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Colaboradores Se correr o bicho mata Cada vez mais a violência se
alastra em nosso mundo (aliás, nosso e deles: os assaltantes). Antigamente,
era somente ao anoitecer que os crimes aconteciam. Nos dias de hoje o crime
não tem hora, local ou limite de vítimas. Você pode ser assaltado estando
sozinho em seu veículo ou com uma multidão em um ônibus. Nem a praia que era considerada um refúgio da violência
urbana está a salvo. Os ladrões de agora, invadem seu churrasco, prendem todo
mundo no banheiro, comem seu almoço, bebem suas cervejas e vão embora com
todas as suas coisas no seu próprio carro. Li uma manchete há algum tempo atrás, onde dizia que os
bandidos andavam fazendo pedágios nas vilas, ou seja, além de extrair idéias
dos filmes de ação imitando-os, agora as quadrilhas resolveram plagiar o
próprio governo, seguindo seu (mau) exemplo. A cada dia os marginais descobrem novas formas de ficar
com nosso dinheiro. Se antes apenas chegavam, nos assaltavam e iam embora,
agora utilizam formas mais personalizadas. Uma mostra disso é o seqüestro
relâmpago, onde levam a vítima até o banco, ficam com ela para que a mesma
não fuja e principalmente, para que algum outro ladrão não a assalte naquele
momento fatídico (a concorrência anda acirrada nesse ramo). Se as coisas continuarem nesse ritmo, logo inventarão um
tipo de cartão do assaltado, onde a pessoa “depositaria” junto aos
assaltantes uma quantia que lhe garantiria um tempo de paz em sua vida. Se
alguém tentasse lhe assaltar, bastaria mostrar seu cartão e estaria isenta de
qualquer transtorno. Caso fosse inevitável seu seqüestro, receberia
tratamento VIP, com direito a marmita quentinha, colchão sem pulgas e uma
purinha para acalmar os nervos. Quanto mais a vítima se valesse
dos serviços do cartão do assaltado, mais pontos acumularia para utilização
dos prêmios de pilhagem (algo que seria parecido com as milhagens de alguns
cartões). Possuindo uma pontuação alta, poderia trocá-la por objetos roubados
de seu vizinho, pegando para si, por exemplo, aquela televisão de 29
polegadas que ele tinha e que lhe deixava morrendo de inveja. Brincadeiras à parte, se nada for feito para frear os
níveis dessa violência - cada vez mais especializada e sem escrúpulos -
correremos o risco de nos roubarem não somente nossas casas, dinheiro e
automóveis, mas de passarem a roubar também nossos rins, sangue e córneas,
transformando nossos corpos em mercadorias tão cobiçadas quanto nossos
pertences. Levando com eles bens de valor inestimável: nossa humanidade,
sonhos, esperanças e por fim roubando nossas vidas. * |
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