Webjornal - Mensal - Edição 93 - Aracaju, 17 de setembro a 15 de outubro de 2006
______________________________________________________________________________________________

Maravilhas de Portugal

Pela Costa de Prata - parte I

Por Alvaro Giesta*
Fotos
Alvaro Giesta, Francisco Vieira, Pedro Libório, Sérgio Rodrigues, Aeroclube da Figueira e de Arquivo

Viaje connosco por Aveiro, Quiaios, Figueira da Foz, Paredes da Vitória, Nazaré, S. Martinho do Porto, Peniche, Consolação, Atalaia, Porto Novo, cidades e vilas onde o Atlântico vem beijar a prata de lindas praias. Acompanhe-nos, também, numa aventura pelo interior e veja S. João da Madeira, Águeda, Coimbra, Leiria, Fátima, Caldas da Rainha, Óbidos... onde a paisagem é suave e muito variada, entrecortada por lagos e rios que correm ao longo de vales arborizados. E por Batalha, Alcobaça e Tomar onde a história e a religião vivem, desde há séculos, o dia a dia de braço dado. Viaje com a nossa equipa até Aveiro, e venha ver os tão graciosos barcos moliceiros com as suas quilhas enfeitadas de motivos multicolores.

E antes de lhe darmos a conhecer o Aveiro do passado, que o do presente conhecerá por certo já muitos o leitor, permita-nos que lhe mostremos a Ria, fruto de um notável acidente hidrográfico, essa vasta área lagunar sujeita às marés, semeada por ilhas e cruzada por canais, orlados de salinas e pinhais. Essa laguna com a forma de triângulo e que com a maré-cheia cobre cerca de 6.000 hectares com uma profundidade média de 2 metros, abundante em peixe, fértil nas zonas imergidas e célebre, sobretudo, pelas algas ou moliço que servem de adubo.

Aveiro, que no passado foi porto marítimo, é hoje o terceiro centro industrial do país, depois de Lisboa e do Porto. Cidade muito próspera nos séc. XV e XVI graças à presença da princesa Santa Joana e também à pesca do bacalhau praticada na Terra Nova, foi abalado em 1575 por uma tempestade violenta que fechou a ria. O porto enlameia-se e a prosperidade da cidade declina. Fracassam as tentativas do Marquês de Pombal, no séc. XVIII, da recuperação, e só em 1808, entre os diques edificados com as pedras das muralhas da cidade, se consegue reabrir um canal entre a ria e o mar rectificando-se o leito sinuoso do Vouga, devolvendo-se, assim, a prosperidade à cidade.

Eis Quiaios a norte do Cabo Mondego e da Serra da Boa Viagem, diversificada na paisagem e com um mar bravio que vem beijar a praia enorme, onde se escondem ainda muitos lugares quase virgens na serra agreste. Para os amantes da fotografia da natureza aqui se encontram o Pato-Real, o Pato-Trombeteiro, a Negrinha, o Romanisco, a Galinha-de-Água, o Galeirão, o Rouxinol-pequeno-dos-caniços e o Rouxinol-grande-dos-caniços.

De inegável beleza, as Lagoas de Quiaios situam-se na Mata Nacional das Dunas de Quiaios, constituindo zonas húmidas de inegável valor ecológico. Assumem um importante papel como local de passagem e aí invernam de aves migradoras provenientes do Norte da Europa e do Continente Africano.

E a quem percorre a costa Atlântica, um convite para vir connosco até Nazaré, essa estância balnear por excelência com vista para o mar. Nazaré, onde as imagens  valem por mil palavras. O observador, por tal beleza, sente-se atraído, preso a ela, diria até… o mar ali traz espuma rendilhada e brinca na areia da praia no seu vai e vem da maré.

Sendo a vila piscatória mais popular do país, pelas tradições e costumes que as suas gentes lutam por manter, Nazaré detém três zonas populacionais distintas: o Sítio, a Praia e a Pederneira. Até princípios do século XVII, fique o leitor sabendo, que Nazaré apenas se dividia entre o Sítio e a Pederneira dado que o mar chegava então à serra da Pederneira cobrindo toda a zona onde hoje está a praia. O rápido recuo do mar, ao longo do século XVII, deixou uma nova praia a descoberto, permitindo a criação de um refúgio, aos pescadores, dos ataques dos piratas.

E deixemos agora Nazaré entregue à sua economia ligada ao mar, sem colocar de lado o turismo, considerada como a actividade com maior peso no concelho, para nos dirigirmos até à Foz do Mondego, onde o Forte de Santa Catarina, erguido no cume de um pequeno, outeiro faz jus, como cartão de visita, a quem chega à cidade de Figueira da Foz. Dentro deste forte, veja a Capela de Santa Catarina, que pertenceu ao padroado crúzio de Coimbra e que serviu, para além das funções litúrgicas, como tribunal da Inquirição em 1645. Um concelho feito de muitas praias de areia dourada e águas famosas pelas provas internacionais de surf que aqui costumam decorrer no verão.

A Figueira da Foz nasceu da foz do Mondego muito antes da ocupação lusa ou romana. E, graças ao rio e ao mar, o povo desta terra, com a sua garra de "homens do mar", soube arranjar meios de sobrevivência. As salinas da ilha da Murraceira, outrora importante centro de produção de sal, provam tal valor. Um quadro espantoso na paisagem, ora coberta de um azul esverdeado, ora de um manto alvo de neve, são os tanques da captação das águas onde, através de uma rede axadrezada de canais, as águas do mar e do rio se juntam.

A Figueira da Foz nasceu da foz do Mondego muito antes da ocupação lusa ou romana. E, graças ao rio e ao mar, o povo desta terra, com a sua garra de "homens do mar", soube arranjar meios de sobrevivência. As salinas da ilha da Murraceira, outrora importante centro de produção de sal, provam tal valor. Um quadro espantoso na paisagem, ora coberta de um azul esverdeado, ora de um manto alvo de neve, são os tanques da captação das águas onde, através de uma rede axadrezada de canais, as águas do mar e do rio se juntam.

Não tem outro remédio, senão vir à Figueira quem quiser ver a mais linda praia de Portugal!", escrevia Ramalho Ortigão, no final do século XIX. Quiaios, Murtinheira, Cabo Mondego, Buarcos, Figueira da Foz, Cabedelo, Cova, Gala, Costa de Lavos e Leirosa, são as nove praias ao longo dos 15 quilómetros de costa que transformam a cidade, durante o verão, num local de encontros onde se revêem velhos amigos e se conquistam novas amizades. Elevada à categoria de cidade a 20 de Setembro de 1882, a Figueira da Foz é famosa pelo seu areal, conhecido como "Praia da Claridade", que atraía a banhos a aristocracia de variados pontos do país, uma "prática" iniciada pelo primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que aqui se teria deslocado a conselho médico. Talvez por isso, a Figueira recebeu a designação de "Rainha das praias de Portugal".

Mas para falar de Figueira, tão bela nas suas praias como rica na sua história de crescimento, nada melhor do que fazer uma visita se não, à cidade viva, pelo menos à sua página na internet. Veja do ar aquilo que não consegue ver de terra. E, para isso, desafie para esta proposta o aeroclube da Figueira que tão gentilmente cedeu estas fotografias e diga com ele  "Voar é de tal forma belo e único nas sensações e no prazer que nos concede que somos obrigados a retribuir, a partilhar..."

Acompanhe-nos o leitor até ao extremo sul da Costa de Prata, para nos banharmos nas praias de Peniche, de Consolação, da Atalaia e Porto Novo ou noutras que nos seja dado encontrar nos seus arredores. Peniche assenta sobre uma península com cerca de 10 km de perímetro, constituindo o seu extremo ocidental o Cabo Carvoeiro. A costa é formada por imponentes rochedos e por magníficas praias de banhos, de grande extensão, debruçando-se sobre o oceano num desfilar constante de aspectos surpreendentes a maravilharem os olhos dos visitantes. Fronteiro a Peniche, à vista sobre o Atlântico, para o lado ocidental, fica o Arquipélago da Berlenga.

A entrada em Peniche faz-se através de uma porta na antiga muralha que protegia a vila dos ataques da pirataria francesa e inglesa.

Contorne à direita esta antiga muralha e faça o perímetro do cabo da península, passando nos rochedos da Papoa, cenário de alguns naufrágios trágicos, o mais famoso dos quais foi o do galeão espanhol “San Pedro de Alcántara”. Espreite o mar na Varanda de Pilatos já no Cabo Carvoeiro e admire aquele penedo plantado no oceano, à direita, denominado Nau dos Corvos e a fabulosa vista sobre as Berlengas.

O forte, seiscentista, edificado para proteger a costa num local propício a desembarques, foi transformado em prisão política pelo Estado Novo e devolvido, após o 25 de Abril, a espaço museológico. A visita vale a pena, aproveitando a circunstância de ser um bom miradouro sobre a costa. À entrada, uma maqueta mostra a importância da fortaleza na defesa da região quando Peniche ainda era uma ilha.

O percurso começa pela Casa da Guarda, onde se reforça o conhecimento da história de Peniche através de alguns objectos. Na sala das Ciências, elementos geológicos permitem a compreensão da antiguidade desta terra. O forte alberga o que poderia ser o “Museu da Resistência ao Fascismo”, mas documenta apenas alguns aspectos da vida dos presos políticos na cadeia que ali funcionou. A documentação é pobre, ainda que seja comovente visitar os parlatórios, onde os presos recebiam visitas, e as celas, numa das quais se expõem desenhos de Álvaro Cunhal, referências à fuga de Dias Lourenço, Álvaro Cunhal e outros dirigentes comunistas.  E outras coisas mais que a história se reserva o direito de descobrir e contar.

Estar na Costa da Prata a fazer veraneio e não falar da bela Vila de São Martinho do Porto, famosa pela sua baía em forma de concha, seria fazer-lhe injustiça.

Pertencente ao concelho de Alcobaça, situa-se no caminho de Caldas da Rainha para a Nazaré. No trajecto, entre as Caldas e São Martinho, vale a pena parar em Alfeizerão e apreciar o excelente pão-de-ló que aqui se fabrica. Com uma barra muito estreita, ladeada por dois montes pedregosos e de entrada nem sempre fácil, é também conhecida por ser o local onde o Inverno vai passar o Verão.

Claramente formada por duas partes, destaca-se na parte alta, aquele que foi o ponto mais alto da costa portuguesa – o Facho, agora desgastado devido à erosão. Daqui tem-se uma bela vista da entrada na baía, e até, em dias claros, do arquipélago das Berlengas, sede da imaginária “República da Baleia”.

 

 

*Pseudónimo de Fernando Reis, membro efectivo do “Movimiento Poetas del Mundo” com sede no Chile, colabora na revista literária del espaço planetário “Artesanías Literárias”, com sede na Argentina, escreve no Planeta Literatura e Recanto das Letras (sites de Escritores e Poetas Brasileiros), publicou 18 poemas, na Antologia Escritores Brasileiros e Autores de Língua Portuguesa, 3ª Edição Agosto 2006 e participa, na modalidade Poesia e Conto, na 4ª Edição de igual Antologia a publicar em Novembro de 2006.

    

(c) Todos os Direitos Reservados