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Entrevista:
Lauro Xavier Filho
Transgênicos
"O Brasil ainda não tem uma
política
voltada para demonstrar que produtos estão sendo vendidos sem rótulos
comprovando que são transgênicos. Aí estamos comendo produtos transgênicos sem
perceber."
A questão dos OGM, organismos
geneticamente modificados, tem mobilizado a atenção de
cientistas, religiosos e opinião pública em geral neste início de
século. Os transgênicos, como ficaram popularizados, não passam de
vilão para os ecologistas, embora sejam apontados como a salvação da
lavoura para os que fazem ciência. No Brasil, o debate adquire feições mais
dramáticas, dada a inexistência de uma estrutura que permita ao
consumidor distinguir entre o que é transgênico e o que não é.
Sobre este assunto, o Balaio de Notícias foi conversar com o professor
Lauro Xavier Filho, um dos autores do livro "Saiba Mais Sobre
Transgênicos", publicado em 2002 pela Âmbito Editoria, e atualmente
professor dos cursos de graduação de Odontologia, Farmácia e
Biomedicina, da Universidade Tiradentes, de Aracaju, Sergipe. Além de
professor, Lauro Xavier exibe um invejável currículo como pesquisador, tendo
participado inclusive de missões em Estações Biológicas no Círculo
Polar Ártico.
Por Paulo
Lima
BN - O que é um organismo geneticamente modificado, ou
transgênico?
Lauro Xavier Filho - A natureza já se encarrega ou encarregou de produzir
seres geneticamente modificados. O homem aprendeu e iniciou o círculo dos
trangênicos.
BN - Os alimentos transgênicos têm sido apontados como o vilão
da vez por ecologistas. Já os cientistas apontam-nos como a salvação da pátria. Quem estaria com a
razão?
Lauro Xavier Filho -
Quando ainda não
existe prova definitiva dos malefícios, as indústrias dos transgênicos querem
vender mais.
BN - De que forma os transgênicos estão mudando a regra do
jogo na lavoura, na cozinha e na medicina? Não haveria otimismo desmedido na afirmação dos cientistas de que os
transgênicos transformarão o mundo no século XXI?
Lauro Xavier Filho - De qualquer
maneira pessoas conscientes estão usando os agronegócios relacionados aos
produtos orgânicos, deixando de lado os transgênicos, pela dúvida.
BN - Ao dispensar tecnilidades que tanto emperram a produção
agrícola tradicional, os transgênicos poderiam vir a ser a saída para a fome no
planeta?
Lauro Xavier Filho - Poderíamos responder
esta pergunta escrevendo um livro. Vamos pensar que a população mundial passa fome por que
quer. Veja o exemplo do Brasil. Você sabe que as CEASAS (centrais
de abastecimento) da vida brasileira perdem
60% dos produtos?
BN - Não é de agora que organismos têm sido geneticamente
modificados. Por que então a celeuma atual em torno dos transgênicos?
Lauro Xavier Filho - Pela gula da Monsanto e muitas outras multinacionais.
BN - Em que sentido a mídia tem colaborado para esclarecer o
assunto?
Lauro Xavier Filho - Muito pouco. Primeiro porque temos hoje nos supermercados
produtos transgênicos sendo vendidos e o Brasil ainda não tem uma política
voltada para demonstrar que produtos estão sendo vendidos sem rótulos
comprovando que são transgênicos. Aí estamos comendo produtos transgênicos sem
perceber.
BN - O que poderia ser dito a uma pessoa que é contrária ao
consumo de alimentos modificados, por receio de efeitos colaterais no futuro?
Lauro Xavier Filho - Não coma produtos
transgênicos. Como identificá-los? Não sei.
BN - O governo brasileiro liberou a comercialização da soja
geneticamente modificada para comercialização, mas sabemos que não há estrutura para separação dos lotes transgênicos
dos não transgênicos. Essa falta de estrutura seria um empecilho para a disseminação dos transgênicos no Brasil?
Lauro Xavier Filho - Algumas
cooperativas sabem como fazer para verificar o produto sem transgênico.
Outras não. O certo seria incinerar os transgênicos . Aí o governo foi fraco
pois já existia uma lei proibindo. Era só aplicar a lei.
BN - Até que ponto essa
biorevolução poderá alterar a dimensão dos nossos julgamentos morais?
Lauro Xavier Filho - Em muito. Veja o caso de
antibióticos e hormônios em aves, bovinos, suínos, entre outros.
Já foi
feito algum estudo para medir os danos causados por estes produtos? Quem sabe
se no crescimento diferenciado de nossos filhos já não existe o dedo destes
produtos?
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