BALAIO DE NOTÍCIAS
Webjornal – atualizado aos domingos
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*Projeto
Experimental*
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Edição 4
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Aracaju, 27 de
outubro de 2002
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ENTREVISTA: Juliana Fontes
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“A classe artística sergipana sofre
com o descaso, dado pela falta de incentivo à cultura local, seja pelos
órgãos governamentais, pelos empresários, e, incrivelmente, pelo próprio
sergipano”. |
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Uma
das mais atuantes personalidades na área artística e cultural, em Sergipe,
não é sergipana, mas baiana, de Salvador. Criadora de um centro cultural que
leva seu próprio nome, Juliana Fontes, 22, é responsável pela idealização e
realização de projetos em Aracaju voltados para as áreas de educação,
informação, pesquisa e arte. Essa
múltipla atuação tem favorecido crianças, adolescentes e idosos. Salvador deu
a Juliana a régua e o compasso necessário para que ela continuasse o seu
trabalho em Aracaju, cidade que adotou há cinco anos. Filha de família de
artistas e intelectuais (é sobrinha-neta do escritor e historiador de Canudos
José Calazans Brandão da Silva e prima dos cantores Genna Carla e Neu
Fontes), Juliana, além de desdobrar-se em várias atividades culturais, ainda
consegue tempo para frequentar o curso de Publicidade e Propaganda da
Universidade Tiradentes, em Aracaju. Nesta entrevista, Juliana fala de
projetos culturais, cidadania, leis de incentivo à cultura e planos para o
futuro.
BN - Qual o objetivo do
Centro Cultural & Artístico Juliana Fontes? Quando tiveram início suas
atividades?
Juliana Fontes - O Centro Cultural e Artístico Juliana Fontes nasceu em 02 de Fevereiro de 2000, com o objetivo
de criar e apoiar iniciativas culturais e artísticas, propondo-se a atuar em
vários seguimentos e atividades, visando o fortalecimento da cidadania,
estimulando a participação ativa, livre e consciente de cada pessoa na
construção coletiva do social, na promoção da cultura e na melhoria das
condições ambientais. Para isso, atua nas áreas de educação, ensino
profissionalizante, pesquisa, arte, cultura, informação, turismo e lazer.
Ainda, tem como uma de suas funções básicas dinamizar a arte e a cultura em
todo território nacional e exterior, frisando que todo e qualquer projeto tem
que ter a sua contrapartida social, com a perspectiva para o fortalecimento
da cidadania.
BN - Que tipo de motivação
pessoal a impeliu para esse tipo de iniciativa?
Juliana Fontes - A
priori, comecei a fazer aula de dança aos 08 anos de idade. Desde de então,
tomei gosto pelas artes cênicas. Já fiz cursos de Dança Clássica,
Contemporânea, Expressão Corporal, Jazz, Moderna, Popular e Afro-Brasileira.
Comecei a monitorar aulas de dança aos 18 anos de idade, em escolas
particulares de dança, colégios públicos e centros comunitários, onde criei
as minhas próprias coreografias. Então, senti necessidade de dirigir e
produzir os meus próprios espetáculos – sempre trazendo propostas sociais - e
foi desse ponto que partiu o meu interesse pela profissão de Direção de
Produção Artística e Cenografia. Enfim, o motivo pelo qual resolvi implantar
um dos meus maiores projetos - senão o maior - em Aracaju (falo do Centro
Cultural e Artístico Juliana Fontes) se deu pelo imenso carinho que tenho por
Sergipe. Ainda, porque noto que a classe artística sergipana sofre com o
descaso, dado pela falta de incentivo à cultura local, seja pelos órgãos
governamentais (as Leis de Incentivo à Cultura Estadual e Municipal existem,
mas não funcionam); pelos
empresários, que ainda não percebem o poder do marketing cultural ou não
acreditam no talento do povo sergipano e, incrivelmente, pelo próprio
sergipano, que ainda não tem noção do quanto Sergipe é belo.
BN - Quais são os projetos
em andamento relativos a esse Centro Cultural?
Juliana Fontes – O Centro Cultural e
Artístico Juliana Fontes é uma entidade denominada Sociedade Civil de
Interesse Público, de Direito Privado, Sem Fins Lucrativos, Político ou
Religioso – (OSCIP). Mesmo encontrando-se sem sede própria, com o apoio de
alguns órgãos (governamentais e não governamentais), algumas empresas e
instituições, conseguiu desenvolver alguns projetos significativos em Aracaju
(local onde foi fundado). O primeiro projeto do CCA.JF, foi o Projeto
Artesanato Interligado à Cidadania’’ (ano 2000), envolvendo a comunidade do
Bairro Luzia, que teve como beneficiário a Instituição Filantrópica Lar
Infantil Nª Srª Santana ‘‘Lar de Zizi’’. Depois veio o projeto ‘‘Sergipe Cultural
Itinerante’’ – subtítulo: ‘‘Semana Cultural de Sergipe na Bahia’’ (em 2002),
realizado pelo Programa Empreendedor Cultural do Sebrae /SE, em parceria com
a SECTUR /SE e com a Fundação Cultural do Estado da Bahia – DECAR, elaborado
e produzido por mim. Em andamento, encontram-se o ‘‘Projeto Resgate –
Indústria de Sonhos’’ e o ‘‘Projeto Meninos de Ará’’, inspirados nos projetos
praticados na capital baiana Projeto Axé e Projeto Mãe, a serem implantados e
desenvolvidos no Centro de Atendimento Integral à Criança e ao Adolescente –
CAIC (Bairro Industrial) e dentro da Instituição Lar de Zizi – Bairro Luzia -
que completa 42 anos de existência, no próximo 25 de outubro do corrente ano.
Frisando que o primeiro terá vigência em março de 2003, totalmente patrocinado
pela Petrobrás Regional, e, o segundo, em janeiro de 2003, se aprovado no
concurso do programa Transformando com Arte do BNDES. E por último o Projeto Artístico-cultural ‘‘Renascimento do Balé
Folclórico de Sergipe’’ - projeto de reativação do referido balé - realizado
pela Cia de Artes Mafuá (1ª companhia de artes do estado), através do Centro
Cultural e artístico Juliana Fontes (Elaborador e Gestor), em parceria com a
Secretaria de Estado da Cultura e do Turismo - (SECTUR) e apoiado pelo
Instituto Tobias Barreto de Educação e Cultura (dirigido pelo Presidente da
Comissão Estadual de Folclore, o Jornalista e Ex. Secretário de Estado da
Educação e Cultura Luís Antônio Barreto).O Centro Cultural e Artístico
Juliana Fontes funciona à rua Zaqueu Brandão, 58 / Bairro São José
BN - O Centro conta com
algum tipo de ajuda financeira?
Juliana Fontes - Não. Estamos em busca de
parceiros a fim de captar recursos para a instalação do Centro em sede
própria. Na nova sede, promoveremos palestras, cursos livres e profissionalizantes,
oficinas de arte. Tudo muito profissional. Sinto a carência do estado, em
termos de cursos sérios nas áreas de música e artes cênicas. Algo que possa
projetar os artistas locais para o Brasil e para o mundo. Acho tudo meio
amador, emitindo certificados que não possuem valor algum no mercado de
trabalho. Aqui, não muito raro, encontramos pessoas que dormem ‘‘João’’ e
acordam, “Atores, Bailarinos e Produtores Culturais...’’ e disputam o espaço
com os verdadeiros profissionais. É fácil olhar para a grande cantora e
interprete da música sergipana Amorosa e deduzir o porquê ela não explodiu
nacionalmente, uma vez que a vejo como a Elba Ramalho sergipana.
BN - Você é baiana. Como
tem sido seu processo de adaptação a um centro menor e com menos
oportunidades culturais, como Aracaju?
Juliana
Fontes - Como mencionei, anteriormente, noto que a classe
artística sergipana sofre com o descaso, dado pela falta de incentivo à
cultura local. Sergipe possui mais de 20 manifestações populares e folclóricas
existentes e já catalogadas Em
Salvador, temos total apoio da Lei ‘‘Faz Cultura’’ (Lei de Incentivo à
Cultura do Estado da Bahia) e senti muito essa falta de apoio, ao chegar por
aqui; mas não consigo me conformar e me adaptar a este descaso. Tanto é que
já tive alguns de meus projetos realizados e estou com os outros em
andamento.