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Medicina
Os perigos da
endometriose
Por
Júlia Gaspar*
Uma questão de saúde
pública. Mulheres com endometriose têm o tratamento prejudicado por
dificuldades diagnóstica e falta de atendimento especializado. A doença
tem como sintomas: cólica intensa, cistite no período menstrual, dores no
ânus e nas relações sexuais, além de problemas de fertilidade. E, segundo
o ginecologista Cláudio Crispi, é uma das principais causas do afastamento
da mulher do mercado de trabalho. “Há uma necessidade urgente de tratarmos
essas mulheres que precisam atuar de forma desenvolta no dia-a-dia”,
afirma o especialista.
Mas este não é o único problema
social que a doença trás. Cláudio Crispi explica ainda que dificuldades de
se relacionar pessoalmente e sexualmente levam a casos de separação. E,
muitas vezes, as pessoas desconhecem a doença, porque o diagnóstico pode
demorar de cinco a dez anos.
Com a necessidade de um atendimento
especializado, o Instituto Fernandes Figueira
implantou a Campanha Estadual de Prevenção da Endometriose. O projeto tem
a coordenação dos ginecologistas Cláudio Crispi e Marco Aurélio Pinho de
Oliveira. A fim de fazer com que as pessoas conheçam a doença e tenham um
direcionamento de investigação diagnóstica adequado, a campanha promove
palestras e instalou os Ambulatórios de Endometriose no Instituto
Fernandes Figueira, na Fundação Oswaldo Cruz e nos Hospitais Pedro Ernesto
e da Aeronáutica. Em breve, o Hospital Clementino Fraga Filho também terá
o atendimento diferenciado.
A endometriose é mais freqüente do
que as pessoas imaginam. Estima-se que 15% das mulheres entre 15 e 45 anos
de idade possuem essa doença. Esse percentual sobe para até 70% quando a
mulher apresenta história de infertilidade ou dor pélvica. A doença
acontece quando, no momento da menstruação, parte do sangue eliminado
passa pelas trompas e cai dentro da barriga. Esse sangue contém células
que têm a capacidade de crescer em locais como o ovário. Quando o sistema
imunológico responsável pela defesa do organismo não consegue eliminar
essas células, a doença se estabelece.
A presença da endometriose pode ser
suspeitada pela história clínica, pelo exame ginecológico e por alguns
exames específicos, como a ultra-sonografia. A certeza, porém, só pode ser
dada através da biópsia feita durante a cirurgia. O método mais indicado é
a cirurgia videolaparoscopia, que consiste na introdução de uma
microcâmera através de um pequeno corte no umbigo e na manipulação da
cavidade abdominal através de instrumentos cirúrgicos delicados que são
introduzidos através de pequenos orifícios no abdome. Atualmente, embora
ainda não exista cura para a endometriose, a dor e os sintomas da doença
podem ser bastante reduzidos.
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Informações:
Instituto Fernandes Figueira
Tel: (21) 2554-1700
Fax: (21) 2553-6730
*Estudante de jornalismo da Facha/RJ
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