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Artigo
Sua
majestade, o cliente
Por
Paulo Lima
Quantas
vezes você foi mal atendido ao tentar comprar ou solicitar algum serviço
ou produto? Possivelmente, você, a exemplo do que acontece com qualquer
um de nós, já vivenciou esse tipo de situação. Eu mesmo tive uma
experiência assim, semana passada. Liguei para uma grande editora em São
Paulo, para solicitar uma informação sobre livros. A moça do outro lado
foi simpática a princípio, mas alegou que não poderia atender-me
naquele momento, pois estava havendo um burburinho incontrolável em seu
local de trabalho. Pediu meu telefone, ligaria mais tarde. Fiquei surpreso
com a recepção, ela não deveria estar apta a atender o cliente, em
qualquer situação? Não seria eu, cliente e leitor, o motivo de ser do
seu negócio, e deveria merecer por isso toda a atenção possível?
Creio
que os exemplos se sucedem no contato diário entre clientes e
vendedores. Com toda uma revolução de serviços no ar, onde o cliente
ocupa - ou deveria ocupar - um lugar central, o descaso com o consumidor,
no Brasil, ainda é uma realidade. Quem lida com o cliente diariamente
poderá argumentar que essa entidade não deveria ser tão santificada.
Concordo que há clientes que requerem da parte de quem o atende um grau
maior de paciência, para se sentirem satisfeitos. Existiria, por assim
dizer, um certo excesso de autoridade por parte desses mal educados.
Infelizmente,
esse é também um lado da moeda, mas é bom lembrar que no idioma inglês
costuma-se utilizar a expressão “order” para indicar o pedido de
algum produto, ou alguma compra. Eles dizem “place your order”, ou
seja, “façam seu pedido” . A expressão “ order” , por incrível
que pareça, guarda também o sentido de “ ordem” . Lá fora,
portanto, o pedido do cliente é uma “ ordem”. E ai de quem
descumpri-la ou negligenciá-la.
Empresas
americanas e inglesas têm sido alvo de processos milionários abertos por
clientes mal tratados - que quase sempre ganham a questão. E o motivo
dessas queixas, normalmente, mal passariam de um protesto mudo de qualquer
cliente brasileiro. O que acontece por aqui, em termos de mal atendimento
a clientes, naqueles países provocaria o fechamento da empresa e o
banimento do proprietário para alguma ilha distante e desabitada do Pacífico.
Bem, realidades à parte, podemos reconhecer alguns tipos de atendentes e
suas reações típicas. Ei-los:
O
Atendente Desligado - Você chega na loja e ninguém o percebe. Você
visita todos os produtos, e nada de aparecer alguém para lhe dar atenção.
O atendente está sempre ocupado, fazendo “algo mais” . Você sente até
impulso de furtar alguma coisa, só para testar o grau de vigilância da
loja.
O
Atendente Excessivamente Zeloso - É aquele que não larga do seu pé.
Deveria até ser denominado de “sombra” . Você anda daqui, gira dali,
dribla, e lá está ele nos seus calcanhares. Nesse momento, você até
imagina que isso poderia render um jogo divertido de esconde-esconde.
O
Atendente Curto e Rápido - Aquele que aborda o cliente em dois tempos.
Deseja-lhe bom dia ou boa tarde ou boa noite, pergunta se você deseja
alguma coisa - e some para sempre. Você fica até preocupado, imaginando
que o atendente foi vítima de algum fenômeno de abdução.
O
Atendente Muito Gentil - É a típica pessoa boazinha, muito solícita,
uma simpatia, mas que não conhece o produto que vende, sempre diz um
“peraí” e corre para chamar o colega mais informado.
O
Atendente Mui Amigo - Você sabe que o cara está lhe roubando, você já
viu aquele produto mais barato em algum lugar. Mas o cara jura pela mãe
dele que o seu produto é o mais em conta - e o melhor do mercado.
O
Atendente Juiz - É o tipo que lhe estuda dos pés à cabeça e determina:
bom para você é o que ele acha que é bom. Às vezes você mal abriu a
boca, e o cara já vai sugerindo mil coisas. Detalhe: nenhuma lhe
interessa.
Ah,
e existe também aquele tipo que não tem o produto de que você precisa,
mas não se rende. Faz você acompanhá-lo por toda a loja mostrando as
demais opções. Você está aguardando o timing certo para cair
fora, mas o cara continua desmontando a loja, insistindo em lhe oferecer
algo.
Humor
à parte, precisamos acreditar que a excelência no atendimento ao cliente
pode ser uma realidade também em nosso país. Todos ganhariam com isso.
Happy end? Sim, mas esse final feliz vai depender de todos, numa busca
constante pela qualidade e pelo aperfeiçoamento das técnicas de venda,
oferta de produtos melhores e baratos e melhor atendimento ao cliente. O
bom relacionamento com o cliente deve ser compreendido num sentido de
cooperação e empatia. A sobrevivência das empresas irá depender do
sucesso dessa relação, bem como do conhecimento do que deseja o cliente.
Afinal, o cliente não é rei?
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