Webjornal - Mensal  - Edição 86 - Aracaju, 15 de janeiro a 19 de fevereiro de 2006
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Mensalão

Um por todos, todos por um

Por Luiz Leitão*

Que  Parlamento, Judiciário e Executivo (governo federal) têm vivido na maior (e convenientíssima) promiscuidade não é novidade para ninguém; que abusem da desfaçatez e desprezem nosso poder de discernimento, idem. Agem á moda,  mas sem a nobreza dos três mosqueteiros (que eram quatro), “na base do um por todos, todos por um”.

E o leitor sabe por quê? Bem, se eu estiver errado, por gentileza me corrija, o email publicado ao fim do artigo é para isto mesmo. Porque eles sabem muito bem sabido que o eleitor pobre e desinformado reelegerá um Romeu Queiroz porque ele foi ‘absolvido’. Coitado, não? Os deputados Ricardo Izar (que é presidente do conselho de ética da CPMI e votou contra a sua prorrogação) e Osmar Serraglio dizem nos jornais que ainda temem um ‘acordão’ para salvar mandatos. Temem? Como assim?Perdão, excelências, mas nossa limitada inteligência não está sendo suficiente para entender o que querem dizer por ‘ temem’. Afinal, temer o que já está ocorrendo escancaradamente?

Alguém duvida que esse deputado Luiz Carlos Silva, vulgo ‘professor Luizinho’ vai se safar, com base no princípio jurídico da insignificância? Foram só vinte mil reais, e Romeu Queiroz levou muito mais. Mas vá lá que nos tomem por tolos; não votei em Lula, mas hipoteco minha solidariedade àqueles que acreditaram numa mentira vestida de ternos Armani, produzida por um publicitário baiano.

Agora suas excelências culpam a imprensa pela má fama que adquiriram; melhor dizendo, que tornaram maior. A imprensa? Ora, ora, isto é a mesmíssima coisa que chamar o leitor e eleitor de burros. Não, senhores, eles não navegam nas mesmas águas barrentas que suas excelências, eles, os mais informados, enxergam o fundo do rio onde repousa a verdade, à espera de quem a quiser ver.

Um por todos, todos por um; o Judiciário julgando politicamente, com um presidente que tem a pretensão de chegar á presidência da República; ora, sr. Jobim (não vai querer que o chame de doutor, vai?), onde anda o seu senso de realidade? Será que os anos de vivência no Olimpo do Supremo Tribunal Federal o obnubilaram? O sr.não tem projeção nacional e está , para se usar um termo da moda, ‘detonado’ perante a classe média.

Por fim, aqui nesta talvez maluca comparação com os três mosqueteiros, o supra-sumo do desprezo pelo eleitorado, pela cidadania: reportam os jornais que esta estúpida iniciativa governamental de ‘recuperar’ as estradas numa operação ‘tapa buraco’ já vem eivada de impropriedades, nas manchetes que relatam que a operação “tapa-buraco’ usa empreiteiras que o TCU-Tribunal de Contas da União Condenou”.

Primeiramente, foram todas contratadas sem licitação; segundo,  das irregularidades constatadas pelo TCU nas tais empresas, consta um superfaturamento de inacreditáveis 117%. Em Goiás, o sobrepreço médio é da ordem de 33%.

Vox populi, vox Dei: bem disse um leitor do jornal O Estado de São Paulo, na seção de cartas: As eleições vêm aí; o Valerioduto está manjadíssimo, logo, foi necessário substituí-lo pelo ‘Buracoduto”, um acinte a todos quantos ficaram sabendo que tais ‘consertos’ durarão somente um ano, se tanto.

O Estadão revela que há [só] 11 processos tramitando contra parlamentares ‘suspeitos’ de envolvimento no Mensalão; cinco do PT, quatro do PP, um do PFL e um do PL. Nenhuma palavra sobre o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).Dessa loucura toda de 2,6 bilhões de reais só sobraram onze gatos pingados, dos quais a maioria, senão todos, serão absolvidos?Donde fica a dúvida: qual será a do deputado Osmar Serraglio, ao dizer que os que escaparem serão julgados nas urnas? Mero teatro é o que aparenta ser.

Porque indago ao leitor: você duvida que um Sarney, um ACM, um Luizinho e outras tantas figuras representantes do que há de mais vil na nossa política conseguirão um novo mandato em 2006?

Se ao menos nós, a sociedade, os excluídos – exceto na sacrossanta hora de votar – pudéssemos nos guiar pela filosofia de Dartagnan e seus companheiros, a mesmíssima dos expoentes máximos e mínimos dos três Poderes, poderíamos enfrentá-los, eis que somos maioria; eles lá são uma minoria representando a si mesmos e apaniguados.

O que falta para podermos bradar o lema dos três mosqueteiros?

*Articulista

                                 

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