Webjornal - Mensal  - Edição 98 - Aracaju, 04 de fevereiro a 04 de março de 2007
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Colaboradores

Sexo

Por Antonio Brás Constante*

Que o sexo trás benefícios para o corpo e a mente uma boa parte do mundo já sabe. Porém, o sexo é também um dos poucos exercícios que até mesmo os mais sedentários acabam gostando de fazer. Pode ser praticado de várias formas, mas na grande maioria das vezes é feito entre um homem e uma mulher (não necessariamente nesta ordem), geralmente em cima de uma cama ou em outros locais menos convencionais, tais como: o banco de um carro, dentro de uma barraca de camping, no sofá da sala. Etc.

Poderíamos comparar o ato sexual com os exercícios de uma academia, onde os amantes se revezariam entre si exercendo funções similares as dos aparelhos de ginástica. O aquecimento nessa hora “H” é sempre muito bem-vindo, mas alguns enamorados mais afoitos vão logo para as práticas que exigem um maior desempenho físico. Outros preferem iniciar com uma ducha relaxante, brincando de derrubar o sabonete no chão (servindo de pré-aquecimento para um convidativo primeiro tempo).

Ao término da primeira série de “atividades corporais interativas”, alguns se dão por satisfeitos voltando à rotina de suas vidas. Quem sabe ler um bom livro, ou mesmo procurar na geladeira algo para repor as energias. Outros, porém, ainda sentem a paixão queimando em seus corpos. Eles levantam-se aos beijos, em total clima de lua-de-mel, rumando para mais um delicioso banho. Lá chegando, novamente brincam de derrubar o sabonete. No entanto, desta vez não ficam tanto tempo nesse tipo de preliminar, retornando uma vez mais para seu ninho de amor. Partindo para uma nova série de “exercícios”. Usam e abusam de sua criatividade para não deixar a seqüência muito repetitiva, ainda que fiquem repetindo os movimentos das novas atividades até consumarem o ato, terminando enfim aquela outra etapa.

Para muitos o encerramento das atividades físicas nesta segunda rodada é motivo de total satisfação, deitando-se para um descanso merecido ou quem sabe até ficar cantarolando uma bela canção. Mas existe um grupo que não se dá tão facilmente por vencido, reunindo forças para um novo recomeço.

Os dois saem da cama de mãos dadas em direção ao velho e conhecido banheiro. Ainda utilizam o sabonete, mas desta vez não sentem vontade de derrubá-lo. Voltam para cama se empenhando em várias tentativas de aquecimento, em alguns casos desistem e vão dormir, em outras conseguem com muito esforço, paciência e imaginação, executar mais uma seqüência, muitas vezes necessitando reiniciar o aquecimento, visando recuperar o ânimo que este tipo de atividade exige.

A partir do fim deste ultimo roteiro sexual, a imensa maioria cai exausta na cama. O corpo todo amolecido e esgotado. Os olhos cansados fecham-se para dormir o sono dos anjos. Porém, existem alguns poucos e insaciáveis seres, que querem continuar. Estas criaturas, que em muitos casos são movidas por “anabolizantes afrodisíacos”, arrastam seus corpos suados e fatigados rumo ao banheiro. Lá chegando, utilizam a toalha molhada (amontoada em um canto qualquer), para amenizar o que somente uma ducha poderia realizar. Eles nem sequer olham para o sabonete. Voltam como zumbis para a cama, cheios de olheiras e cãibras, sem saber direito se querem continuar com aquilo. E assim acontece sucessivamente até que alguém desmaie, ou desista fugindo pela janela.

Enfim, a atividade sexual é um ato de dar e receber prazer (entendam esta frase da forma que quiserem). Onde o mais importante é curtir e ser feliz.

*Bancário, Bacharel em Ciência da Computaçãomembro da Associação Canoense de Escritores. Sites:
www.abrasc.pop.com.br e www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc
                                                            

  

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