Webjornal - Quinzenal  - Edição 44 - Aracaju,  7  a 14  de dezembro  de 2003
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Artigo

A inteligência em revista 

Por Paulo Lima

O mercado de revistas culturais no Brasil ganhou um notável impulso nos últimos anos. Algumas publicações têm se mantido com aparente solidez, apesar das marés de incerteza da nossa economia. Essa permanência tem suprido a carência de um determinado número de leitores que ainda aspiram a transpor as linhas delimitadas pela cultura de massa. Até onde pode chegar a vista deste escrivinhador, faz jus a essa imanência a celebrada revista Bravo!, com uma larga dianteira sobre as demais concorrentes. Na área estritamente literária, citemos a Cult, publicada a partir do eixo Rio-São Paulo. No Nordeste, temos a excelente Continente Cultural, cujo QG, baseado em Recife, conta com colaboradores de grandes publicações fora de Pernambuco, como Daniel Piza, Ferreira Gullar, Joel Silveira e José Arbex Jr..

No âmbito acadêmico, temos a alentada Tereza, revista de literatura publicada pela Universidade de São Paulo. E mais para os lados do Rio Grande, mais exatamente no Paraná, avista-se a Coyote, que já contou com um peso pesado como Paulo Leminski em seu quadro de colaboradores.

Contadas nos dedos essas opções, tudo o mais serão nuvens? Não. Tudo o mais serão possibilidades de se ter mais inteligência em revista (literalmente), pois que está em circulação, desde novembro, o primeiro número da revista Argumento, uma publicação da livraria homônima com sede no Leblon, Rio de Janeiro.  

A revista já agrada em cheio pelo nome, pois não há o que discutir se não se tem argumento. O primeiro número chega enxuto, como aliás toda a apresentação dessa publicação. A capa é um deslumbre, preenchida por uma fotografia em preto e branco, restando espaço somente para o indispensável cabeçalho. 

Transpostos os primeiros instantes de namoro, vem o convívio, que acaba por se revelar dos melhores. Em primeiro lugar, a revista conta com um time de colaboradores de primeira grandeza: Sérgio Augusto, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Sérgio Cabral, Flora Sussekind, Luís Fernando Veríssimo e outros.

Sobre o título da revista, explica o editorial desse primeiro número: "Alguns precedentes envolvem o lançamento desta revista. Primeiro, a história de um nome - Argumento - , que a muitos leitores imediatamente fará recordar a antiga e antológica 'revista mensal de cultura' da Editora Paz e Terra. Circulou entre os anos 1973 e 1974, em quatro edições, difundiu as idéias de um grupo genial formado por intelectuais como Antonio Candido, Celso Furtado, Antonio Callado, Fernando Henrique Cardoso, Florestan Fernandes, fez muito barulho até ser censurada pela ditadura militar".

Juro que senti ímpetos de censurar o nome de FHC da relação acima, mas eis aí a justificativa para o nome da revista, cujo mote original "Contra fato, há Argumento" foi substituído  por "Uma livraria em revista". 

E agora, o melhor da história. Com periodicidade bi-mensal e uma tiragem de 5.000 exemplares, a revista pode ser recebida gratuitamente. Basta enviar um e-mail com seus dados para divulgação@livrariaargumento.com.br

 

  

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