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Um brasileiro que voltasse ao seu
país neste ano da graça de 2007, depois de um piquenique de uma década no
espaço, ficaria obviamente confuso. Não pelas mudanças drásticas que sofreram
as cidades, ou pela invasão da tecnologia no cotidiano. Mas pelo congelamento
de algumas imagens no tempo. Uma delas: a presença de Paulo Maluf na cena
política. A outra: a imagem de Collor mostrando um sorriso de satisfação pelo
espaço reconquistado, agora como senador por Alagoas. Um
dublê de poeta e filósofo como Nietzsche daria de ombros e diria: é o eterno
retorno de todas as coisas. Nada de novo no front. Nada de novo debaixo do
sol. É assim que a banda toca, não importa se a vontade é ou não de potência.
Se um super-homem vai ou não nos salvar. E vamos em frente. Naturalmente
que o turista do espaço, em seu amargo regresso, se sentiria menos
confortável ao se deparar com a figura de um nouveaux político como Clodovil. Mas lembraria de estalo que o congresso
já comportou personagens igualmente ímpares, em outros tempos. Ele não
ficaria nem um pouco intrigado com a presença de um cantor como Frank Aguiar
em meio aos tribunos. Afinal, por aquela casa, como gostam de falar os
membros do congresso, já passaram gogós como os de Agnaldo Timóteo. Isso
prova que, musicalmente falando, é bastante elástico e aceita qualquer gênero
musical. Rapidamente
readaptado à dura realidade, o viajante buscaria mais informações. E
descobriria que, enquanto esteve se divertindo com alienígenas de peles
esverdeadas nas praias de areias escuras nos confins do espaço, Paulo Maluf
havia passado uma temporada na cadeia. E que todos os brasileiros de bem
julgavam que sua aventura política estaria definitivamente encerrada. Ledo engano.
Aboletado
em frente a um televisor tela plana, celular colado ao ouvido, o nosso
mochileiro das galáxias reconheceria outra figura já familiar de outros
carnavais: Roberto Jefferson. A cena do impeachment de Collor voltou como num
filme à sua memória. Então era dali, daquele infausto período da história
republicana, que vinham suas lembranças. O fiel escudeiro da tropa de choque
de Collor em confabulações animadas com o ex-patrão. Como se o tempo não
tivesse passado. Um
pouco mais de pesquisa, leituras da Folha
e similares, e o nosso brasileiro odisséia-no-espaço desencavaria coisas
ainda mais esquisitas: o mensalão e seus personagens grotescos. E o pior do
pior: estavam também eles todos de volta à ribalta política. Ainda
não refeito do susto e da decepção, o brasileiro olharia resignado desfilar
na TV o festival de sorrisos, tapinhas nas costas e confraternizações dos
novos tribunos. “É o eterno retorno”,
soprou-lhe um zombeteiro Nietzsche, enquanto cofiava os longos bigodes. “É o
jogo democrático”, sussurraria Norberto Bobbio com aquele seu olhar de corvo
agourento. Mas o brasileiro que acreditou encontrar um país melhorado na sua
volta só conseguiu pensar: isso não passa de um picadeiro. É o circo de novo.
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