Edição 107 - Aracaju, 11 de novembro a 16 de dezembro de 2007
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  video-reportagem
Nas pegadas de Gabo
Em Cartagena das Índias, nossa repórter seguiu os rastros do escritor colombiano, prêmio Nobel de literatura

Por Carla Jamille*

Em outubro deste ano, visitei Cartagena das Índias, como parte de um passeio mais amplo pela Colômbia. Na cidade, conclui que sair em busca dos rastros do escritor Gabriel García Márquez poderia me render uma boa pauta. Afinal, a cidade é um segundo lar para esse prêmio Nobel de literatura desde 1948, quando ele pisou os pés no jornal El Universal para assumir seu primeiro emprego como jornalista.

E rendeu. Com uma câmera na mão e as lembranças das minhas leituras dos livros do escritor na cabeça, fui conversar com pessoas que, em seu cotidiano simples, tiveram a chance de interagir com um dos mitos da literatura mundial.

O resultado foi a vídeo-reportagem Nas pegadas de Gabo, devidamente animada por uma trilha sonora tipicamente caribenha: as músicas do Grupo Niche, que eu não conhecia e de quem acabei comprando um caliente CD.

Gabo impregna cada rincão de Cartagena. Sua presença silenciosa pode estar numa simples praça pública ou num restaurante que ele tem o hábito de freqüentar, sempre que vai à cidade com sua mulher.

O La Vitrola é um desses restaurantes. O chef de cozinha nos conta que peixe com legumes no vapor sempre está no prato do escritor. Uma comida saudável mais um bom uísque singlemalte (The Glenlivet). Como recordação, fica, na parede, a foto de Gabriel Garcia junto com outros famosos.

O escritor é muito querido pelos nativos. Todos que já estiveram com ele sentem orgulho de dizer isso. No Hotel Santa Clara, antigo Convento, encontra-se a cripta, mencionada em seu romance O amor e outros demônios, localizada dentro de um bar. O barman fala de Gabo com muita admiração e nos revela que ele procura um lugar tranqüilo, senta-se sozinho e pede sempre uma limonada.

Já o livreiro da Praça Bolívar exibe com grande satisfação os livros do escritor. O livreiro toca um projeto que conta com o apoio do seu irmão Manoel Garcia e da Fundação Nacional de Periodismo, criada por Gabo em 1994, e da qual é presidente. A sua carreta literária fica ali exposta para emprestar os livros para turistas e a quem se interessar por uma boa leitura.

No passeio pelos monumentos de Cartagena, uma parada na Casa Rosa, que vem a ser a casa de Gabo. O guia aponta para casa de Gabo e todos os flashes são acionados para registrar o lugar. Nada mais natural.

*Jornalista.  E-mail: jornalistacj@yahoo.com.br