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Mensalão
Um por todos, todos por um
Por
Luiz Leitão*
Que Parlamento,
Judiciário e Executivo (governo federal) têm vivido na maior (e
convenientíssima) promiscuidade não é novidade para ninguém; que abusem da
desfaçatez e desprezem nosso poder de discernimento, idem. Agem á moda,
mas sem a nobreza dos três mosqueteiros (que eram quatro), “na base do um
por todos, todos por um”.
E o leitor sabe por
quê? Bem, se eu estiver errado, por gentileza me corrija, o email
publicado ao fim do artigo é para isto mesmo. Porque eles sabem muito bem
sabido que o eleitor pobre e desinformado reelegerá um Romeu Queiroz
porque ele foi ‘absolvido’. Coitado, não? Os deputados Ricardo Izar (que é
presidente do conselho de ética da CPMI e votou contra a sua prorrogação)
e Osmar Serraglio dizem nos jornais que ainda temem um ‘acordão’ para
salvar mandatos. Temem? Como assim?Perdão, excelências, mas nossa limitada
inteligência não está sendo suficiente para entender o que querem dizer
por ‘ temem’. Afinal, temer o que já está ocorrendo escancaradamente?
Alguém duvida que esse
deputado Luiz Carlos Silva, vulgo ‘professor Luizinho’ vai se safar, com
base no princípio jurídico da insignificância? Foram só vinte mil reais, e
Romeu Queiroz levou muito mais. Mas vá lá que nos tomem por tolos; não
votei em Lula, mas hipoteco minha solidariedade àqueles que acreditaram
numa mentira vestida de ternos Armani, produzida por um publicitário
baiano.
Agora suas excelências
culpam a imprensa pela má fama que adquiriram; melhor dizendo, que
tornaram maior. A imprensa? Ora, ora, isto é a mesmíssima coisa que chamar
o leitor e eleitor de burros. Não, senhores, eles não navegam nas mesmas
águas barrentas que suas excelências, eles, os mais informados, enxergam o
fundo do rio onde repousa a verdade, à espera de quem a quiser ver.
Um por todos, todos por
um; o Judiciário julgando politicamente, com um presidente que tem a
pretensão de chegar á presidência da República; ora, sr. Jobim (não vai
querer que o chame de doutor, vai?), onde anda o seu senso de realidade?
Será que os anos de vivência no Olimpo do Supremo Tribunal Federal o
obnubilaram? O sr.não tem projeção nacional e está , para se usar um termo
da moda, ‘detonado’ perante a classe média.
Por fim, aqui nesta
talvez maluca comparação com os três mosqueteiros, o supra-sumo do
desprezo pelo eleitorado, pela cidadania: reportam os jornais que esta
estúpida iniciativa governamental de ‘recuperar’ as estradas numa operação
‘tapa buraco’ já vem eivada de impropriedades, nas manchetes que relatam
que a operação “tapa-buraco’ usa empreiteiras que o TCU-Tribunal de Contas
da União Condenou”.
Primeiramente, foram
todas contratadas sem licitação; segundo, das irregularidades constatadas
pelo TCU nas tais empresas, consta um superfaturamento de inacreditáveis
117%. Em Goiás, o sobrepreço médio é da ordem de 33%.
Vox populi, vox Dei:
bem disse um leitor do jornal O Estado de São Paulo, na seção de
cartas: As eleições vêm aí; o Valerioduto está manjadíssimo, logo, foi
necessário substituí-lo pelo ‘Buracoduto”, um acinte a todos quantos
ficaram sabendo que tais ‘consertos’ durarão somente um ano, se tanto.
O Estadão revela
que há [só] 11 processos tramitando contra parlamentares ‘suspeitos’ de
envolvimento no Mensalão; cinco do PT, quatro do PP, um do PFL e um do PL.
Nenhuma palavra sobre o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).Dessa loucura
toda de 2,6 bilhões de reais só sobraram onze gatos pingados, dos quais a
maioria, senão todos, serão absolvidos?Donde fica a dúvida: qual será a do
deputado Osmar Serraglio, ao dizer que os que escaparem serão julgados nas
urnas? Mero teatro é o que aparenta ser.
Porque indago ao
leitor: você duvida que um Sarney, um ACM, um Luizinho e outras tantas
figuras representantes do que há de mais vil na nossa política conseguirão
um novo mandato em 2006?
Se ao menos nós, a
sociedade, os excluídos – exceto na sacrossanta hora de votar – pudéssemos
nos guiar pela filosofia de Dartagnan e seus companheiros, a mesmíssima
dos expoentes máximos e mínimos dos três Poderes, poderíamos enfrentá-los,
eis que somos maioria; eles lá são uma minoria representando a si mesmos e
apaniguados.
O que falta para
podermos bradar o lema dos três mosqueteiros?
*Articulista
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