
Webjornal - Quinzenal - Edição 74 - Aracaju, 13
a 27 de fevereiro de 2005
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Artigo Por Paulo Lima
Dizem que os artistas são as antenas da raça. Faz sentido. Os Beatles imaginaram uma Lucy no céu com diamantes, lá pelos anos 60, na canção que muitos julgam tratar-se de uma apologia do LSD. E James Bond fez todos acreditarem que os diamantes são para sempre, no filme dos anos 70 baseado em livro homônimo de Ian Fleming. Não é que tinham razão? Um grupo de astrônomos americanos, da Universidade de Princenton, acaba de anunciar uma descoberta fantástica. Alguns planetas podem esconder um tesouro impensável, que seduziria sem dificuldade qualquer terráqueo. Eles possuem uma grossa camada de diamantes debaixo de suas superfícies. Mas antes que a cobiça faça brilhar os olhos de aventureiros milionários capazes de financiar uma viagem ao espaço para fins, digamos, especulativos, convém esclarecer: esses planetas com recursos biliardários não estão situados no Sistema Solar. Se bem que podem ser encontrados na Via Láctea. E a explicação científica para tão “luxuosa” descoberta é a seguinte: alguns planetas que giram em torno de estrelas da Via Láctea podem ter carbono suficiente, capaz de produzir toda uma camada de diamante em sua superfície. A base do fenômeno está no tipo de evolução vivida por esses planetas, distinta da Terra, Marte ou Vênus. O planeta azul e seus vizinhos mais próximos tiveram uma trajetória de “pobretões”, e foram constituídos à base de uma matéria chamada silicato, um complexo de silício e oxigênio. Já os planetas “riquinhos” têm uma forte presença de gás com carbono extra, ou muito pouco oxigênio. Não é paradoxal que tenhamos tanto oxigênio, mas enfrentamos um tremendo sufoco? Um pouquinho de diamante não nos faria mal. E logo esses planetas ricos, que têm tão pouco oxigênio, vivem no bem-bom da riqueza. Os astrônomos prosseguem explicando. O carbono extra, juntamente com o gás, permite formar componentes de carbono, como carburetos e grafites, em lugar dos silicatos. Do grafite condensado sairia o diamante sob pressões elevadas, com potencial para formar camadas com vários quilômetros de diamante. Que afortunados! Essa gente, a que poderíamos chamar de “diamantinos”, deve ser uma civilização muito superior a nossa, desligada de bens materiais. Senão, como explicar que ainda não tenham convertido tanta benesse em aplicações na bolsa? Ou em imóveis megavalorizados da Vieira Souto ou da Barra da Tijuca? Ou no centrão da Avenida Paulista? Ou em hiper-super lofts às margens do Central Park, ou do Sena? Ou que não tenham provocado umas guerras internas, em que as nações mais ricas desses planetas, calvinistas e anglo-saxãs, porém desprovidas de diamante, invadam as metades pobres e islâmicas? Àqueles que mal conseguem entender a posição da própria Terra no Sistema Solar, os astrônomos dão o endereço dos planetas recobertos de diamante, para quem quiser se aventurar: órbita do pulsar PSR 1257+12. Ou se arriscar direto num outro universo, o da internet, no site http://www.clarin.com, que é de onde eu retirei essa reluzente informação. |
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