Webjornal - Quinzenal  - Edição 43 - Aracaju,   23  a  30  de novembro  de 2003
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Entrevista: Washington Olivetto

Publicidade "é um trabalho como qualquer outro".

Quem diria que aquele garoto ousado de 18 anos, estagiário da pequena agência de publicidade HGP, fosse um dia se tornar dono uma das maiores agências de propaganda mundial, a W/Brasil? Washington Olivetto está, há 34 anos, marcando e modificando a forma de se vender produtos no país e no mundo, solidificando seu jeito único através de cada uma de suas campanhas publicitárias. Como não lembrar de pelo menos uma delas? Os personagens gordinhos da Embratel (DDD), o garoto Bombril (campanha mais longa da história, segundo o Guiness Book), o primeiro sutiã valisére e, também, o insistente ratinho da Folha

Com um jeito de ser contraditoriamente irreverente e sério, o publicitário ganhou nada mais, nada menos que 54 premiações num dos maiores festivais da publicidade mundial - o Festival de Cannes. E não é que ele esteve aqui em Aracaju? Nove anos depois de sua última visita, Olivetto desembarcou na capital sergipana às 15:25 h do dia 09 de novembro. Seu destino? Agitar a cidade.  Ele marcou presença como o segundo palestrante na abertura da II Semana de Publicidade e Propaganda da Universidade Tiradentes (SPIA),  de 10 a 14 de novembro. O evento ocorreu na Biblioteca Central Jacinto Uchoa, do Campus II da UNIT, reunindo diversos nomes da publicidade regional e nacional como: Homero Olivetto, Ana Viana, Ozéias Texeira, Paulo Gusmão, Felipe Cama, Sandra Lima, Carlos Eduardo, Hugo Julião além, é claro, de Washington Olivetto. 

Na palestra, Olivetto falou sobre as experiências profissionais mais interessantes que viveu, analisou com cuidado as novas possibilidades abertas aos jovens que logo, logo serão profissionais da área de publicidade e mostrou filmes tanto da W/Brasil quanto de outros profissionais. Ao término da apresentação foi acompanhado por 5 seguranças (cedidos pela UNIT) até o Hotel Aquárius. Durante a Estadia em Aracaju, Washington Olivetto passou por um paredão de jornalistas que o caçavam insaciavelmente. Nossa equipe conseguiu furar o bloqueio e passar sem problemas pelos obstáculos e, com tudo isso, falar com o responsável por carregar o nome da publicidade nacional para o mundo. Nesta entrevista, o papa da publicidade brasileira nos conta um pouco de uma trajetória marcada por uma visão publicitária à frente de seu tempo. 

Por Cristiane Vieira de Abreu*

Cristiane Vieira de Abreu- Das maiores propagandas que você realizou qual, ou quais, mais gosta, tem mais carinho?

Washington Olivetto- Olha, na publicidade você se treina para gostar sempre mais das últimas coisas. Porque é uma maneira de você não ficar com uma atitude passadiça. Existem trabalhos de outros profissionais do mundo que foram feitos há algum tempo e eu adoro, porque não fui eu quem fiz. Já tem coisas minhas que enjoei delas. Então, é claro que tem coisas que são muito conhecidas e eu tenho o maior carinho por elas; mas se você me perguntar o que eu estou mais gostando nesse momento é um comercial que a gente fez para o Mandic, que é um site. Mas por quê? Porque acabou de ficar pronto. Eu gosto sempre das últimas coisas.

CVA- Como foi que você se apaixonou por publicidade, qual foi o seu primeiro tino de que você tinha alguma coisa haver com a publicidade?

WO- Essa é uma história de dois fatores.  Eu queria escrever para todas as mídias e eu tinha muita admiração pelo trabalho de vendas do meu pai, que era um brilhante homem de vendas, e eu consegui perceber que onde se somava o gesto de escrever com o de vender era na publicidade.

CVA- Qual foi a sua primeira experiência como publicitário? 

WO- Foi em estágio, numa pequena agência chamada HGP, de São Paulo. Eu estava com 18 anos de idade. Eu era matriculado em duas faculdades e não ia a nenhuma. Aí eu queria começar a trabalhar e pedi estágio nessa agência. Como era uma agência muito pequenininha, eu tinha trabalho pra fazer, foi ótimo porque tinha muito trabalho pra fazer sem saber, muita oportunidade.

CVA- Como é que você se sente sabendo que é uma influência para tantos jovens que estão tentando entrar no mundo da publicidade? Você sente alguma responsabilidade?

WO- Obviamente que é uma coisa que me preocupa muito. Quando eu comecei a trabalhar em publicidade ela não tinha a posição profissional e social que ganhou depois de minha geração e que, na minha opinião, eu acho até um pouco exagerada. E eu sei que isso aconteceu muito por minha causa e eu fico muito preocupado com isso  e procuro alertar as pessoas de que só devem se encaminhar para isso aqueles que realmente têm um talento pra aquilo e muita vontade. Acontece que, às vezes, a rapaziada imagina que é uma atividade glamourosa, quando, na verdade, é um trabalho como qualquer outro. Então eu sou muito preocupado em deixar esse traço.

CVA- Como é o seu relacionamento com as pessoas dos outros tipos de mídia?

WO- Eu tenho um relacionamento muito forte com todos.  A maioria dos meus amigos é jornalista, por exemplo, e eu escrevo muito para muitos veículos. Hoje mesmo  (na palestra realizada no SPIA) eu vou mostrar uma revista publicada na Alemanha a qual eu editei  inteira. Tenho muita relação com o pessoal da música popular. São meus amigos: cantores, compositores. É, o ano retrasado mesmo eu ajudei a produzir um disco. Tenho muita relação com o pessoal de cinema, de artes plásticas. É curioso, o meu círculo de amizade no cotidiano é formado por muito mais pessoas que não sejam publicitários que de publicitários.

CVA- Qual a importância da bagagem cultural para as pessoas, não só de publicidade, mas de todo o meio profissional?

WO- Exatamente o que eu ia comentar. Importantíssimo. Na W/Brasil, a cada 10 dias, eu convido alguma pessoa que seja muito relevante no que faz para conversar com a minha equipe, desde que não seja publicitário. Exatamente para retirar este estereotipo de que publicitário só concorda com publicidade, que só convive com publicidade. É um programa chamado “a inteligência deles pode melhorar a nossa”. Isso é feito a cada 10 dias, exatamente para englobar todas as outras áreas.  Os grandes profissionais de comunicação são caras extremamente curiosos e que tem uma relação ampla com todas as áreas de sua atividade, não só a área deles.

CVA- Para finalizar nossa entrevista, o que você está achando de Aracaju? 

WO- Eu tô gostando de Aracaju, eu não vinha aqui desde 94 e é impressionante porque mudou muito. Eu tô achando legal. 

* Estudante de jornalismo da Universidade Tiradentes/SE

 

  

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