntado sobre suas habilidades e conhecimentos, não exagere: diga quais são suas competências sem se passar por “sabe-tudo”. A arrogância é muito mal vista. Também não “entregue o ouro” ao entrevistador: se ele não perguntar, não precisa dizer que não fala inglês fluentemente nem saber montar planilhas no excel. Mais dicas são encontradas nos sites: http://www.estagiarios.com/cand_dicas.asp http://www2.portoalegre.rs.gov.br/estagios/default.php?p_secao=24 Experiência ou perda de tempo? Foi chamado para fazer parte da equipe da empresa? Parabéns! Agora é hora de pôr em prática o que aprendeu na teoria. Mas atente para alguns pontos. Pequenos estágios de seis meses a um ano permitem ao estudante oportunidades melhores no futuro estágio ou emprego. Antes de tudo, se a empresa oferecer oportunidade de renovação do período de estágio, avalie se vale a pena. Questione o que os estágios muito longos na mesma empresa poderão lhe acrescentar, pois existem estágios em que o trabalho a ser realizado não muda, não exige mais de sua capacidade para realizá-lo, virou rotina. Isso pode influenciar negativamente o jovem na hora de decidir se é mesmo isso que você pretende fazer para o resto da vida: “O estágio que não exige mais do estudante deve ser analisado, pois isso pode comprometer o futuro profissional, fazendo o jovem acreditar que, se o que está estudando é para realizar na prática aquilo o resto da vida, é melhor rever seus conceitos e mudar de curso. Conheço muitos casos como esses”, afirma o Analista de Sistemas e líder de grupos jovens, Adriano Pinheiro, 34. Para saber se é mesmo uma perda de tempo, Adriano aconselha: “Algumas empresas chegam a contratar estudantes como estagiários e colocá-los a exercerem função de telemarketing, vendendo produtos ou serviços. Esta prática nada tem a ver com a proposta do estágio que é proporcionar ensino e capacitação profissional direcionada. Por isso, procure ter a noção exata do que o estágio lhe proporcionará e peça conselhos profissionais a seus professores acadêmicos ou pessoas que já passaram por isso.” Um fator agravante a essa situação de “desperdício de tempo” é o valor da bolsa-auxílio, que, quando recheada, cega os estagiários e os fazem achar que é bom negócio continuar na empresa. O site Estágio responsável adverte sobre o assunto: “Se o estágio não estiver atendendo às suas expectativas, você deve solicitar a rescisão. Não deixe que o valor de uma bolsa de estágio o faça permanecer em uma empresa por mais de um semestre letivo nessas condições. Reflita bem sobre a oportunidade de aprendizado que você pode estar perdendo em outra empresa.” A falsa promessa da efetivação Como muitos estudantes devem saber, o estágio é exigido para cumprimento do curso e deve ser executado com qualidade mesmo que não haja promessa de contratação. Mas isso fica só na teoria. Empresas enganam seus estagiários, criando neles a utopia de serem efetivados, quando na verdade não querem assinar a carteira dos estudantes. Só para seu conhecimento: um estagiário vale hoje em dia o dobro da bolsa-auxílio que recebe. Ou seja, se a bolsa é de R$ 380,00, a empresa paga R$ 720,00 só para mantê-lo. Está aí a explicação dos salários pouco polpudos. Isso sem contar no Vale-Transporte, Vale-Alimentação, Seguro e por aí vai. Dependendo da empresa até plano de saúde está incluso. Será mesmo que aquela efetivação sairá? Vão pagar no mínimo o dobro e ainda assinar carteira? Vamos ver o que dizem os que sentiram na pele essa experiência. Eduardo Oliveira (23), graduado em Informática, depois de estagiar durante 3 anos em uma multinacional de grande porte, viu seu contrato de estágio sendo cancelado e a prometida efetivação indo para os ares: “Ao final da faculdade, um momento de transição complicadíssimo em minha vida, acabei me graduando e de presente me tornei mais um desempregado e assim continuo há dois meses.” Eduardo sofreu por estar recém-formado e desempregado, e isso é muito comum, Felipe Maia, publicitário, que o diga: “comecei a estagiar no sétimo período em uma agência de propaganda. Assinei um contrato feito na hora que dizia que eu seria efetivado após a minha formatura. Assim que me formei fui comunicado que não assinariam minha carteira, pois a empresa precisaria cortar gastos. Ou seja, estou há quatro meses desempregado.” Estágios longos e com muitas promessas são perigosos, antes de tudo é melhor se informar sobre a idoneidade da empresa, conversar com funcionários que foram efetivados e buscar seus direitos. Direitos do estagiário De acordo com a legislação que regula a matéria, Lei 6494/77 e Decreto 87.497/82, a relação de estágio não cria vínculo empregatício, ou seja, o estagiário não tem direitos trabalhistas tais como férias remuneradas, 13º salário, fundo de garantia ou mesmo aviso prévio. Embora seja prática comum, o pagamento da bolsa auxílio não é obrigatório. A Lei faculta essa remuneração. Já o seguro contra acidentes pessoais é obrigatório, devendo ser pago pelo agente de integração ou pela unidade concedente. Tanto o estagiário quanto o concedente do estágio podem interromper essa relação a qualquer tempo, sem prévio aviso. O estágio não pode criar ônus financeiro para o estagiário ou dele ser cobrada qualquer despesa para efetivação do estágio. *Estudante de Jornalismo da PUC/RJ. E-mail: alexandragurgel@gmail.com |