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Entrevista:
Washington Olivetto
Publicidade "é um
trabalho como qualquer outro".
Quem
diria que aquele garoto ousado de 18 anos, estagiário da pequena agência
de publicidade HGP, fosse um dia se tornar dono uma das maiores agências
de propaganda mundial, a W/Brasil? Washington Olivetto está, há 34 anos,
marcando e modificando a forma de se vender produtos no país e no mundo,
solidificando seu jeito único através de cada uma de suas campanhas
publicitárias. Como não lembrar de pelo menos uma delas? Os personagens
gordinhos da Embratel (DDD), o garoto Bombril (campanha mais longa da história,
segundo o Guiness Book), o primeiro sutiã valisére e, também, o
insistente ratinho da Folha?
Com
um jeito de ser contraditoriamente irreverente e sério, o publicitário
ganhou nada mais, nada menos que 54 premiações num dos maiores festivais
da publicidade mundial - o Festival de Cannes. E não é que ele esteve
aqui em Aracaju? Nove anos depois de sua última visita, Olivetto
desembarcou na capital sergipana às 15:25 h do dia 09 de novembro. Seu
destino? Agitar a cidade.
Ele marcou presença como o segundo palestrante na abertura da II
Semana de Publicidade e Propaganda da Universidade Tiradentes (SPIA),
de 10 a 14 de novembro. O evento ocorreu na Biblioteca Central Jacinto
Uchoa, do Campus II da UNIT, reunindo diversos nomes da publicidade
regional e nacional como: Homero Olivetto, Ana Viana, Ozéias Texeira,
Paulo Gusmão, Felipe Cama, Sandra Lima, Carlos Eduardo, Hugo Julião além,
é claro, de Washington Olivetto.
Na
palestra, Olivetto falou sobre as experiências profissionais mais
interessantes que viveu, analisou com cuidado as novas possibilidades
abertas aos jovens que logo, logo serão profissionais da área de
publicidade e mostrou filmes tanto da W/Brasil quanto de outros
profissionais. Ao término da apresentação foi acompanhado por 5 seguranças
(cedidos pela UNIT) até o Hotel Aquárius. Durante a Estadia em Aracaju,
Washington Olivetto passou por um paredão de jornalistas que o caçavam
insaciavelmente. Nossa equipe conseguiu furar o bloqueio e passar sem
problemas pelos obstáculos e, com tudo isso, falar com o responsável por
carregar o nome da publicidade nacional para o mundo. Nesta entrevista, o
papa da publicidade brasileira nos conta um pouco de uma trajetória
marcada por uma visão publicitária à frente de seu tempo.
Por
Cristiane Vieira de Abreu*
Cristiane
Vieira de Abreu- Das maiores propagandas que você realizou qual, ou
quais, mais gosta, tem mais carinho?
Washington
Olivetto- Olha, na publicidade você se treina para gostar sempre mais
das últimas coisas. Porque é uma maneira de você não ficar com uma
atitude passadiça. Existem trabalhos de outros profissionais do mundo que
foram feitos há algum tempo e eu adoro, porque não fui eu quem fiz. Já
tem coisas minhas que enjoei delas. Então, é claro que tem coisas que são
muito conhecidas e eu tenho o maior carinho por elas; mas se você me
perguntar o que eu estou mais gostando nesse momento é um comercial que a
gente fez para o Mandic, que é um site. Mas por quê? Porque acabou de
ficar pronto. Eu gosto sempre das últimas coisas.
CVA-
Como foi que você se apaixonou por publicidade, qual foi o seu primeiro
tino de que você tinha alguma coisa haver com a publicidade?
WO-
Essa é uma história de dois fatores. Eu queria escrever para todas
as mídias e eu tinha muita admiração pelo trabalho de vendas do meu
pai, que era um brilhante homem de vendas, e eu consegui perceber que onde
se somava o gesto de escrever com o de vender era na publicidade.
CVA-
Qual foi a sua primeira experiência como publicitário?
WO-
Foi em estágio, numa pequena agência chamada HGP, de São Paulo. Eu
estava com 18 anos de idade. Eu era matriculado em duas faculdades e não
ia a nenhuma. Aí eu queria começar a trabalhar e pedi estágio nessa agência.
Como era uma agência muito pequenininha, eu tinha trabalho pra fazer, foi
ótimo porque tinha muito trabalho pra fazer sem saber, muita
oportunidade.
CVA-
Como é que você se sente sabendo que é uma influência para tantos
jovens que estão tentando entrar no mundo da publicidade? Você sente
alguma responsabilidade?
WO-
Obviamente que é uma coisa que me preocupa muito. Quando eu comecei a
trabalhar em publicidade ela não tinha a posição profissional e social
que ganhou depois de minha geração e que, na minha opinião, eu acho até
um pouco exagerada. E eu sei que isso aconteceu muito por minha causa e eu
fico muito preocupado com isso e procuro alertar as pessoas de que só
devem se encaminhar para isso aqueles que realmente têm um talento pra
aquilo e muita vontade. Acontece que, às vezes, a rapaziada imagina que
é uma atividade glamourosa, quando, na verdade, é um trabalho como
qualquer outro. Então eu sou muito preocupado em deixar esse traço.
CVA-
Como é o seu relacionamento com as pessoas dos outros tipos de mídia?
WO-
Eu tenho um relacionamento muito forte com todos. A maioria dos meus amigos é jornalista, por exemplo, e eu
escrevo muito para muitos veículos. Hoje mesmo (na
palestra realizada no SPIA) eu vou mostrar uma revista publicada na
Alemanha a qual eu editei inteira.
Tenho muita relação com o pessoal da música popular. São meus amigos:
cantores, compositores. É, o ano retrasado mesmo eu ajudei a produzir um
disco. Tenho muita relação com o pessoal de cinema, de artes plásticas.
É curioso, o meu círculo de amizade no cotidiano é formado por muito
mais pessoas que não sejam publicitários que de publicitários.
CVA-
Qual a importância da bagagem cultural para as pessoas, não só de
publicidade, mas de todo o meio profissional?
WO-
Exatamente o que eu ia comentar. Importantíssimo. Na W/Brasil, a cada 10
dias, eu convido alguma pessoa que seja muito relevante no que faz para
conversar com a minha equipe, desde que não seja publicitário.
Exatamente para retirar este estereotipo de que publicitário só concorda
com publicidade, que só convive com publicidade. É um programa chamado
“a inteligência deles pode melhorar a nossa”. Isso é feito a cada 10
dias, exatamente para englobar todas as outras áreas. Os
grandes profissionais de comunicação são caras extremamente curiosos e
que tem uma relação ampla com todas as áreas de sua atividade, não só
a área deles.
CVA-
Para finalizar nossa entrevista, o que você está achando de
Aracaju?
WO-
Eu tô gostando de Aracaju, eu não vinha aqui desde 94 e é
impressionante porque mudou muito. Eu tô achando legal.
* Estudante
de jornalismo da Universidade Tiradentes/SE
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