
Webjornal - Quinzenal - Edição 43 - Aracaju,
23 a 30 de novembro de 2003
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Artigo Por Paulo Lima Em votação promovida em 1999, a Câmara Brasileira do Livro elegeu os 100 livros brasileiros do século XX. Lá se vão quatro anos, mas a eleição, salvo desconhecimento deste escrivinhador, passou despercebida pela mídia. À primeira vista, a enquete feita pela CBL deve ter ouvido segmentos amplos da sociedade, e não se ateve somente às tradicionais listas de títulos literários. Senão, como justificar no ranking obras como "Tratado de Direito Privado", de Pontes de Miranda, ou "Código Civil dos Estados Unidos dos Brasil Comentado", de Clóvis Bevilacqua? A inclusão de livros sobre jurisprudência faz com que os 100 mais da CBL destoem das demais iniciativas no gênero, normalmente criadas para expor os top da literatura e congêneres. Num primeiro passeio pelos 100 livros, ficamos com a impressão de que a lista da CBL fez justiça a algumas das maiores obras já escritas em nosso país. Tome-se o exemplo dos livros da área de Economia. Lá estão alguns clássicos dessa seara tão espinhosa quanto nevrálgica. A câmara não esqueceu de livros como "A Inflação Brasileira", de Inácio Rangel, um estudo seminal sobre o "convidado de pedra" que infernizou a vida nacional ao longo de longas e tenebrosas décadas. Não esqueceu-se também de outra magnum opus da nossa produção acadêmica, como o pioneiro "Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro", de Maria Conceição Tavares. E, claro, seria impossível omitir obras do vulto de "Raízes do Brasil", de Sérgio Buarque de Holanda. Ou painéis magistrais como "Formação Econômica do Brasil", do mestre dos mestres Celso Furtado. E ainda uma verdadeira fonte de compreensão da nossa brasilidade, como "Os Donos do Poder", de Raymundo Faoro. O inventário da CBL é instigante e inclui ainda alguns intérpretes fundamentais da realidade brasileira, como Milton Santos e Darcy Ribeiro. No entanto, derrapa de maneira inexplicável ao perfilar os melhores livros da literatura pátria no século passado. Como explicar a ausência de um nome como João Cabral de Melo Neto, por exemplo, ou ainda de um prosador do quilate de Osman Lins, autor da obra-prima "Nove Novena"? Em contrapartida, vêem-se no ranking da CBL nomes notoriamente desconhecidos como Campos de Carvalho, com o livro "A Lua Vem da Ásia", e Amadeu Amaral, com o "O Dialeto Caipira". Desconhecidos ao menos para o horizonte limitado deste aspirante a jornalista. Não se sabe sob que critérios a votação da Câmara foi realizada, ou quem votou. Mas desse tipo de iniciativa aprende-se a lição de que listas assim não devem ser levadas a sério. Existem para ser lidas, criticadas e esquecidas. Para
quem quiser tomar conhecimento dos 100 mais da CBL, aqui está o caminho: http://www.cbl.org.br/destaque.asp?Id=157
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