Webjornal - Quinzenal  - Edição 58 - Aracaju,   20  de junho a  04 de julho  de 2004
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Entrevista: Geoffrey Pierce

O poder do amor

Na noite de 04/06, uma sexta-feira, o inglês Geoffrey Pierce, de 50 anos de idade, desembarca anonimamente no aeroporto de Salvador. Vinha à procura de uma baiana que conhecera em Cuzco, Peru, no dia 06/10 de 2003, à qual ele se refere como “Miss Bahia” porque nem chegou a saber seu nome. O encontro não passou de breves 15 minutos, mas foi o suficiente para provocar em Geoff um forte arrebatamento. Uma semana depois, ao procurar o jornal A Tarde, teve a sua história publicada no dia dos namorados. O jornal prosseguiu fazendo a cobertura diária da busca de Geoff  (na foto apreciando a beleza da Baía de Todos os Santos) e a notícia chegou até a ser veiculada  na TV, em rede nacional, no dia da sua partida, 17/06.

No domingo, 14/06, após ter visitado alguns pontos turísticos de Salvador, Geoff concedeu  com exclusividade ao Balaio de Notícias a entrevista que se segue.

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Por Antônio Carlos Silva Ferreira

BN - Como o senhor explica o que sentiu por aquela baiana que conheceu em Cuzco?

Geoffrey Pierce - Ela causou uma impressão muito grande em muito pouco tempo. Ela foi sincera, de coração aberto e simpática. Eu lamentei e até tive raiva de mim mesmo por não ter nem perguntado seu nome ou pedido seu  e-mail. Por isso eu senti que tinha que encontrá-la novamente para dar continuidade à nossa conversa.

BN - Não foi um período muito curto para um sentimento tão forte?

GP - E quem poderá dizer quanto tempo é necessário para que alguma coisa aconteça? Às vezes, na vida, portas se abrem em apenas um segundo. E se fecham em um segundo também.

BN - O senhor já havia  sentido algo parecido  alguma vez na vida?

GP - Não em tão pouco tempo. Não.

BN - O que os seus amigos e familiares disseram quando tomaram conhecimento do objetivo da sua viagem?

GP - Eu só comentei com um casal de brasileiros que eu conheço em Londres.

BN - O senhor se considera uma pessoa solitária?

GP - Eu sou solitário em alguns aspectos, mas também sou uma pessoa muito sociável.

BN - Como inglês, qual a sua visão sobre o romantismo?

GP - Eu acredito em romantismo.

BN - O que o senhor dirá à “Miss Bahia” se a encontrar?

GP - Tentarei fazê-la lembrar do nosso encontro em Cuzco, pedirei desculpas por ter sido tão apático e não muito gentil na ocasião. Eu devia tê-la convidado a me acompanhar na excursão às ruínas.

BN - E se ela for casada? Como o senhor lidará com a situação?

GP - Não sei ao certo.

BN - Digamos que o senhor não a encontre. Dará por encerrada a procura?

GP - Não, eu tentarei com meus amigos em Cuzco uma vez mais. Se não conseguir nada então minha busca estará terminada por si só. Talvez eu pense em consultar uma dessas pessoas  que prevê o futuro.

BN - O senhor estudou filosofia. O que os filósofos diriam da sua busca amorosa?

GP - Depende a qual deles fosse perguntado,  mas não  sei o que a maioria diria.

BN - Esta é a sua primeira visita ao Brasil, a Salvador. O que está achando da cidade?

GF - É um lugar maravilhoso, acolhedor e com uma energia incrível. Eu gosto muito daqui.

BN - O senhor acredita que outra brasileira poderia substituir a sua “Miss Bahia”, caso não a encontre?

GP - Não!

BN - O senhor acha que sua história poderia ser um bom exemplo para outras pessoas que vivem neste nosso mundo tão voltado a coisas materiais?

GP - Talvez, mas depende da pessoa. Eu acho que se alguém sentir-se impelido a fazer o que estou fazendo,  esta pessoa fará de qualquer maneira, sem precisar de um exemplo.

BN - Algo mais que o senhor queira dizer?

GP - Sim, uma coisa para terminar. Em setembro de 2002, ou seja, um ano  antes de eu ter conhecido a “Miss Bahia”, eu estava sentado nas escadarias da catedral, na mesma Plaza de Armas, em Cuzco, e tive uma forte sensação de que eu voltaria lá um ano depois, e que aquele seria um lugar importante para mim. Eu não me considero uma pessoa supersticiosa, mas aquela foi uma sensação bastante forte. Um ano depois eu a conheci naquele mesmo lugar.

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* Para saber mais sobre Geoffrey Pierce leia a reportagem “Geoffrey Pierce, sem tirar nem pôr”, nesta edição.

  

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