Webjornal - Mensal - Edição 94 - Aracaju, 15 de outubro a 12 de novembro de 2006
______________________________________________________________________________________________

Maravilhas de Portugal

Pela Costa de Prata (II)

Por Alvaro Giesta*
Fotos
Alvaro Giesta, Francisco Vieira, Pedro Libório, Sérgio Rodrigues, Aeroclube da Figueira e de Arquivo

No meu último artigo, falei da Costa de Prata. Neste texto, continuo e termino o meu relato. Cabe aqui, a título de curiosidade e para tornar menos monótonos e fastidiosos estes nossos passeios e divagações, darmos a conhecer como nasceu, nos primórdios dos anos 70, a famosa "Republica da Baleia". Permita-nos, leitor, que o façamos...

“Certo grupo de veraneantes tinha o hábito de ir, uma vez por ano, ao Baleal, vila com uma praia maravilhosa e com duas ilhas. A que só é ilha na maré cheia, tem a vila do Baleal propriamente dita; a outra, é bem menor e deserta e chama-se ilha da Baleia. Não é mais do que uma grande pedra com alguma vegetação rasteira, quase sempre atingível a vau na maré vazia. Foi nesta ilha da Baleia que aportaram os nossos aventureiros veraneantes nos seus botes de borracha… e logo um deles sugeriu que aquela ilha passasse a ser o “seu estado”. Ideia aceite e aprovada por unanimidade, foi decidido que a formação daquele “reino” ficasse em segredo por causa da polícia política de então. E assim esse “novo país” ficou a chamar-se República da Baleia. Nessa mesma noite foi eleito o seu primeiro Presidente da República, que formou governo.

Poucos anos depois o mesmo grupo visitou as Berlengas e ali mesmo achou que a Republica da Baleia precisava de ser expandida. Por decisão sua, o arquipélago das Berlengas foi então incorporado à “grande” república, cuja capital passou a ser a “cidade” de Fortaleza, na Berlenga maior.Essa república tinha um grande rival… o Grão Ducado de Valverde, com capital em São Martinho do Porto, mas resolveram as suas divergências com a criação de um bloco económico poderoso, a União São Martinheira, com a sua moeda única, o Cachalote.”

Foz do Arelho, a 8 Km das Caldas da Rainha, tem um conjunto de atractivos que tornam esta localidade única. Uma praia paradisíaca, composta por Lagoa e Mar, com uma vista extraordinária a partir de miradouros ao longo da estrada atlântica, avistando-se a largas milhas Peniche e as Berlengas. Um magnífico areal na confluência da Lagoa com o Mar conjuga-se numa simbiose perfeita com a densa vegetação que reveste as margens da Lagoa.

E por terras da Foz do Arelho, convidamos agora o leitor a deslocar-se, connosco, até Óbidos para se documentar da origem do seu nome. “(…) Este Imperador (Júlio César) continuou as suas conquistas e veio sobre Óbidos e lhe pôs cerco e, como a achasse bem fortificada, se demorou alguns dias; e como visse que a não podia tomar, se retirou para Santarém, deixando a sua gente no cerco e logo enviou mais forças. Porém, como tivesse passado bastante tempo sem que os Romanos pudessem entrar, e sempre sofrendo grandes perdas, porquanto os Celtas estavam bem fortificados e os seus valentes muros bem guarnecidos de gente, excepto do lado de poente por ali chegar o mar, que então chegava até à costa. Os Romanos, vendo que de tal cerco não tiravam resultado, se fizeram idos, levantando o seu arraial; e passados dias, embarcaram em um porto ao norte (hoje a barra de S. Martinho) e de noite entraram pela boca da Foz do Arelho e navegando até junto aos muros da Vila, e como os Celtas estivessem no mesmo descuido, a tomaram por esse lado. E logo que foram senhores dela, o seu chefe deu de tudo parte a César e afinal lhe dizia: Ob id os (por causa desta boca) é que tinham podido tomar aquela fortaleza. E parece não ter questão ser esta a etido nome Óbidos e mais conforme do que Oppidum, que compete a qualquer cidade ou vila.”

Seja o que for, o que não sabemos é se os Romanos determinaram este nome ou se estas palavras, que apareciam frequentemente nos documentos desse tempo, deram motivo a que os povos que vieram depois dos Romanos, ignorando o que elas queriam dizer, assentaram o que era o nome da terra e, por isso, a ficaram chamando Óbidos. Deixemos, por ora, as belas praias da Costa de Prata, que jamais se tornam aborrecidas mesmo que por demais repetidas, e vamos nós até às coisas históricas desta costa. Acompanhe-nos, caro leitor...

Alguns dos locais históricos e religiosos, e as arquitecturas mais importantes de Portugal, podem ser encontrados nesta região, mais concretamente no centro do país.

Faça uma incursão até Alcobaça onde poderá admirar a Abadia de Santa Maria de Alcobaça mandada construir pelos monges de Cister entre 1178 e 1254, seguindo o modelo da sua casa mãe da Ordem de Cister em Claraval, França. E foi por se chamarem Alcoa e Baça os rios que ali passam que Alcobaça teve o nome? Dizem os entendidos que o seu nome de baptismo deriva de Helcobatie, nome de uma povoação romana que próximo dali existiu. E então não se chamariam os tais rios Helco e Batie e deram eles o nome a Helcobatie?

Coisa por esclarecer e que para os entendidos na matéria deve ficar. Não dê, isto, ao leitor dor de cabeça e prossiga connosco a viagem. Veja que, por fora, o Mosteiro, com um comprimento de cerca de 220 metros, é formado por três corpos – a Igreja, cuja fachada atinge os 43 metros de altura e as Alas Norte e Sul, onde, respectivamente, se situavam os aposentos dos reis e da corte em visita, e as residências do Abade e dos Monges. Da fachada original vêem-se as ameias na cobertura lateral, o portal gótico e os janelões laterais. Os torreões barrocos são um acrescento do século XVIII, aquando das grandes obras pombalinas dirigidas por Frei João Turriano. Perto da Sala dos Monges Cistercienses está localizada a célebre cozinha do século XVIII, sob a qual passa um rio subterrâneo.

Digno de registo é o tecto da Sala dos Monges Cistercienses. Admire-o, que vale a pena. A Igreja, a maior de Portugal, tem três naves de doze tramos cobertas por abóbodas ogivais que culminam num transepto formado por três naves, onde, à direita, se encontra o túmulo de D. Pedro I e à esquerda o túmulo de D.ª Inês de Castro. Estes dois túmulos góticos, de cerca de 1360, são o testemunho da trágica história de amor entre estes dois personagens da História de Portugal.

Desloque-se à Batalha e visite o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mandado construir por volta de 1387 ou 1388 e cujas obras se estenderam até cerca de 1533. Primeiro em estilo gótico, apresentando evoluções até ao gótico tardio, sendo um exemplo requintado do “Manuelino” ou “gótico português. No seu panteão, iluminado por belíssimos vitrais, encontram-se os túmulos do seu fundador, D. João I, sua mulher, D. Filipa de Lencastre e de seus filhos, entre os quais o Príncipe Henrique, o Navegador.

Belíssimo vulto conjunto, o dos progenitores dos Infantes, na figuração de Bem Casados, deitados lado a lado e de mãos dadas! (faz-se assim a nossa história quando a alguém convém...). Túmulo este, e outros, hoje unicamente obras de arte e não monumentos à glória de quem lá está (ou já não está ou nunca esteve!). Nos anos 30 da centúria de Quinhentos ainda se construiu a tribuna das Capelas Imperfeitas mas, a partir daí, as obras iriam parar. Julga-se que foi aqui que se praticou o vitral pela primeira vez em Portugal - um vitral trazido especialmente por mestres alemães e flamengos que ainda hoje permanece, em parte. Os vitrais da Casa do Capítulo serão ainda testemunhos de cerca de 1514.

Foi Convento dos Dominicanos até 1834, data da extinção das Ordens Religiosas em Portugal e, 6 anos depois o monumento estava votado a um completo abandono. O rei D. Fernando II impressionou-se pelo seu estado e nessa altura começaram as obras de restauro do monumento. Em 1907 deu-se a classificação como Monumento Nacional, e em 1983 passou a ser considerado Património da Humanidade, pela UNESCO.

"Desperte os seus sentidos" e visite o Santuário de Fátima, construído em 1928 com pedra calcária da Região, é formado pela Basílica e alas laterais. Considera-se o "Altar do Mundo". Hoje o Santuário de Fátima acolhe em peregrinação e oração muitos milhares de crentes vindos de todo o mundo, sobretudo na Peregrinação anual de 13 de Maio e nos restantes dias 13 de cada mês, de Maio a Outubro.

E sobre o Santuário de Fátima... "Todo o recinto do Santuário é dominado pela Basílica cuja construção, em estilo neobarroco, se iniciou em 1928 segundo o projecto do arquitecto holandês G. Van Kriecken, vindo a ser sagrada em 1953. O altar-mor da Basílica tem um quadro que representa a Mensagem de Nossa Senhora aos Pastorinhos e os vitrais ilustram Cenas das Aparições. Nos quatro cantos da Basílica estão as estátuas dos Apóstolos do Imaculado Coração de Maria. Na Capela-mor vê-se o túmulo de D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, e do lado nascente estão os túmulos dos Videntes já falecidos - Francisco e Jacinta Marto. O órgão monumental, datado de 1952, tem cerca de 12.000 tubos. Toda a colunata é decorada com quadros da Via Sacra, em cerâmica policromada e sobrepujada por estátuas de Santos das quais se destacam, junto ao corpo da Basílica, as dos quatro Santos portugueses - S. João de Deus, S. João de Brito, Santo António e Beato Nuno. A Capela das Aparições é considerada o coração de todo o Santuário, pois além de assinalar o local das primeiras Aparições de Nossa Senhora do Rosário aos Pastorinhos, alberga a Imagem de Nossa Senhora e foi o primeiro local de oração a ser edificado na Cova da Iria. A Azinheira Grande foi o local onde os Pastorinhos e os peregrinos rezaram o terço, antes da Segunda e da Terceira Aparição.

O Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, em pleno centro do Santuário, cobre o poço de água que aqui brotou na Última Aparição. A Cruz Alta comemora o Ano Santo Universal aqui celebrado em 1951. O Centro Pastoral Papa Paulo Vl é um importante centro de Estudos Marianos e de Congressos, e foi inaugurado pelo Papa João Paulo II, em 13 de Maio de 1982. A Via Sacra é composta por 14 Capelinhas evocativas da Paixão do Senhor. Começa na Rotunda de Santa Teresa de Ourém, passa junto ao Monumento de Valinhos que assinala o local da Quarta Aparição, a 19 de Agosto de 1917, e termina no Calvário, um pouco acima da Loca do Anjo - o sítio onde os Três Pastorinhos receberam a Primeira e a Terceira visita do Anjo, durante a Primavera e Outono de 1916. As Casas dos Pastorinhos em Aljustrel, de Lúcia e da Família Marto, conservam todo o mobiliário e objectos de uso doméstico e pessoal dos Videntes. No quintal da Casa de Lúcia situa-se o poço onde o Anjo apareccu em 1916, pela segunda vez. Ainda no Santuário pode ser visto o Monumento ao Papa Paulo VI, o Monumento ao Papa Pio XII e o Monumento a D. José Alves Correia da Silva. Na Albergaria de Nª Srª das Dores é dada toda a assistência a peregrinos." in Folheto Turístico da Região de Turismo de Leiria

Cidade localizada nas margens do rio Nabão, Tomar foi conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques em 1147. Foi depois doada por este monarca ao Templários em 1159. D Gualdim Pais concedeu-lhe foral em 1162. Com a extinção da Ordem do Templo em 1312, foi fundada a Ordem de Militar de Cristo com o consentimento do Papa João XXII. Porque houve necessidade de defender a fronteira algarvia, a sede desta Ordem transferiu-se para Castro Marim fixando-se, pouco tempo depois, no castelo de Tomar. O Infante D. Henrique, nomeado pelo Papa como Regedor da Ordem de Cristo, viria a instalar-se no castelo de Tomar dando origem a que esta cidade viesse a ser o centro originador e principal sustentador da epopeia dos Descobrimentos. Em 1844 Tomar é elevada à categoria de cidade sendo visitada, no ano seguinte, pela Rainha D.Maria II. Monumentos fabulosos, dos quais se destaca o Convento de Cristo, mas também pelas suas potencialidades turísticas que proporciona a visita de inúmeras edificações históricas, relíquias arqueológicas, passeios pelos seus frondosos e frescos jardins e também ao longo do rio Nabão.

Locais a visitarem: Convento de Cristo, Castelo, Charola do Convento, Janela do Capítulo, Mouchão, Roda do Mouchão, Represa, Várzea Pequena, Mata Nacional dos Sete Montes. De suma importância, considerado património mundial em 1984 pela UNESCO, é o Convento de Cristo, constituído por sete claustros e outros edifícios. Notáveis obras de arte no seu interior, destacando-se como a mais bela e monumental obra do Renascimento, o Claustro de D. João III.  Os restantes são o Claustro das Lavagens, o Claustro de D. Henrique, o Claustro de Santa Bárbara, o Claustro da Micha, o Claustro das Hospedarias e o Claustro dos Corvos. Símbolos indissociáveis deste convento esplendoroso são a Janela do Capítulo e a Charola.

Coimbra, sede da mais antiga universidade do País, foi berço de nascimento de seis reis e a primeira capital portuguesa de 1139 a 1256. É, portanto, uma cidade cheia de interesse histórico, associado aos costumes coloridos dos estudantes que enchem as suas universidades. Adormecida no verão, a cidade volta a animar-se durante o ano lectivo, com os seus 20.000 estudantes. Envoltos nas suas largas capas negras, franjadas com tantos entalhes quantos os desgostos amorosos, usam uma pasta com as cores das suas faculdades. Convidamos o leitor a descobrir Coimbra a partir da ponte de Santa Clara ou do miradouro do Vale do Inferno.                                                                                                                                 

E já que estamos em Coimbra, dê um pulo à Floresta Nacional do Buçaco, que já existia no século VI e contém centenas de espécies nativas e exóticas de árvores e arbustos, assim como, no seu centro, o Buçaco Palace Hotel com a sua arquitectura romântica do século XIX e célebres murais e azulejos.universidade do País, foi berço de nascimento de seis reis e a primeira capital portuguesa de 1139 a 1256. É, portanto, uma cidade cheia de interesse histórico, associado aos costumes coloridos dos estudantes que enchem as suas universidades.

Fechamos por ora este nosso circuito turístico à roda deste país de lendas e história feito, visitando no concelho de Condeixa-a-Nova, paredes-meias com Coimbra dos Estudantes, as ruínas de Conímbriga as mais importantes descobertas até hoje em Portugal. A ilustrar, uma imagem de hoje a mostrar o tempo de ontem em que, sobre o pavimento de mosaico se erguia um tecto, funcionando aqui uma sala de faustosos e libidinosos banquetes romanos.

Já ocupada pelos romanos no século II a.C., tornou-se um importante centro urbano no reinado do Imperador Augusto (25 a.C.) e inclui imponentes casas com belíssimos mosaicos, termas e banhos públicos, um anfiteatro, um aqueduto e um fórum. Junto às ruínas, um museu explica a sua história e disposição e exibe bustos, moedas e outros artefactos romanos e celtas, sendo complementado por um contíguo restaurante e parque para piqueniques, a destoar de tão importante achado arqueológico a que tão pouca importância dá a esmagadora maioria do povo luso.

*Pseudónimo de Fernando Reis, membro efectivo do “Movimiento Poetas del Mundo” com sede no Chile, colabora na revista literária del espaço planetário “Artesanías Literárias”, com sede na Argentina, escreve no Planeta Literatura e Recanto das Letras (sites de Escritores e Poetas Brasileiros), publicou 18 poemas, na Antologia Escritores Brasileiros e Autores de Língua Portuguesa, 3ª Edição Agosto 2006 e participa, na modalidade Poesia e Conto, na 4ª Edição de igual Antologia a publicar em Novembro de 2006.

    

(c) Todos os Direitos Reservados