
Webjornal - Mensal - Edição
96 - Aracaju, 10 de dezembro de
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Colaboradores Carregando um livro Por Antonio Brás Constante* Um livro na mão nos torna pessoas
diferentes, mais confiáveis. Dando-nos um certo ar intelectual. Amistoso. De
quem sabe o que diz, mesmo sem dizer nada. Em meio a toda esta onda de
violência, segurar um livro tem um efeito similar ao de segurar uma bandeira
da paz (sem a necessidade de ficar com o braço erguido). É quase impossível
ter medo de alguém que se aproxima segurando um livro. Salvo quando se
tratar, por exemplo, de um professor de matemática em época de exames. As
pessoas que passam nos abrem sorrisos de simpatia. Provavelmente pensando que
por estarmos carregando um livro, somos pessoas estudiosas, cultas, que seriam
ótimas companhias para uma boa conversa, ou que em algum futuro relativo
poderemos ser seus professores de matemática ou talvez professores de
matemática de seus filhos. Claro
que isto também traz inconvenientes, pois sempre podem aparecer aqueles famosos
chatos para perguntar sobre o livro. Não uma pergunta ou duas, mas querendo
saber tudo sobre o que estamos lendo. Outros são piores, dizem que já leram o
tal livro e ficam ameaçando de nos contar o final da história, dando
indiretas sobre o desenrolar do enredo, achando de forma doentia que fazendo
isto estão nos agradando de alguma maneira (talvez tenham tido algum trauma
envolvendo professores de matemática, exames e livros). Porém, ainda assim o
livro se torna um bom aliado. Com
ele temos a desculpa ideal para baixarmos a cabeça sobre suas páginas,
deixando o chato falando sozinho até que ele desista e nos deixe em paz, ou
lembre que também ia mal nas aulas de educação física e saia em busca de
algum maratonista, tenista ou pugilista para por em prática suas chatices
(neste caso o melhor seria que ele encontrasse um pugilista daqueles bem
invocados). Outra
característica de quem carrega um livro é o de nunca estar ocioso. Qualquer
tempinho dado pela vida – seja ele em pé em um trem ou sentado em um banheiro
-, é uma boa hora para voltarmos a imergir em viagens pelo mundo e fora dele.
Conhecer pessoas, lugares, povos, sonhos, chatos, professores de matemática e
pugilistas invocados (no caso de encontrar no enredo da história pugilistas
invocados que sejam professores de matemática e chatos, pare imediatamente de
ler o livro). Ler
equivale de forma metafórica a sair excursionando em aventuras loucas,
dimensões impossíveis e idéias novas. Tudo isto sem sairmos do lugar,
deixando o corpo onde está para não despertar suspeitas de que sumimos. A
imagem de uma pessoa olhando para páginas e mais páginas cheias de letras,
nem de longe traduz a mínima noção do que realmente é estar lendo um bom
livro. Devorando seus parágrafos, se deliciando com seus capítulos,
mergulhando sem risco de afogamento em suas histórias, fantasias, fatos, e
tudo mais. Ou seja, resumindo: ler é bom demais. (Texto
vencedor do 8º concurso da Fundação Cultural de Canoas, na categoria
“Crônicas”) *Bancário,
Bacharel em Ciência da Computação e membro da Associação Canoense de
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