BALAIO DE NOTÍCIAS
Webjornal – atualizado aos domingos
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*Projeto
Experimental*
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Edição 19
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Aracaju, 23 de
Fevereiro de 2003
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ENTREVISTA:
Eliana Corso Guimarães
Bancária da Caixa Econômica
Federal há vinte anos, Eliana Corso Guimarães, 44, coordena a ONG Moradia e
Cidadania em Sergipe. Tendo como embrião os Comitês de Ação da Cidadania
criados por empregados daquela instituição bancária, a ONG foi reconhecida
como pessoa jurídica há 2 anos. Veterana de outros movimentos sociais, essa
ex-odontóloga já participou de iniciativas solidárias no Sindicato dos
Trabalhadores rurais de Muribeca, em Sergipe, no reformatório Penal e no Lar
Fabiano de Cristo, em Aracaju. O aprendizado de Eliana começou cedo: o pai
coordenava a distribuição de alimentos trazidos ao Brasil pela Aliança para o
Progresso, ação americana que visou beneficiar o continente latino-americano
na década de 60.
Por Paulo Lima
BN - Qual o objetivo da ONG Moradia e Cidadania? Eliana Corso Guimarães - Em termos gerais a Moradia e Cidadania objetiva promover , apoiar e
patrocinar ações que promovam a
ética, a cidadania, os direitos humanos e a democracia . Seus segmentos mais
específicos de atuação são : educação digital, microcrédito, moradia para
baixíssima renda, alfabetização para jovens e adultos. BN – Desde quando você está engajada nesse
projeto? Eliana Corso Guimarães - Desde o movimento da Ação da Cidadania do sociólogo Betinho. E a
Ação da Cidadania nasceu da mobilização resultante ao final do impeachment
de Collor. Em todo o Brasil foram criados Comitês da Ação da Cidadania e eu
representava o comitê da Agência Serigy (maior agência da Caixa em Sergipe).
Há dois anos , a Ação da Cidadania dos Empregados da Caixa foi reconhecida
como um movimento que não podia continuar sem ter personalidade jurídica
(CGC) e foi criada então a ONG Moradia e Cidadania. BN - Qual a abrangência da ONG hoje no
Estado de Sergipe? Eliana Corso Guimarães - Todos os municípios mais carentes de Sergipe receberam algum tipo de
benefício da Moradia e Cidadania, pois , somos responsáveis pela campanha
Natal Sem Fome que a cada ano recebe importantes parcerias como a rede Globo. BN - Quais são as fontes de recursos para
manutenção desse projeto? Eliana Corso Guimarães - Basicamente dos associados que são em sua maioria os empregados da
Caixa e que contribuem mensalmente com um determinado valor que varia de 2,00
a 15,00. BN - Na sua opinião, é possível acabar com
a fome no Brasil em quatro anos, como propõe o governo Lula? Eliana Corso Guimarães - Tanto acredito que seja possível como acredito que o fim da fome já
existe na sua dimensão potencial. A extensão territorial e o clima já fazem
do Brasil um país riquíssimo. O Brasil não é um país pobre , é um país de
pessoas pobres , ou seja, de gente empobrecida. No meu entendimento , acabar
com a fome passa pela atuação de todos os ministérios e mais especificamente
pelas políticas agrária, de abastecimento
, de distribuição de trabalho e renda, e isto não se consegue da noite para o
dia, nem mesmo num mandato. A sociedade civil, através das ONGs, terá uma
participação fundamental no propósito de acabar com a fome. Basta que todos
se sintam sujeitos dessa construção e não meros elementos passivos. ------------------- |