Webjornal - Mensal  - Edição 89 - Aracaju, 30 de abril a 04 de junho de 2006
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Medicina

Os perigos da endometriose
  

Por Júlia Gaspar*

Uma questão de saúde pública. Mulheres com endometriose têm o tratamento prejudicado por dificuldades diagnóstica e falta de atendimento especializado.  A doença tem como sintomas: cólica intensa, cistite no período menstrual, dores no ânus e nas relações sexuais, além de problemas de fertilidade. E, segundo o ginecologista Cláudio Crispi, é uma das principais causas do afastamento da mulher do mercado de trabalho. “Há uma necessidade urgente de tratarmos essas mulheres que precisam atuar de forma desenvolta no dia-a-dia”, afirma o especialista. 

Mas este não é o único problema social que a doença trás. Cláudio Crispi explica ainda que dificuldades de se relacionar pessoalmente e sexualmente levam a casos de separação.  E, muitas vezes, as pessoas desconhecem a doença, porque o diagnóstico pode demorar de cinco a dez anos. 

Com a necessidade de um atendimento especializado, o Instituto Fernandes Figueira implantou a Campanha Estadual de Prevenção da Endometriose. O projeto tem a coordenação dos ginecologistas Cláudio Crispi e Marco Aurélio Pinho de Oliveira. A fim de fazer com que as pessoas conheçam a doença e tenham um direcionamento de investigação diagnóstica adequado, a campanha promove palestras e instalou os Ambulatórios de Endometriose no Instituto Fernandes Figueira, na Fundação Oswaldo Cruz e nos Hospitais Pedro Ernesto e da Aeronáutica.  Em breve, o Hospital Clementino Fraga Filho também terá o atendimento diferenciado. 

A endometriose é mais freqüente do que as pessoas imaginam. Estima-se que 15% das mulheres entre 15 e 45 anos de idade possuem essa doença. Esse percentual sobe para até 70% quando a mulher apresenta história de infertilidade ou dor pélvica. A doença acontece quando, no momento da menstruação, parte do sangue eliminado passa pelas trompas e cai dentro da barriga. Esse sangue contém células que têm a capacidade de crescer em locais como o ovário. Quando o sistema imunológico responsável pela defesa do organismo não consegue eliminar essas células, a doença se estabelece.

A presença da endometriose pode ser suspeitada pela história clínica, pelo exame ginecológico e por alguns exames específicos, como a ultra-sonografia. A certeza, porém, só pode ser dada através da biópsia feita durante a cirurgia. O método mais indicado é a cirurgia videolaparoscopia, que consiste na introdução de uma microcâmera através de um pequeno corte no umbigo e na manipulação da cavidade abdominal através de instrumentos cirúrgicos delicados que são introduzidos através de pequenos orifícios no abdome.  Atualmente, embora ainda não exista cura para a endometriose, a dor e os sintomas da doença podem ser bastante reduzidos. 

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Mais Informações:
Instituto Fernandes Figueira
Tel: (21) 2554-1700
Fax: (21) 2553-6730

*Estudante de jornalismo da Facha/RJ

                                

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