BALAIO DE NOTÍCIAS
Webjornal – atualizado aos domingos
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*Projeto
Experimental*
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Edição 2
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Aracaju, 13 de
outubro de 2002
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Colaboradores SAÚDE É O QUE INTERESSA OU O LUCRO TEM
MAIS PRESSA? Por
Antonio Carlos Silva Ferreira* Domingo é dia de pizza, principalmente na
hora do jantar. Foi por isso que me dirigi a uma das conhecidas pizzarias da
cidade no domingo passado, para degustar o famoso prato italiano. Ao entrar
no recinto, estranhei que a chamada ala de não fumantes estava com o acesso
bloqueado por algumas cadeiras, restando apenas o salão central onde logo de
cara eu vi um fumante exercitando a sua capacidade de impregnar o pulmão de
nicotina e o de poluir o ambiente. O garçom veio ao meu encontro,
perguntei-lhe porque a área de não fumantes estava interditada e ele logo
explicou: - Como ainda é muito cedo e há poucos clientes restringimos o atendimento a este salão que passa a ser misto, até que cheguem mais clientes e a gente possa abrir o salão de não fumantes. - Misto? Quer dizer que o ambiente onde os fumantes impõem seu fumo aos não fumantes é chamado de misto? Eles exercem o direito de fumar e eu como faço para exercer o direito de não fumar passivamente? Depois de algumas argumentações e da minha manifesta intenção de abandonar o restaurante o garçom teve o bom senso de permitir meu acesso à ala de não fumantes. Desde então tenho pensado sobre como a indústria da hotelaria tem encarado e tratado a questão do fumo. A publicidade de cigarros hoje é quase inexistente, os maços trazem diversos alertas sobre os males que o tabagismo provoca, nas aeronaves brasileiras o fumo já foi banido, muitas empresas trocaram o fumódromo por programas de recuperação de dependentes químicos, nas telenovelas aparecer de cigarro no bico não é mais fashion e os próprios fumantes admitem que estão dando mau exemplo aos filhos e às gerações futuras mas, ainda assim, os restaurantes parecem estar mais preocupados em agradar a gregos e troianos e fazer a famosa “média” com os clientes ainda que à custa de boicotar um movimento de consciência mundial. Digo isso porque em diversos restaurantes da cidade existe na mesas um pequeno display de acrílico com o fundamento do que eles chamam “Courtesy of Choice”, traduzido para o português como “Convivência em Harmonia”. Trata-se de um programa da IH&RA - sigla da Associação Internacional de Hotéis e Restaurantes – que explicitamente afirma que “O conceito e símbolo da Convivência em Harmonia refletem a secular filosofia que admite diferenças ao tempo em que permite a coexistência destas em harmonia”. Como se não bastasse, o conceito prossegue com “A Convivência em Harmonia contempla as preferências de indivíduos oferecendo áreas para fumantes e não fumantes dentro do espírito de sociabilidade e respeito mútuo”. Ou seja, enquanto o mundo combate o fumo, enquanto a OMS faz um esforço hercúleo para preservar a saúde da população global, os hotéis e restaurantes rejeitam a visão holística, preferem o lucro nosso de cada dia em detrimento da saúde da raça humana. Recentemente estive em um destes famosos restaurantes e, enquanto almoçava percebi que a nós, os não fumantes, a casa reservara um compartimento hermeticamente fechado com toda a “saúde” que advém dos aparelhos de ar condicionado enquanto que aos privilegiados fumantes estava reservada uma área livre, com paredes de meia altura, cercada de belas e frondosas árvores, que são agraciadas com a fumaça dos cigarros. Fica a minha sugestão, e porque não dizer, apelo, de que os empresários de hotelaria e restaurantes, que certamente já ouviram falar em responsabilidade social, revejam conceitos e adotem ações convergentes com os anseios da humanidade, coletividade na qual eles ingressaram muito antes de se tornarem homens de negócios. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ *
Fotógrafo, Publicitário e Bancário da Caixa Econômica Federal. Reside em
Salvador.
Email: acferreira@terra.com.br
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