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Artigo
Ciberamantes e
cibermentiras
Por
Paulo Lima
A revista Wired, uma espécie de bíblia das novidades
tecnológicas, trouxe em sua edição de 01/11 um artigo que revela as
contradições da internet. Em "Cyberlovers are often cyberliars" ("Os
ciberamantes são com freqüência cibermentirosos"), o potencial da grande
rede para promover encontros amorosos é questionado.
O
problema está no "tipo" que as pessoas fazem quando estão escondidas atrás
de uma tela. Inventam sempre personalidades que não correspondem a si
mesmas na vida real. Quando flagradas em mentira - as mais comuns são
idade, estado civil ou peso -, esses ciberamantes caem em desilusão.
Para combatê-la a proposta é voltar para a vida real e contratar um
professional matchmaker para encontrar o par ideal. Na prática,
nada diferente do velho e bom alcoviteiro de plantão. Ou, fazendo uma
junção das duas linguagens, um personal alcoviteiro, à moda de um personal
trainer.
O
sentido é o mesmo empregado pelos headhunters, os caçadores de
talento para as grandes corporações. No caso, o matchmaker cai em campo
para encontrar a mulher (ou o homem) dos sonhos daqueles que os contratam.
O
serviço, ao contrário do que poderia se esperar, não tem sido procurado
apenas por balzacas em flor, ou titios encalhados. Diz a Wired: "Em
vez de de se arriscar em dar com os burros n´água na internet, diretores,
pessoas do ramo de entretenimento e políticos estão entre os que pagam
milhares de dólares aos matchmakers para, discretamente, localizar o par
ideal".
Noutros tempos, era a família estendida que fazia as vezes de alcoviteiro,
saindo por aí em busca de companhias para os mancebos e as moçoilas. Com
as agruras da sociedade moderna, o time dos solteiros cai em campo e
aciona o personal matchmaker.
Mas
o serviçinho custa caro. A Wired mostrou o tamanho da conta:
cerca de 15 mil dólares para chegar a um happy end amoroso. Mas a coisa
vai além. Segundo a revista, "alguns matchmakers nos Estados Unidos que
são top de linha e cobram até 25 mil dólares pelo serviço, também oferecem
treinamento". Os maiores mercados para a novidade são, naturalmente, os
ricos centros do planeta, como Nova York, Londres e Tóquio, que possuem um
nicho significativo de pessoas solteiras entre 30 e 40 anos.
Como os personal
alcoviteiros ainda não chegaram aos tristes trópicos, o jeito é caprichar
no laquê, na água de colônia e na sorte. E, para garantir, numa vela
para Santo Antônio.
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