
Webjornal - Mensal - Edição 89 - Aracaju, 30 de abril
a 04 de junho de 2006
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Corrupção Por Rodrigo Marinheiro* Sempre contestei a classificação da imprensa como o quarto poder. Creio que a imprensa seja uma força, mas nunca um poder. Nós jornalistas temos a força de cobrar ética, mas não o poder de derrubar um governo. No máximo colaboramos para tal eventualidade. No entanto, o jornalismo errou ao ser pego de surpresa pelas denúncias que deram origem à crise do mensalão e a quadrilha dos quarenta ladrões apontados pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Contudo, se o jornalismo investigativo fosse o problema e tivesse sido o único a comer mosca no início desta crise, o imbróglio seria de fácil solução: Trocavam-se os pauteiros, repórteres, editores e reformulavam-se as emissoras, os jornais, as rádios etc. No entanto o problema é mais grave, afinal, o Congresso Nacional, o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal, se não foram coniventes, também dormiram no ponto. Em novembro passado este escriba relatou o excelente trabalho da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) na crônica intitulada “O jornalismo necessário”. Na ocasião citei o juiz da Corte Suprema dos EUA, Hugo Black, que certa vez afirmou que na política "a luz do sol é o mais poderoso detergente", ou seja, se deixarmos tudo às claras, não teremos mais dúvidas. Pelo menos era assim que deveria funcionar... O povo brasileiro está diante de um episódio explicável demais. Há pouco o que descobrir, a verdade já foi dita, as mentiras decifradas e as provas dos crimes são irrefutáveis. Os responsáveis e envolvidos foram devidamente desmascarados e fichados. Poucas vezes neste país a verdade foi tão evidente, clara e tangível. Sabemos que quando Lula tomou posse em 2003, uma quadrilha se instalou no planalto e roubou bilhões do erário público para se perpetuar no poder. Mesmo assim, o insano governo de Lula mente de forma compulsiva, acredita nas próprias mentiras, não se envergonha do que faz e ignora os fatos para prosseguir no comando. Nunca a verdade foi tão inútil, improfícua, fraca e humilhada. O Lula nos prometeu o Fome Zero, mas nos deu o escrúpulo zero.
Embora culpados, Antonio Palocci, Carlos "Bispo" Rodrigues, Delúbio Soares, Duda Mendonça, Fábio Luis Lula da Silva, Jacinto de Souza Lamas, João Magno, João Paulo Cunha, José Borba, José Dirceu, José Genoíno, José Mentor, Luiz Gushiken, Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Valério, Maurício Marinho, Paulo Okamoto, Paulo Rocha, Pedro Henry, Professor Luizinho, Romeu Queiroz, Sandro Mabel, Silvio Pereira, Valdemar Costa Neto, Waldomiro Diniz entre outros, não sabiam de nada. O mesmo acontece com Lula. Os homens de confiança de nosso presidente são culpados, mas ele, é claro, também não sabia de nada. Será realmente que Lula governa um país que não sabe como é? A pouca vergonha nesta bela e pobre republiqueta tropical vem de berço, ela é histórica! Por isso muitos ainda não se deram conta da aberração de certas situações. Só resta ao PT alterar seu número original, o 13, pelo 288, número referente ao artigo do Código Penal que equivale "formação de quadrilha". Se este país fosse minimamente sério, o atual presidente não seria o líder nas pesquisas eleitorais. Em outubro de 2005, na crônica “O governo ‘eu-cêntrico’ das milícias armadas”, eu já explicava os motivos pelo qual Lula deveria ser “impichado”, e revelei também os motivos pelos quais ele não seria. De fato nenhum presidente fez tanto por merecer um impeachment como Lula, mas ele não o sofrerá! E por motivos que expliquei em dezembro último, na crônica A lógica é 2006 copiar 2002, tenho certeza do pior, acredito que Lula será reeleito. Pois é, citando o escritor francês falecido em 1977, Jean Rostand, me justifico de tal afirmação dizendo que “sou muito otimista quanto ao futuro do pessimismo”. O PT usa a "democracia" como pretexto e faz da mentira uma arma revolucionária. Este partido é signo do infortúnio que nos faz viver um drama bestial. Mesmo assim o atual presidente ainda é a figura mais legível para os ignorantes e mal informados que compõem a população do País. A maior parte do povo brasileiro não quer a verdade política, só quer ouvir o discurso, seja ele verdade ou não. O Lula não passa de uma raposa zombeteira que discursa com aquele sorriso de que tudo sabe, mas na retórica engana os menos articulados afirmando que é "gente como a gente", perseguido pelo que chamam por aí de "elite" e massacrado pela mídia. Infelizmente, no Brasil, a competência administrativa vale menos que os delírios utópicos. Quem sabe, um dia, o Brasil não dá motivos para ter sua história contada em algum livro semelhante ao lançado neste final de semana pelo chileno Fernando Cárdenas e pelo colombiano Jorge González. O livro chamado “Los watergates latinos” relata os escândalos de corrupção que derrubaram governos em sete países da América Latina [mexicano Carlos Salinas (1988-94); venezuelano Carlos Andrés Pérez (segundo governo 1989-93); argentino Carlos Menem (1989-99); nicaragüense Arnoldo Alemán (1997-2002); o peruano Alberto Fujimori (1990-2000); o equatoriano Lucio Gutiérrez (2002-05) e os costa-riquenses Rafael Angel Calderón (1990-94) e Miguel Angel Rodríguez (1998-2002)]. Enquanto isso vale acompanhar o trabalho sério realizado pela turma do “Deu no Jornal”, aliada da Transparência Brasil, que inaugurou um Mapa de Relacionamentos coordenado pelo meu amigo gaúcho e jornalista Marcelo Soares. A ferramenta criada estabelece visualmente relações entre pessoas e assuntos ligados a corrupção e controle, com base no noticiário arquivado no banco de dados do projeto. Além deste belo desígnio, teremos no mês de maio, em São Paulo, o Fórum Folha de Jornalismo em comemoração aos 85 anos do diário. Quem puder comparecer na Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), na rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, região central da cidade, terá a oportunidade de acompanhar, no próximo dia 10, um debate interessante sobre "Transparência e qualidade jornalística". Desta mesa participarão jornalistas que exercem ou exerceram a função de ombudsman: Ian Mayes, do jornal britânico "The Guardian" e presidente da Organização de Ombudsmans de Notícias; Gérman Rey, ex-ombudsman do jornal colombiano "El Tiempo"; e Marcelo Beraba, ombudsman da Folha e presidente da Abraji. Estes constantes trabalhos de aperfeiçoamento do jornalismo são valiosos. Fazer o básico, o possível, qualquer insignificante o faz. Buscar a utopia, como estas entidades fazem, é fundamental. Embora a perfeição seja inalcançável, somente esta busca alarga os horizontes do possível. Afinal, como disse certa vez o mestre do futebol Telê Santana, cujo tive o prazer de conhecer no início dos anos 90, “atingir a perfeição é impossível. Mas aproximar-se cada vez mais dela, não”. Grande Telê! Todo cidadão deveria ter acesso a debates e ferramentas como estas. Só com informações bem apuradas o brasileiro não reelegerá Lula, não se viciará na mentira, não ficará mais individualista, descarado e ignorante. Se Lula vencer, toda nação terá a certeza de que o crime compensa e de que no fim, tudo acaba em samba, ou então, em pizza. Parafraseando o escritor Ivan Lessa, embora mudando o contexto pra lá da dialética, afirmo que o brasileiro que votar no atual governo, vive com os pés no chão... e as mãos também. A deputada Angela Guadagnin (PT-SP) vibrou e literalmente dançou no plenário, graças à impunidade deste governo que inocentou João Magno (PT-MG). Teríamos voltado aos tempos do "Dancin’ Days”? Não! Nós estamos no tempo do funk carioca, e como diria o suburbano MC Leozinho: “Se ela dança, eu danço”! A piada é velha, mas só seria engraçada se fosse efêmera: “Feliz foi Ali Babá, que não nasceu no Brasil e só conheceu 40 ladrões!” Sei que esta é uma crônica repetitiva, evidente e baldada, mas tinha de ser escrita... * Cronista político e comentarista esportivo da Rede Mundial de Televisão e da Super Rede Boa Vontade de Rádio. |
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