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Entrevista:
Enoque Araújo
Jornalismo
comunitário
A
história do lagartense Enoque Araújo é semelhante à de outros
jornalistas espalhados pelo país. Sua carreira teve início em 1977, ao
concluir o curso de Comunicação Social pela Universidade Gama Filho, no
estado do Rio de Janeiro.
Aos
55 anos, completou seu vigésimo sexto ano de carreira, atuando nos
principais segmentos de comunicação em Sergipe, como no Jornal da Cidade
desempenhando a função de revisor, na TV Aperipê onde foi repórter de
rua e produziu o programa “Estado Direto”. Além de Assessor da SUDENE
(Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) foi professor, em 1985,
do curso de jornalismo da então Faculdade Integrada Tiradentes.
A
presidência do Sindicato dos Jornalistas (SINDJOR) veio em 2001. Nesse
período, trabalhava na assessoria de comunicação da Universidade
Federal de Sergipe (UFS) quando foi eleito no mês de julho, tomando posse
no dia 6 de setembro do ano corrente. Entre vários projetos,
está fechando parceria com a Universidade Tiradentes (UNIT), para
revitalizar o farol da Farolândia, numa proposta em se criar no local o
“Museu da Imprensa”, que visa recuperar registros e documentos que
expressem, com autenticidade, a história jornalística sergipana. “O
farol é um meio de divulgação, como a imprensa. Sendo o jornalista um
formador de reportagem, merece o privilégio de resgatar o farol, para
salvar documentos e documentários da própria imprensa”, atesta o
presidente Enoque Araújo.
Por
Rafael Heleno*
Rafael Heleno – Como o senhor avalia o Farol como
símbolo histórico para Sergipe, Aracaju e principalmente para a
sociedade da Farolândia?
Enoque
Araújo
- Um monumento de uma grande importância. Acho que é preciso recuperá-lo
urgentemente, para não perder a sua arquitetura, a sua forma tão bonita,
tão rica que está sendo prejudicada pela corrosão do tempo natural. É
nesse momento que sonhamos em ver resgatado, aquele patrimônio da
humanidade, do povo, principalmente da comunidade da Farolândia, que ali
reside desde quando foi instalado aquele farol. Eu acho que o povo merece
que o farol seja tombado, para servir
também como um meio de comunicação. Nada melhor do que essa parceria
que poderá ser feita entre o Sindicado de Jornalistas de Sergipe, a
Universidade Tiradentes e os Órgãos Públicos a fim de resgatar aquele
monumento histórico.
RH
– Quais os fatores que, em seu entender, geraram o abandono do farol?
EA
- O primeiro foi a desativação das suas funções de ver o mar, sondando
e sintonizando o litoral de Aracaju. Então, a sua desativação deve-se a
falta de sensibilidade do poder público a nossa cultura, ele ficou e
continua abandonado. Nesse momento, a gente acredita que ainda é tempo e
há mesmo tempo para recuperá-lo. Nessa perspectiva, estamos somando
esforços através do sindicato dos jornalistas como um todo, da sociedade
aracajuana e mais ainda do bairro Farolândia. Além da grande contribuição
que a Universidade Tiradentes pode nos dar, principalmente através do
curso de Comunicação Social, onde os alunos, de forma brilhante, criaram
um segmento que tem o nome desse grande monumento, o jornal
“O Farol”.
RH – Qual a importância em se montar um
jornal comunitário, voltado para causas sociais, como “O Farol”?
EA
- Lembro-me de estar no 3.º Fórum de Jornalismo da Unit, debatendo a década
de 70, quando estudei jornalismo no Rio de Janeiro. Naquele momento, há
25 anos, eu vi nascer vários jornais de bairros, a Tijuca, Jacarepaguá,
entre outros, tinham seus impressos. Aracaju não é mais uma cidade
provinciana, mas sim um município de médio porte, com muitos bairros e
forte carência de comunicação. Eu acho que a Farolândia, com toda sua
dimensão, tem como fazer um jornal para a comunidade e além de suas
fronteiras, no sentido de se chegar a outros bairros também. A grande
vantagem: esse jornal estaria contribuindo com a comunicação para o povo
da Farolândia que está ali tendo em seu seio a Universidade Tiradentes.
Tudo isso se soma, o Farol acabaria de contemplar todo esse projeto, na
instalação do “Memorial da Imprensa”. Isso irá enriquecer mais o
jornal “O Farol” e o povo daquele bairro ficará encantado com esse
grande projeto que se sonha nesse momento.
RH
– O que pode ser adiantado quanto ao projeto da Unit e do Sindicato de
Jornalismo para revitalizar o farol? Que importância tem esse projeto
para a comunidade da Farolândia e de outras localidades?
EA
- Já foram feitos alguns contatos. Esse projeto se baseia na necessidade
de recuperar sua estrutura física, seria esse o primeiro passo. O segundo
é ver como aproveitar o seu espaço interno. Sendo ele um meio de
comunicação, seria a meu ver a instalação do “Memorial da
Imprensa”, um assunto discutido com o reitor da Universidade Tiradentes,
Jouberto Uchôa, que aprova a idéia. Estamos entrando em contato com o
departamento de arquitetura da própria universidade, para que projete a
conservação e recuperação daquele farol. Depois de reestruturado, será
de grande importância para a Farolândia e outros bairros por se tratar
de mais um local de cultura para Aracaju, onde através do Memorial,
iremos expor documentos e documentários, como também a possibilidade de
um restaurante regionalista com vista panorâmica. Mais isso quem vai
definir é o projeto arquitetônico, quando concluído e aprovado.
RH – A Prefeitura Municipal, através da Funcaju,
tem um projeto orçado em 2 milhões de reais para revitalização do
Farol. O projeto consiste numa reforma com implantação de livraria e
cibercafé. É possível a união dos interessados
em implantar um único projeto ou as discordâncias são inevitáveis?
Quais os pontos positivos e negativos do projeto encabeçado pela
prefeitura?
EA
- Eu não vejo nenhuma dificuldade. Quanto mais projetos para o farol,
melhor, pois é um sinal positivo de que há vários segmentos preocupados
em recuperá-lo. Eu não vejo um ponto de desavença ou de atrito. E estou
disposto a dialogar com a Prefeitura Municipal e a Funcaju. Nesse momento
é importante abrir uma discussão para chegar a um consenso. Não vejo
nenhuma barreira, se a um projeto da Funcaju e outro organizado pela Unit
e o Sindicato dos Jornalistas, nada impede de confrontar esses dois
projetos e quem sabe até fazer uma fusão.
* Estudante
de jornalismo da Universidade Tiradentes/SE
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