Webjornal - Quinzenal  - Edição 44 - Aracaju,   7  a  14  de dezembro  de 2003
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Entrevista: Enoque Araújo

Jornalismo comunitário

A história do lagartense Enoque Araújo é semelhante à de outros jornalistas espalhados pelo país. Sua carreira teve início em 1977, ao concluir o curso de Comunicação Social pela Universidade Gama Filho, no estado do Rio de Janeiro.

Aos 55 anos, completou seu vigésimo sexto ano de carreira, atuando nos principais segmentos de comunicação em Sergipe, como no Jornal da Cidade desempenhando a função de revisor, na TV Aperipê onde foi repórter de rua e produziu o programa “Estado Direto”. Além de Assessor da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) foi professor, em 1985, do curso de jornalismo da então Faculdade Integrada Tiradentes.

A presidência do Sindicato dos Jornalistas (SINDJOR) veio em 2001. Nesse período, trabalhava na assessoria de comunicação da Universidade Federal de Sergipe (UFS) quando foi eleito no mês de julho, tomando posse no dia 6 de setembro do ano corrente. Entre vários projetos, está fechando parceria com a Universidade Tiradentes (UNIT), para revitalizar o farol da Farolândia, numa proposta em se criar no local o “Museu da Imprensa”, que visa recuperar registros e documentos que expressem, com autenticidade, a história jornalística sergipana. “O farol é um meio de divulgação, como a imprensa. Sendo o jornalista um formador de reportagem, merece o privilégio de resgatar o farol, para salvar documentos e documentários da própria imprensa”, atesta o presidente Enoque Araújo.

Por Rafael Heleno*

Rafael Heleno – Como o senhor avalia o Farol como símbolo histórico para Sergipe, Aracaju e principalmente para a sociedade da Farolândia?

Enoque Araújo - Um monumento de uma grande importância. Acho que é preciso recuperá-lo urgentemente, para não perder a sua arquitetura, a sua forma tão bonita, tão rica que está sendo prejudicada pela corrosão do tempo natural. É nesse momento que sonhamos em ver resgatado, aquele patrimônio da humanidade, do povo, principalmente da comunidade da Farolândia, que ali reside desde quando foi instalado aquele farol. Eu acho que o povo merece que o farol seja tombado, para  servir também como um meio de comunicação. Nada melhor do que essa parceria que poderá ser feita entre o Sindicado de Jornalistas de Sergipe, a Universidade Tiradentes e os Órgãos Públicos a fim de resgatar aquele monumento histórico.

RH – Quais os fatores que, em seu entender, geraram o abandono do farol?

EA - O primeiro foi a desativação das suas funções de ver o mar, sondando e sintonizando o litoral de Aracaju. Então, a sua desativação deve-se a falta de sensibilidade do poder público a nossa cultura, ele ficou e continua abandonado. Nesse momento, a gente acredita que ainda é tempo e há mesmo tempo para recuperá-lo. Nessa perspectiva, estamos somando esforços através do sindicato dos jornalistas como um todo, da sociedade aracajuana e mais ainda do bairro Farolândia. Além da grande contribuição que a Universidade Tiradentes pode nos dar, principalmente através do curso de Comunicação Social, onde os alunos, de forma brilhante, criaram um segmento que tem o nome desse grande monumento, o jornal  “O Farol”. 

RH – Qual a importância em se montar um jornal comunitário, voltado para causas sociais, como “O Farol”?

EA - Lembro-me de estar no 3.º Fórum de Jornalismo da Unit, debatendo a década de 70, quando estudei jornalismo no Rio de Janeiro. Naquele momento, há 25 anos, eu vi nascer vários jornais de bairros, a Tijuca, Jacarepaguá, entre outros, tinham seus impressos. Aracaju não é mais uma cidade provinciana, mas sim um município de médio porte, com muitos bairros e forte carência de comunicação. Eu acho que a Farolândia, com toda sua dimensão, tem como fazer um jornal para a comunidade e além de suas fronteiras, no sentido de se chegar a outros bairros também. A grande vantagem: esse jornal estaria contribuindo com a comunicação para o povo da Farolândia que está ali tendo em seu seio a Universidade Tiradentes. Tudo isso se soma, o Farol acabaria de contemplar todo esse projeto, na instalação do “Memorial da Imprensa”. Isso irá enriquecer mais o jornal “O Farol” e o povo daquele bairro ficará encantado com esse grande projeto que se sonha nesse momento.

 RH – O que pode ser adiantado quanto ao projeto da Unit e do Sindicato de Jornalismo para revitalizar o farol? Que importância tem esse projeto para a comunidade da Farolândia e de outras localidades? 

EA - Já foram feitos alguns contatos. Esse projeto se baseia na necessidade de recuperar sua estrutura física, seria esse o primeiro passo. O segundo é ver como aproveitar o seu espaço interno. Sendo ele um meio de comunicação, seria a meu ver a instalação do “Memorial da Imprensa”, um assunto discutido com o reitor da Universidade Tiradentes, Jouberto Uchôa, que aprova a idéia. Estamos entrando em contato com o departamento de arquitetura da própria universidade, para que projete a conservação e recuperação daquele farol. Depois de reestruturado, será de grande importância para a Farolândia e outros bairros por se tratar de mais um local de cultura para Aracaju, onde através do Memorial, iremos expor documentos e documentários, como também a possibilidade de um restaurante regionalista com vista panorâmica. Mais isso quem vai definir é o projeto arquitetônico, quando concluído e aprovado. 

RH – A Prefeitura Municipal, através da Funcaju, tem um projeto orçado em 2 milhões de reais para revitalização do Farol. O projeto consiste numa reforma com implantação de livraria e cibercafé. É possível a união dos interessados  em implantar um único projeto ou as discordâncias são inevitáveis? Quais os pontos positivos e negativos do projeto encabeçado pela prefeitura?

EA - Eu não vejo nenhuma dificuldade. Quanto mais projetos para o farol, melhor, pois é um sinal positivo de que há vários segmentos preocupados em recuperá-lo. Eu não vejo um ponto de desavença ou de atrito. E estou disposto a dialogar com a Prefeitura Municipal e a Funcaju. Nesse momento é importante abrir uma discussão para chegar a um consenso. Não vejo nenhuma barreira, se a um projeto da Funcaju e outro organizado pela Unit e o Sindicato dos Jornalistas, nada impede de confrontar esses dois projetos e quem sabe até fazer uma fusão. 

* Estudante de jornalismo da Universidade Tiradentes/SE

 

  

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