Webjornal - Mensal  - Edição 95 - Aracaju, 12 de novembro a 10 de dezembro de 2006
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Artigo

Ciberamantes e cibermentiras

Por Paulo Lima

A revista Wired, uma espécie de bíblia das novidades tecnológicas, trouxe em sua edição de 01/11 um artigo que revela as contradições da internet. Em "Cyberlovers are often cyberliars" ("Os ciberamantes são com freqüência cibermentirosos"), o potencial da grande rede para promover encontros amorosos é questionado.

O problema está no "tipo" que as pessoas fazem quando estão escondidas atrás de uma tela. Inventam sempre personalidades que não correspondem a si mesmas na vida real. Quando flagradas em mentira - as mais comuns são idade, estado civil ou peso -, esses ciberamantes caem em desilusão.

Para combatê-la a proposta é voltar para  a vida real e contratar um professional matchmaker para encontrar o par ideal. Na prática, nada diferente do velho e bom alcoviteiro de plantão. Ou, fazendo uma junção das duas linguagens, um personal alcoviteiro, à moda de um personal trainer.

O sentido é o mesmo empregado pelos headhunters, os caçadores de talento para as grandes corporações. No caso, o matchmaker cai em campo para encontrar a mulher (ou o homem) dos sonhos daqueles que os contratam.

O serviço, ao contrário do que poderia se esperar, não tem sido procurado apenas por balzacas em flor, ou titios encalhados. Diz a Wired: "Em vez de de se arriscar em dar com os burros n´água na internet, diretores, pessoas do ramo de entretenimento e políticos estão entre os que pagam milhares de dólares aos matchmakers para, discretamente, localizar o par ideal".

Noutros tempos, era a família estendida que fazia as vezes de alcoviteiro, saindo por aí em busca de companhias para os mancebos e as moçoilas. Com as agruras da sociedade moderna, o time dos solteiros cai em campo e aciona o personal matchmaker.

Mas o serviçinho custa caro. A Wired mostrou o tamanho da conta: cerca de 15 mil dólares para chegar a um happy end amoroso. Mas a coisa vai além. Segundo a revista, "alguns matchmakers nos Estados Unidos que são top de linha e cobram até 25 mil dólares pelo serviço, também oferecem treinamento". Os maiores mercados para a novidade são, naturalmente, os ricos centros do planeta, como Nova York, Londres e Tóquio, que possuem um nicho significativo de pessoas solteiras entre 30 e 40 anos.

Como os personal alcoviteiros ainda não chegaram aos tristes trópicos, o jeito é caprichar no laquê, na água de colônia e na sorte. E, para garantir, numa vela para Santo Antônio.

                                

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