Webjornal - Mensal  - Edição 84 - Aracaju,  06 de novembro a 11 de dezembro  de 2005
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Política

Olho por olho, dente por dente

Sindicalista faz cartaz de Jorge Bornhausen vestido de nazista

Por Júlia Gaspar*
Fotos divulgação

O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC) afirmou em público:  “Vamos nos ver livres dessa raça por pelo menos 30 anos”, referindo-se aos petistas.  Considerando que a declaração prega o extermínio de uma raça, Avel de Alencar, diretor do Sindicato dos Profissionais de Processamento de Dados do Distrito Federal, confeccionou três mil cartazes com uma fotomontagem de Bornhausen trajando uniforme de nazista e segurando uma Revista Veja intitulada “Juntos Contra o PT”.  Nos cartazes, ainda estavam grafados os seguintes dizeres: "Vamos acabar com 'este' raça. Preto, pobre e operário nunca mais!"

Avel de Alencar, filiado ao PT, afirma ter pagado os serviços da gráfica com um cheque próprio, no valor de R$ 1.060, 00 e nega a participação de outros.  Para Avel, a resposta do PT e do governo à declaração de Bornhausen foi insuficiente e, por isso, teria decidido confeccionar os cartazes. 

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BN - O PT vem sendo atacado de diversas maneiras.  Por que você resolveu reagir especificamente ao comentário do senador do PFL Jorge Bornhausen?

Avel de Alencar - Os ataques, embora na sua maioria infundados, vinham no sentido de apurar irregularidades cometidas por alguns dirigentes. Entretanto, Bornhausen com sua frase maldita atacou todo o conjunto da militância, daí a reação.

BN - Por que tomou esta atitude sozinho?

A.A - Estou acostumado a tomar decisões. Avaliei que não teria apoio da direção. Ao mesmo tempo achei que não deveria ficar passivamente sendo atacado por gente desqualificada para tal. Não é em nosso partido que traficantes, fraudadores, assassinos e racistas procuram abrigo; é no PFL.

BN - O Bornhausen está movendo algum processo contra você?

A.A - Até o momento não.

BN - Por que resolveu processar o Bornhausen?

A.A - Pelo mesmo motivo que ele ameaça me processar. Sinto-me ofendido.

BN - Você decidiu assumir o seu ato somente quando o Ministro do Trabalho Luiz Marinho foi acusado pelo Bornhausen?

A.A - No meu círculo de convivência todos sabiam que eu tomaria esta atitude. Assumi porque a direita mais uma vez estava deturpando os fatos como tem feito sistematicamente nos últimos meses. Nada era segredo visto que paguei com cheque pessoal que, aliás, voltou por falta de fundos.

BN - Como o PT está reagindo à sua atitude?

A.A - Levei um puxão de orelhas dos capa pretas. Entretanto, as declarações de Berzoini, na imprensa, demonstram uma nova postura face aos ataques covardes que estamos sofrendo.

BN - A revista Veja teve alguma reação por estar no cartaz?

A.A - Ela não tem autoridade para contestar nada. O Presidente Lula é vítima de várias fotomontagens deste tablóide. Como disse Emir Sader: “A revista Veja mente, mente, mente, descaradamente”.

BN - Você acha que o PT sofre um preconceito diferente dos outros partidos quando está no governo?

A.A - Lógico, não seguimos a cartilha da Casa Grande. Os donos do poder não perdoam o PT pela quebra do status quo. Imagine um operário na Presidência da República, um insulto.

BN - Você tem recebido algum tipo de ameaça?

A.A - Telefonemas anônimos; pela internet recebi uma que dizia que a franco maçonaria revidaria(?); Agripino Maia disse que “ tiraria lascas deste criminoso” e Bornhausen disse que “destruiria” mais este inimigo em uma de suas entrevistas, além de me chamar de louco. Quanto às lascas será que eles pretendem me torturar como na época da ditadura?

*Estudante de jornalismo das Faculdades Integradas Hélio Alonso, Rio de Janeiro

                                 

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