Edição 123 - Aracaju, 29 de março a 26 de abril de 2009
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  saúde
Remédio eficaz contra a malária
Novo tratamento ajuda a controlar a doença

Por Carlos Franco*

Quem vive ou costuma trabalhar com frequência florestas conhece histórias não muito alegres sobre malária. É comum encontrar quem já tenha contraído várias vezes seguidas, principalmente crianças. Em Manguinhos, onde fica a Fiocruz, no Rio de Janeiro, por meio de sua unidade de produção e desenvolvimento de medicamentos, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), e a organização de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos sem fins lucrativos, a iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), está sendo desenvolvido o o ASMQ, a nova combinação em dose fixa do artesunato (AS) e mefloquina (MQ), para o controle da malária, já registrado e disponível no Brasil.  

O ASMQ, que combina dois medicamentos (AS e MQ) em um pequeno comprimido azul, simplifica o tratamento de adultos e crianças com uma dose diária de um a dois comprimidos por três dias, garantindo que os dois medicamentos sejam tomados juntos e na proporção correta. As necessidades das crianças, principais vítimas da malária, são atendidas pelo ASMQ, que oferece três apresentações para as crianças. 

Segundo o pesquisador e coordenador do projeto, Érico Daemon, essa combinação em dose fixa é mais eficaz que qualquer outro medicamento contra a malária. A cura pode vir em até três dias. “São muitas as vantagens deste medicamento inovador. A redução do número de comprimidos e dias do tratamento resulta em cura mais rápida dos pacientes. Além disso, é o primeiro a possuir apresentação infantil. No tratamento convencional, os comprimidos são divididos ao meio. Dessa forma, a adesão ao tratamento é melhor, pois evita sua interrupção, o que causaria a resistência ao microorganismo”, explica Daemon. 

O produto também é pioneiro em dose fixo, que pode ser armazenado por até três anos em clima tropical. A intenção do governo é distribuí-lo gratuitamente através do Programa Nacional contra a Malária do Ministério da Saúde. O primeiro lote foi testado no Acre, estado de maior incidência.

No ano passado, os governos do Brasil e da Índia assinaram – em Nova Deli,– acordo de cooperação para a transferência de tecnologia na produção de medicamento antimalárico, que é mais eficiente para o tratamento da doença. A parceria permitirá que a Índia produza o ASMQ.

*Editor da Revista Plurale, onde a matéria foi originalmente publicada.