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Admito que quando soube que o Google havia comprado o You Tube por US$ 1,65 bilhão, torci
o nariz. A mais nova coqueluche da internet
valeria tanto assim? Como tudo que o mercado cria e supervaloriza – a relação
é ampla, e incluo os valores astronômicos que costumam pagar a um seleto
grupo de jogadores de futebol, modelos, astros de cinema etc. -, acreditava
que havia ali um exagero. Afinal, que graça poderia haver num site que permite a qualquer um enviar vídeos caseiros e,
assim, realizar sua cota diária de exibicionismo? Os vídeos que eu tinha tido
a chance de ver eram bem ruinzinhos, e eu me senti
alimentando uma espécie de big brother planetário,
logo eu que abomino esse formato televisivo. Mas foi
então que, um belo dia, recebi um e-mail com um
convite para ver um filme interessante. Via You Tube. Percebi que a mega invenção da dupla Steve Chen e Chad Hurley era mais poderosa
do que eu havia imaginado. E trazia possibilidades de “share”,
de compartilhamento, de imagens que, de outro modo, jamais poderiam ser
acessadas. Comecei
a testar o tubo. Jogava lá dentro, como uma isca, uma palavra-chave. A
reposta retornava na forma de poucos ou muitos vídeos à minha disposição, a
depender da relevância do termo pesquisado. O jogo foi ficando interessante.
Como um explorador que tropeça em tesouros que estavam fora do mapa original,
fui descobrindo relíquias que acreditava inexistentes. Como um
arqueólogo da cultura, passei a cavar mais fundo, impulsionado pelos pequenos
achados incrustados nas paredes do tubo. Possuir um mega acervo de imagens e
sons de personalidades e acontecimentos marcantes do século 20 pode ser
considerada uma ambição maluca, mas não para um jornalista, que é - ou
deveria ser – movido pelo motor da curiosidade. Já que
a base da filosofia do You Tube
é compartilhar, listo algumas das minhas descobertas, todas restritas à minha
curiosidade e gosto pessoais. São imagens completamente indisponíveis no
Brasil. Não estão em arquivos de tevês, nem em acervos de locadoras, nem em
museus de imagens (algo pouco presente em nosso País). Ei-las: Trecho
do antológico show do trompetista Chet Baker no Ronnie Scott, famoso clube de jazz londrino, um dos
últimos que realizou antes de morrer tragicamente em Amsterdã. Chet divide o palco com Elvis Costello
na interpretação do clássico “I am a fool to want you”: http://www.youtube.com/watch?v=aBhH6UNZ5wY A bela
e talentosa Joni Mitchell,
uma das estrelas do festival de Woodstock, cantando
nos anos 1970 um dos seus maiores sucessos, “Big yellow
taxi”: http://www.youtube.com/watch?v=_1Qgsn0U340 Ou a
mesma Joni Mitchell
atualmente, uma respeitável sexagenária ainda em plena forma, numa
apresentação ao ar livre: http://www.youtube.com/watch?v=DQ1lbFvLW90 Edith Piaf não é somente a grande dama da canção francesa. É um
patrimônio da música mundial. Aqui ela aparece num filme de 1954 cantando
para uma platéia de compatriotas o seu maior sucesso, “La
vie en rose”. La Piaf é acompanhada ao final
por um voluntário e entusiasmado coro: http://www.youtube.com/watch?v=2-sUzR71wpQ Qual é
a maior voz feminina do jazz americano? Façam suas apostas: Billie Holiday? Ella Fitzgerald? Dinah
Washington? Sarah Vaughn? Eu escolheria todas elas
de bom grado. Mas sempre achei a voz de Sarah Vaughn
apaixonante. Neste filme de 1951, ela canta “The nearness of you”: http://www.youtube.com/watch?v=Kpxk5nZjwz0 Dizem
que esta seqüência de Fred Astaire dançando com Rita Hayworth
foi feita sem cortes. Algo inimaginável, ante a perfeição do número. Rita
está no auge da fama e da beleza. E o velho Fred? Bem, Fred Astaire era Fred
Astaire sempre. Algo simplesmente divino: http://www.youtube.com/watch?v=dASVYhUCYMM No Brasil
se falou bastante dela no ano passado, por conta da magnífica biografia de
Ruy Castro. Carmem Miranda, a pequena notável, pode ser vista em vários
filmes no You Tube. Aqui
vai um deles, com Carmen num momento de fulgor hollywoodiano: http://www.youtube.com/watch?v=yocpPMGDZT0 Muita
haveria para ser mostrado, graças ao You Tube. Mas gosto é algo particularíssimo, e é certo que o
tubo dificilmente negará uns bits de prazer ao internauta
que por ali queira se arriscar em busca de um tesouro
oculto. *Orkut: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15374082891466741926 |
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