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Colaboradores
Era uma
vez um livro
Por Antônio
Carlos Silva Ferreira*
Sexta-feira, 15 de
janeiro de 2026. Reunidos à mesa, Solrac, sua esposa Anairda e Ana Alrac,
filha do casal, desfrutam do café da manhã. Ligeiramente atrasada, Ana
Alrac se despede dos pais e corre para a escola, Solrac beija a esposa e
vai para o escritório, numa sala vizinha ao quarto do casal, enquanto a
Dra Anairda se encaminha para o seu consultório de medicina
naturo-holística também em casa.
Solrac liga o computador
e dentro de cinco minutos ele já está participando de uma reunião virtual
de executivos da sua empresa onde se discute a aprovação do Plano de Ação
2026. Em seguida, ele faz contato com fornecedores para cotar preços e
recebe, de um cliente, um contrato assinado por certificação digital. Na
sala vizinha, a Drª Anairda atende alguns pacientes que vieram para a
consulta trimestral, outros ela atende através de teleconsulta, que são as
consultas intermediárias pela Internet, entre cada consulta trimestral
presencial.
Lá pelas 10 horas da
manhã, o casal interrompe suas atividades e se encontra na cozinha para um
lanche. Anairda pressiona uma tecla na tela touch-screen da porta da
geladeira e, em segundos, visualiza um relatório com o estoque de produtos
armazenados e também algumas sugestões de receitas que podem ser feitas
com o que há disponível na geladeira.
Ela aperta o botão
“ressuprir” e, com base no estoque e nas informações de consumo da
família, o software de abastecimento prepara a lista de compras e envia,
por e-mail, ao fornecedor habitual. O e-mail é respondido, de imediato,
por uma mensagem automática que informa que as compras chegarão em menos
de 02 horas.
Enquanto lancham eles
combinam as próximas férias:
- Então vamos mesmo para
a Austrália e Nova Zelândia, Solrac?
- Vamos, sim, Anairda.
São lugares muito bonitos, de natureza exuberante e precisamos relaxar.
- Mas você não acha que
será uma viagem cansativa?
- Que nada. Hoje em dia,
com estes aviões ultra-rápidos a gente chega lá em 3 horas, no máximo.
- Não vejo a hora de
gozar estas férias. Com estas facilidades de ter tudo sem sair de casa a
gente precisa mesmo criar oportunidades para sair um pouco.
- É sim. E nada melhor
que ir ver de perto outros povos e culturas.
- Bem, vou voltar ao
escritório. Preciso fazer o download de um e-book de marketing recém
lançado.
- Isto me faz lembrar que
preciso acessar o site da Biblioteca da UNICAMP para fazer consulta ao
acervo. Até mais, querido.
- Nos vemos mais tarde.
À noite, a família toda
vai para a casa dos pais de Anairda, pois é seu aniversário e a mãe dela
os convidou para jantar. Foi preparado, pela mãe dela, um menu especial
para a ocasião. Juntos eles jantam, cantam os parabéns e depois vão
sentar-se na sala. O pai de Anairda liga a TV para ver o telejornal,
enquanto Solrac consulta as últimas notícias no seu palmtop, Anairda e sua
mãe conversam sobre jardinagem, enquanto a pequena Ana Alrac, sentada numa
poltrona, repassa o assunto escolar do dia acessando o seu pequeno e leve
CE-book (compact-eletronic book).
Quando chega a hora de
voltar para casa os pais de Anairda os acompanham até a porta e a mãe
dela lhe entrega um pacotinho com 06 volumes. Já em casa, Ana vai para a
cama, pega seu CE-book de 500 estórias e, antes que comece a ler, Anairda
entra no quarto.
- Filha, aqui estão os
livros de estória que a vovó lia para mim quando eu tinha a sua idade.
Você quer que eu leia alguma estorinha para você?
- Não precisa mamãe,
obrigada. Estes livros são do século passado, guarde-os como lembrança.
- Está bem. Boa noite,
filha, disse Anairda após beijar a filha.
- Boa noite mamãe,
respondeu Ana Alrac enquanto pegava sobre o criado-mudo seu ce-book de
estórias.
Ao invés de acessar no
modo leitura ela prefere acionar o botão “play”, abraça o livro e, fecha
os olhos. Logo se escuta uma musiquinha de fundo e uma voz melodiosa que
começa o “era uma vez...”
*Fotógrafo amador, ex- publicitário e bancário da Caixa Econômica Federal.
Reside em Salvador
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