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Mensalão
A deputada dançarina
Por
Luiz Leitão*
A deputada
federal Ângela Guadagnin (PT-SP), ex-prefeita de São José dos Campos, onde
tem sua base eleitoral (e adjacências), que já disse que cassação é uma
punição dura demais, e que invariavelmente votava contra as cassações no
Conselho de Ética (Sic) da Câmara, ao ver que dois novos colegas escaparam
àquela punição, perdeu qualquer resquício de bom senso e pudor que quiçá
ainda conservasse e saiu dançando em plenário, agitando aquele corpanzil
em meio aos demais convivas presentes à confraternização geral.
Ofendeu seus eleitores,
e não só eles, mas a todos os cidadãos que esperavam, senão um
comportamento minimamente digno de sua parte, ao menos a punição exemplar
daqueles integrantes da quadrilha dos outrora 300 picaretas de Lula da
Silva, que hoje certamente somam bem mais. Mas ela, com sua lógica
peculiaríssima, diz não achar que foi um desrespeito. Foi o quê, então, um
acesso de euforia de uma portadora de distúrbio bipolar?
Esta senhora não tem um
bom passado em sua administração na prefeitura de São José dos Campos
(SP), pois, a pedido do então ainda mero candidato Lula da Silva, demitiu
sumariamente o autor das denúncias de corrupção no Partido dos
Trabalhadores, Paulo de Tarso Venceslau, um denunciante de tramóias que
veio a ser punido com sua expulsão do PT, da mesma forma que o caseiro
Nildo está tendo sua vida bisbilhotada por órgãos do governo-bandido, como
a PF, o COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras e a Caixa
Econômica Federal, que é subordinada ao denunciado Palocci.
Dinheiro do
contribuinte
Não adianta, é
inevitável citar o lugar-comuníssimo: a pizza está ai, paga pelo público,
que não participa da festa. José Dirceu foi ao Supremo Tribunal Federal
tentar recuperar seu mandato de deputado federal, e os outros dois
cassados haverão de fazer o mesmo. Bobos – mas nem tanto - terão sido
aqueles que renunciaram a seus mandatos para escapar à cassação,
menosprezaram a capacidade de autopreservação coletiva de seus hoje
ex-colegas, mas certamente mendigarão seu voto logo mais, ao final de
2006.
Donde se conclui que as
três CPIs (mais a da Terra, que deu em nada) tiveram um resultado de soma
zero, no sentido da impunidade ampla, geral e irrestrita, mas bem é de ver
que custaram muito dinheiro aos contribuintes.
Quem sabe um dia
possamos seguir o exemplo dos franceses, que foram em mais de um milhão às
ruas pela revogação de uma lei que contraria não interesses miúdos, mas
das maiorias, e é bem provável que o governo lá volte atrás.
Afinal, não é o ditado
que diz que o poder emana do povo, e em nome dele [e não de interesses
particularíssimos] será exercido? Não exerceu o poder em nome do povo, que
o devolva, à força se necessário!
O agora famoso deputado
Osmar Serraglio (PMDB-PR) concordou em suavizar o relatório final da CPMI
dos Correios, e, para fazer um texto “enxuto” - alguém da platéia pediu
isto?- não irá pedir o indiciamento de Luiz Gushiken, o China,
ex-poderosíssimo chefe da SECOM - Secretaria de Comunicação e Gestão
“Estratégica”.
Vale fazer figa e
esperar que o vaticínio de um leitor a respeito da deputada-dançarina se
confirme: “que nas próximas eleições, ela dance nas urnas”.
*Administrador e articulista político
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