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Entrevista:
Ricardo Noblat
Jornalismo
"As pessoas esperam ser surpreendidas com o que elas não
sabem. Isso exige um jornalismo mais
planejado, mais descolado do que aconteceu ontem e, portanto, um
jornalismo que oferecerá mais tempo para que as matérias, as reportagens
sejam bem apuradas e bem escritas."
Lançado em 2002, o livro A Arte de Fazer um Jornal Diário expõe
os vícios do velho Jornalismo e sentencia: os jornais impressos vão
deixar de existir, se não passarem por uma transformação urgente no
modo de produzir e levar ao leitor uma informação com qualidade. Seu
autor fala com conhecimento de causa. Há 35 anos nas lides
jornalísticas, Ricardo Noblat já trabalhou nos principais veículos
impressos do Brasil, e foi o principal protagonista da reforma do Correio
Braziliense. Trabalha atualmente no jornal A Tarde,
de Salvador. De passagem por Aracaju, onde esteve para participar do III
Fórum Anual de Jornalismo da Universidade Tiradentes, Noblat falou ao
Balaio de Notícias sobre temas que prometem ocupar por um longo tempo a
pauta do Jornalismo contemporâneo no Brasil. Em seguida, a entrevista.
Entrevistadores: Ana Carolina Magalhães,
Carla Jamille, Paulo Lima e Paulo Sousa
Paulo Lima – Eu queria comentar inicialmente
sobre a perspectiva da reportagem. Sabemos que existe uma crítica à
reportagem feita hoje em dia, por ser pouco contextualizada, muito
factual, só que sabemos que o jornal
corre contra o tempo, e que o olhar é pessoal, individual. Então, cada
reportagem, cada realidade pode ser vista de várias maneiras diferentes.
Como é que o jornalista pode compatibilizar essa pressa, inerente
ao jornalismo, com a necessidade de aprofundar a matéria?
Ricardo
Noblat
- Eu acho que essa pressa
inerente ao Jornalismo não precisa ser tão apressada. Não se precisa
ter tanta pressa nas redações. Acho que isso decorre ou deriva de um
tipo de jornalismo que ainda privilegia a notícia que aconteceu ontem, e
que imagina que toda notícia que aconteceu ontem é a que
interessa ao leitor. Com o
desenvolvimento de outros meios de comunicação (rádio, televisão,
internet), as pessoas já estão razoavelmente informadas sobre o que
aconteceu ontem. As pessoas esperam ser surpreendidas com o que elas não
sabem. Isso exige um jornalismo mais
planejado, mais descolado do que aconteceu ontem e, portanto, um
jornalismo que oferecerá mais tempo para que as matérias, as reportagens
sejam bem apuradas e bem escritas.
Paulo Lima -
Em A Arte de Fazer um Jornal Diário , o senhor relata o
episódio da sua demissão do Jornal do Brasil, e, em torno do
ocorrido, faz uma reflexão desmistificando os poderes que os jornalistas
costumam se atribuir. Em que medida o fato mexeu com suas convicções?
Ricardo
Noblat – Acho que foi uma bela lição de vida, porque, por mais que
achasse que o jornalista não é tão poderoso assim, ou que o poder não
deve fazer tanta falta assim, uma coisa é pensar assim, a outra coisa é
viver essa experiência. Então acho que essa experiência me preparou,
por exemplo, para a saída do Correio Braziliense, tantos anos
depois, quando deixei de ser diretor de redação numa crise interna dos
Diários Associados, grupo ao qual pertence o Correio Braziliense,
tanto que eu acho que essa saída do Correio Braziliense foi uma saída
muito mais tranqüila, porque eu tinha aprendido com a saída do Jornal
do Brasil. Que jornalista tem poder, tem, por mais que
não se queira admitir, ou por mais que ele tenha um certo pudor
para admitir isso. Claro que tem na medida em que ele dispõe de algum
instrumento capaz de atingir muitas pessoas ao mesmo tempo, e capaz de
disseminar informações, opiniões etc. Que perder esse instrumento ou se
afastar dele, temporariamente ou não,
é uma coisa que faz falta ao jornalista? É, independentemente do
prazer do exercício do poder. Agora, eu acho que a gente tem que cada vez
mais refletir sobre não como
esse poder é relativo ou não, mas como a gente deveria ou poderia usar
esse poder a favor do bem,
e
não necessariamente a favor do puro e simples
exercício do poder pelo poder, ou eventualmente o exercício do
poder para tirar vantagens, como acontece com tanta freqüência.
Paulo
Lima – No esforço para apurar uma informação, muitos jornalistas
mergulham numa espécie de vale-tudo, inclusive traindo a confiança da
fonte, como ocorreu recentemente no episódio da revista IstoÉ, em
que um jornalista tornou público um off do senador Antonio Carlos
Magalhães, mesmo sob a garantia de que não o faria. Teria um limite ético
para isso?
Ricardo
Noblat
– Acho que sim, acho que existe um limite ético, e acho que existe até
um limite ditado pelo bom senso. Por exemplo, acho que uma matéria jornalística
não vale a vida de uma pessoa. Ou
seja, acho que o jornalista,
por mais obrigação que tenha de informar bem o público, ele deve
respeitar o limite além do qual isso poderia implicar, por exemplo, na
perda da sua própria vida. Isso eu já me refiro ao caso Tim Lopes. Eu
acho que é extraordinário que um jornalista como Tim tenha chegado ao
ponto de sacrificar sua própria vida.
Acho elogiável e respeitável todo o trabalho desenvolvido por
ele, é claro, mas eu acho que ele não deveria ter arriscado a vida dele
ao ponto em que arriscou, e acho que seus patrões não deveriam ter ou
incentivado, ou estimulado, ou favorecido o risco que no caso levou à
perda da vida dele. Eu acho que é o limite da vida, acho que é o limite
da ética, claro. Não é todo meio que vale a pena ser usado em
nome do direito que tem a sociedade à informação, nem a obrigação que
você tem de informar a sociedade. Eu acho que se deve ter isso muito
claro, e os jornalistas devem respeitar esse limite. E não é difícil
passar esses limites, eles estão aí. A ética jornalística não é e não
deve ser diferente da ética do cidadão comum.
Paulo Sousa – Sabemos que a ética no
Jornalismo é um fator primordial. Com essa decisão da Justiça Federal
de São Paulo, desobrigando o uso do diploma superior para exercício da
profissão de jornalismo, você acredita que a falta de ética deve se
generalizar no Jornalismo brasileiro?
Ricardo
Noblat
– Não. Acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra, e não acho
que necessariamente o jornalista seja mais ético do que outros
profissionais. Muitas vezes, ele é muito menos ético. Eu acho que uma coisa é o diploma de jornalista, outra
coisa é a vinculação que você está fazendo entre o diploma e a ética.
Eu acho que posso ser profundamente ético sem ter diploma nenhum. Mas
acho que posso ser um excelente jornalista sem ter diploma.
Paulo
Sousa – Qual a sua opinião sobre essa liminar da justiça paulista?
Ricardo
Noblat
– Veja, eu acho que o jornalista, assim como todos os demais
profissionais, devem ser bem informados, eles devem estudar muito,
devem ser pessoas éticas, mas eu não acho que, para ser jornalista, você
precisa ter necessariamente o diploma de jornalista. Estou à vontade para
dizer isso, porque comecei a trabalhar em Jornalismo antes de fazer o
curso, e, mesmo naquela época não tendo essa exigência de fazer o
curso, eu fiz o curso e me formei. Talvez se eu tivesse feito, ao invés
de Jornalismo, Direito, ou tivesse feito Ciências Políticas, como
pensei, ou tivesse feito História, como eu gostaria de ter feito, talvez
eu tivesse sido também um bom jornalista. Eu não estou com isso
desprezando o conhecimento que as escolas de Comunicação e Jornalismo
transmitem. Eu estou apenas relativizando, digamos assim, a exigência do
diploma. Eu conheço excelentes profissionais que, de uma maneira ou de
outra, se tornaram jornalistas, que não dispõem do diploma de Jornalismo
e são ótimos jornalistas.
Paulo Sousa – Você, que é conhecedor do jornalismo nordestino, mais especificamente da Bahia, onde atualmente
atua, que avaliação faz do comportamento jornalístico da mídia nesta
região?
Ricardo
Noblat
– Eu acho que o Nordeste é muito desigual. Você tem estados mais
desenvolvidos e menos desenvolvidos. Você exercer o Jornalismo em estados
onde você tem, digamos assim, uma atividade econômica menor, ou onde você
tem um menor número de grupos empresariais, é sempre muito mais difícil,
porque o Jornalismo, para sobreviver e para ser exercido, pelo menos como
a gente o entende, exige um clima de respeito à liberdade de imprensa. Eu
acho que falta esse clima em vários estados, em vários lugares, não é
privilégio de nenhum dos estados. Eu acho que, na verdade, se você olhar
o país como um todo – e aí não é uma questão do Nordeste apenas,
você vai mais para o Norte, para o Centro-Oeste, mesmo em alguns estados
do Sudeste -, você tem espaços muitos limitados para o exercício do
Jornalismo, seja por uma questão econômica, seja por uma questão de os
meios de comunicação estarem nas mãos de políticos, e, onde esses
meios de comunicação estão nas mãos de políticos, fica muito difícil
fazer Jornalismo.
Carla Jamille – Por que o senhor defende a
queda do lead, que é um dos padrões da história do Jornalismo?
Ricardo
Noblat
– Primeiro, como todo bom padrão, ele
deve ser derrubado só porque ele é um padrão. Eu acho que ele não
renova, não estabelece novos modos meios de fazer as coisas sem quebrar
paradigmas. Não sei onde foi que eu li, acho que foi num livro sobre
guerra , onde estava dito que o maior inimigo de um general, de um
comandante durante a guerra é a tradição. O que o autor queria dizer
era que a guerra é principalmente um campo para improvisação e para você
ser capaz de inovar por meio de táticas que você consegue na
hora. Por exemplo, no caso do lead no Jornalismo, isso foi inventado numa
época em que fazia sentido, em que principalmente os jornais ainda eram
uma referência primária de informação das pessoas. Na hora em que as
pessoas abrem um jornal quase sempre sabendo o que
já aconteceu de importante na véspera – e hoje é assim que
elas agem -, você simplesmente repetir ou continuar escravo dessa fórmula
chamada lead, é você me frustrar como leitor desde o primeiro parágrafo,
porque você vai me informar exatamente o que eu já sei, até por
respeito à maneira como se faz o lead.
Carla Jamille - ... e a pessoa acaba por perder o
interesse pelo texto...
Ricardo
Noblat
– Acho que sim. O lead se justificava no momento em que o jornal era o
grande contador de novidades. Ele hoje não é mais. Aí você poderá
dizer: bom, mas nas matérias que sejam novas, nas matérias que
surpreendam o leitor, sobre as quais você nunca ouviu falar, daria para
resgatar o lead? Eu não vejo nenhum prazer em você contar uma história
para ninguém – aliás, ninguém com naturalidade conta uma história
respeitando essa fórmula de “fulano de tal disse ontem que”... Isso não
é o natural no modo de as pessoas contarem histórias. Eu acho que o
grande prazer que as pessoas têm
– e continuarão a ter para sempre – é o de ouvir histórias,
histórias bem contadas. Para contar uma história boa, você não
precisa contar logo em cinco ou seis linhas tudo o que aconteceu. Você
pode até fazê-lo, e no entanto ser capaz de segurar a atenção do
leitor ao longo do resto do texto. Mas acho que são poucas as pessoas com
talento suficiente para isso. Se
você ler o livro Crônica de uma Morte Anunciada, de Gabriel García Márquez, na primeira página ele conta tudo o que aconteceu, e no
entanto você não consegue largar de ler o livro até o final. Há que
ter talento para isso.
Carla Jamille – Sobre sua experiência
profissional, você ainda tem algum objetivo? Ainda falta mais alguma
coisa para concretizar na sua profissão?
Ricardo
Noblat
– Ah, sempre falta, claro, por mais que eu já esteja há muito tempo nela.
Estou tendo o prazer agora no jornal A Tarde, na Bahia, de viver de
novo uma experiência de poder reformar um jornal, uma experiência que
vivi no Correio Braziliense por oito anos, quase nove.
Eu nunca fiz rádio, adoraria fazer rádio, tinha mil idéias para
fazer rádio, mas nunca fiz. Gostaria de fazer televisão, que eu só
episodicamente fiz. Teria muita coisa ainda para viver nessa idade.
Não sei se terei tempo e principalmente se terei convite para
isso, porque o mercado está muito ruim e não está empregando ninguém.
Paulo Sousa – Você, que é um jornalista
experiente, que mensagem deixaria
para nós, estudantes de Jornalismo?
Ricardo
Noblat
– Que vocês seguramente terão menos sorte do que eu tive, porque,
quando eu entrei na profissão, havia bem mais espaço para o exercício
do Jornalismo, havia mais veículos, havia mais empregos a oferecer, havia
muito mais postos de trabalho e havia menos pessoas interessadas em ser
jornalistas. Quando você tem uma cidade como Aracaju, com três cursos de
Jornalismo, pelo menos, ou uma cidade
como Salvador, onde você tem catorze escolas de Jornalismo, onde
vai trabalhar tanta gente? Então, eu acho que o mercado, que sempre foi
um mercado muito competitivo, está
extraordinariamente competitivo, e só há uma saída para quem queira
entrar nesse mercado: a qualificação em excesso. Eu acho que só haverá
chance nesse mercado, só haverá emprego nesse mercado para quem for
extremamente qualificado. Portanto, acho que fora do caminho de se
preparar, estudar, ler muito,
e trabalhar muito não haverá outra saída para quem queira entrar no
mercado. Não sei se isso é uma lição ou uma mensagem, mas apenas o
resultado da experiência de todos esses anos na profissão.
Paulo
Sousa – O Jornalismo on line seria uma saída para essa crise?
Ricardo
Noblat
– Não é o que está se vendo. Apostou-se muito no Jornalismo on line,
as empresas fizeram grandes investimentos, e pelo menos até agora o que
acontece é uma reversão nesses investimentos, ou cortes nesses
investimentos. Eu não sei se, necessariamente, a internet criará tantos
postos de trabalho, nem tão cedo - eu digo para o Jornalismo que se faz nela. A internet sem dúvida nenhuma, aqui e em toda parte, será cada vez
mais um meio de informação da notícia mais rápida, mais instantânea,
na hora que aconteceu, em tempo real. Agora, tudo na verdade depende muito
do desempenho da economia do país. Enquanto a gente tiver uma economia em
retração, ou uma economia
crescendo timidamente, ou mal crescendo, todas as perspectivas, seja para
o Jornalismo ou seja para outras áreas, todas
elas serão muito modestas. Se o Jornalismo on line vier a empregar
muita gente ainda neste país, isso vai levar muito tempo para que isso
aconteça.
Ana
Carolina Magalhães – O senhor fala em A Arte de Fazer um Jornal Diário
que os jovens recém-formados em Jornalismo deveriam ser minoria nas redações,
devido à pouca idade e responsabilidade. De que forma esse quadro pode
ser revertido, se, através da prática e do trabalho, é que eles podem
adquirir seriedade e responsabilidade? Se não for na prática, de que
forma isso pode ser conseguido?
Ricardo
Noblat
– Quando eu digo serem minoria numa redação, é porque o Jornalismo
exige realmente conhecimento, um preparo, uma experiência que é muito
difícil que qualquer jovem tenha, até por ser jovem, ou basicamente por
ser jovem. Isso não quer dizer que deva ter um espaço para o exercício
do Jornalismo pelos recém-formados. Mas é óbvio que sim, claro, senão
você não renova a redação, você não injeta sangue novo, você não
descobre novos talentos. Agora, eu acho que o ideal era que você tivesse
uma redação, ou redações, onde o peso dos jornalistas recém-formados
fosse menor do que é hoje em dia. Hoje em dia é tão expressivo assim? Não
é porque de repente os jornais se deram conta da existência de jovens
jornalistas. Não. É porque sai muito mais barato
contratar jovens jornalistas. Se paga mal, cada vez pior nas redações,
e uma maneira de fazer isso é contratar pessoas recém-formadas. Acho que
isso compromete a qualidade do produto, seja qual for esse produto, por
falta dessa experiência, ou
dessa qualificação maior desses jornalistas recém-formados. Agora,
claro que haverá espaço para eles dentro da redação. Mas acho que essa
não deixa de ser uma questão superada, porque a realidade será e já é
a de você ter uma esmagadora maioria de jornalistas recém-formados –
portanto, inexperientes - nas redações. Por que? Porque as empresas estão
em crise, porque elas precisam gastar cada vez menos e porque esse é um
meio que elas descobriram de gastar menos.
Não é nenhum preconceito em relação aos jovens. Acho que seria
até um modo de preservar os jovens jornalistas, esse de achar que eles
devem ser uma minoria dentro das redações, e não uma maioria.
Ana Carolina Magalhães – O senhor fala da apuração
detalhada da notícia, mas, no mundo em que a gente vive hoje, nessa questão
de competição no Jornalismo, não é difícil se detalhar, apurar bem a
informação? O senhor não acha que os jornalistas correm até o risco de
perder espaço no jornal, porque perderam um furo de notícia, devido ao
fato de estarem detalhando mais?
Ricardo
Noblat
– Essa coisa do furo é uma obsessão dos jornalistas. O leitor está
pouco se lixando. O leitor quer informação bem escrita e bem apurada e,
acima de tudo, a informação confiável. Como é que eu posso apurar bem
e escrever bem e adquirir a confiança de que aquela informação é
procedente, se eu tenho tão pouco tempo para apurá-la, ou para servi-la
ao leitor? Acho que essa questão do furo, essa questão do "eu dei
primeiro" é uma coisa que está
muito mais na cabeça do jornalista, e na cultura do jornalista, do que do
cidadão. O cidadão está pouco se incomodando com isso. Não interessa
quem deu primeiro, interessa quem deu melhor. Dá melhor quem apura
melhor, quem tem mais tempo para escrever e para oferecer um bom relato ao
leitor.
Paulo
Lima – O senhor abre o seu A Arte de Fazer um Jornal Diário com
uma citação de Gabriel García Márquez, e sabemos que ele tem aquela
frase famosa, que diz que o Jornalismo é a melhor profissão do mundo.
Afinal, jornalismo é mesmo a melhor profissão do mundo?
Ricardo
Noblat
– Eu acho que para um jornalista pode ser, mas para um historiador não
seria, para um físico seguramente não. Acho que
não existe isso de a melhor profissão do mundo. A melhor profissão
do mundo pode ser você ficar ali na passarela do caranguejo (trecho da
orla do bairro Atalaia, em Aracaju), fazendo caranguejo e vendendo
caranguejo. Se isso lhe faz feliz, essa será a melhor profissão do
mundo.
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