Webjornal - Mensal  - Edição 99 - Aracaju, 04 de março a 01 de abril de 2007
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Colaboradores

Se correr o bicho mata

Por Antonio Brás Constante*

Cada vez mais a violência se alastra em nosso mundo (aliás, nosso e deles: os assaltantes). Antigamente, era somente ao anoitecer que os crimes aconteciam. Nos dias de hoje o crime não tem hora, local ou limite de vítimas. Você pode ser assaltado estando sozinho em seu veículo ou com uma multidão em um ônibus.

 

Nem a praia que era considerada um refúgio da violência urbana está a salvo. Os ladrões de agora, invadem seu churrasco, prendem todo mundo no banheiro, comem seu almoço, bebem suas cervejas e vão embora com todas as suas coisas no seu próprio carro.

 

Li uma manchete há algum tempo atrás, onde dizia que os bandidos andavam fazendo pedágios nas vilas, ou seja, além de extrair idéias dos filmes de ação imitando-os, agora as quadrilhas resolveram plagiar o próprio governo, seguindo seu (mau) exemplo.

 

A cada dia os marginais descobrem novas formas de ficar com nosso dinheiro. Se antes apenas chegavam, nos assaltavam e iam embora, agora utilizam formas mais personalizadas. Uma mostra disso é o seqüestro relâmpago, onde levam a vítima até o banco, ficam com ela para que a mesma não fuja e principalmente, para que algum outro ladrão não a assalte naquele momento fatídico (a concorrência anda acirrada nesse ramo).

 

Se as coisas continuarem nesse ritmo, logo inventarão um tipo de cartão do assaltado, onde a pessoa “depositaria” junto aos assaltantes uma quantia que lhe garantiria um tempo de paz em sua vida. Se alguém tentasse lhe assaltar, bastaria mostrar seu cartão e estaria isenta de qualquer transtorno. Caso fosse inevitável seu seqüestro, receberia tratamento VIP, com direito a marmita quentinha, colchão sem pulgas e uma purinha para acalmar os nervos.

 

Quanto mais a vítima se valesse dos serviços do cartão do assaltado, mais pontos acumularia para utilização dos prêmios de pilhagem (algo que seria parecido com as milhagens de alguns cartões). Possuindo uma pontuação alta, poderia trocá-la por objetos roubados de seu vizinho, pegando para si, por exemplo, aquela televisão de 29 polegadas que ele tinha e que lhe deixava morrendo de inveja.

 

Brincadeiras à parte, se nada for feito para frear os níveis dessa violência - cada vez mais especializada e sem escrúpulos - correremos o risco de nos roubarem não somente nossas casas, dinheiro e automóveis, mas de passarem a roubar também nossos rins, sangue e córneas, transformando nossos corpos em mercadorias tão cobiçadas quanto nossos pertences. Levando com eles bens de valor inestimável: nossa humanidade, sonhos, esperanças e por fim roubando nossas vidas.

*Bancário, Bacharel em Ciência da Computaçãomembro da Associação Canoense de Escritores. Sites:
www.abrasc.pop.com.br e www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc
                                                            

    

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