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cidadania Altruísmo em alta A importância das ONGs na sociedade Por Julia Guimaraes* Entre CPMF, presidência do Senado e algumas outras falcatruas, o povo brasileiro vai vivendo, com a “ajuda” de um governo que se esquece diariamente os reais motivos por terem o poder. Com ou sem um imposto a mais, a saúde continua prejudicada, assim como a educação e as outras áreas sociais. Como bons brasileiros que somos, vamos nos virando do jeito que podemos. Trabalhando mais aqui, conseguindo descontos dali, pegando dinheiro emprestado, tirando os filhos da escola, aumentando a taxa de pobreza, colocando mais filhos no mundo sem a base necessária para que eles cresçam com uma vida digna.... O que não faltam são alternativas para sobreviver. Todos os dias dezenas de notícias sobre aprovações de aumento de salários – dos políticos -, sobre corrupção, troca de partido e outras questões secundárias circulam nas mãos de quem detém o poder. E, é claro, o abandono à população através do descaso a problemas sociais, que precisam de soluções reais, com respostas imediatas. Eis que, então, surgem as ONGS – Organizações Não Governamentais –, para exercer, através do investimento de empresas privadas e pessoas físicas, o papel que deveria ser preenchido pelo estado. As associações não têm fins lucrativos e passaram a existir com o único intuito de direcionar a população, sejam as ONGS voltadas para o meio ambiente, educação, direitos humanos, saúde ou outros assuntos. Em 2004, um estudo apontou a existência de 276 mil ONGS no país, das quais 274 mil não tinham funcionários e 2.500 empregavam mais que 1,5 milhão de pessoas. O que comprova que, somente pelo fato de existirem, elas já geram empregos e renda para o Brasil. Uma história triste, com finais felizes Para muitas famílias, essas organizações podem ser a solução na busca de um futuro digno, onde as crianças possam estudar, para garantirem um emprego quando se tornarem adultas. Sem as ONGs, todas essas famílias seriam prejudicadas e estariam completamente abandonadas pelo governo.
Em Copacabana, Rio de Janeiro, um projeto da Obra Social da Paróquia Santa Cruz, no Morro dos Cabritos – mais conhecido como Ladeira dos Tabajaras -, foi ajudado pela AVSI – Associação Voluntária para o Serviço Internacional. Sem essa ajuda, a Obra não conseguiria se manter por falta de incentivo da prefeitura e teria que abandonar a comunidade. Mas, há alguns anos, a AVSI interferiu no trabalho e hoje abriga mais de 140 crianças em sua creche. Além dela, possuem também aulas de reforço escolar para crianças que estão na escola e alfabetização de adultos.
Para Anelise Bastos, que trabalha como assistente na área de desenvolvimento de projetos, a coisa mais importante é o relacionamento que se consegue criar entre as pessoas que moram no asfalto e as pessoas que moram na comunidade. “Quantas coisas bonitas nascem aí! Meninos que despertam o interesse de entrar numa universidade, de encontrar um trabalho digno, seguir carreiras”, diz. Um dos projetos da ONG, implica a “adoção” de crianças por padrinhos italianos, chamada de “Apoio à Distância”. É assim: eles escolhem a criança que querem apadrinhar, seja através de uma visita ao local ou das fotos e relatórios enviados à Itália. Depois que as adotam, eles passam a ser seus padrinhos, que enviam anualmente dinheiro para a instituição que acolhe as crianças gratuitamente no centro Educacional e ajuda as famílias segundo as próprias necessidades. Além disso, os padrinhos também enviam cartas e presentes para as crianças/adolescentes e aí nasce uma bonita amizade. Perto do Natal, é importante que essas pessoas tenham intactas sua auto-estima e o valor pela vida. Incentivar a preocupação com os filhos e os cuidados da casa é uma tarefa difícil, mas recompensadora. “Nós conseguimos passar para elas o quanto são únicas e especiais e percebemos que a família tem um novo olhar para si mesma. A ajuda recebida pelos padrinhos deixa toda a família mais unida e as fotos que eles enviam de seus próprios filhos e sobrinhos, faz com que eles aqui percebam o quanto é importante esse amor”, explica Anelise.
Para a gerente de projetos, Paola Galafassi, a intervenção financeira da AVSI foi fundamental para que a comunidade evoluísse. “Quando chegamos, a Obra Social não estava muito bem financeiramente. Foi possível mudar muita coisa, inclusive ampliar a estrutura do Centro, através da doação de alguns grandes amigos italianos. Muita coisa foi possível realizar. Se a AVSI não tivesse chegado lá, sinceramente não sei o que aconteceria. Que bom que chegamos”, comemora Paola. Altruísmo em alta Anelise Bastos se formou em Biblioteconomia pela UniRio, mas, antes mesmo de terminar o curso, já tinha descoberto que não trabalharia com livros, nem em lugares abafados e silenciosos. Foi parar, por acaso, no projeto da Obra Social, através de Paola Galafassi. Sua paixão aconteceu tão rápido e tão forte, que em pouco tempo já havia aprendido a língua italiana, o que lhe rendeu um cargo de grande importância na organização. Ela era responsável por fazer relatórios de como as crianças estavam para enviar à Europa, onde seus padrinhos leriam e responderiam. Para tanto, era preciso que ela conhecesse todas as crianças. “Ia à casa delas, almoçava junto, passava o final de semana inteiro às vezes fazendo isso. Durante semana tentava manter a relação com os pais quando buscavam seus filhos na escola e estava sempre atenta a qualquer mudança de comportamento delas”, conta. Seu noivo, Massimiliano Alaia, apadrinhou uma das crianças. “Sempre que ele vem me visitar, no mesmo dia que chega, vai até a creche. É incrível a relação deles! Ela já o conhece há quase três anos. Está crescendo com essas informações chegando a sua cabecinha. É bom demais, pois dessa forma temos certeza que ela se sentirá amada por pessoas que nem são de sua família!” Depois de algumas mudanças, Anelise passou o cargo para outra pessoa e foi trabalhar ao lado de Paola, que coordena o projeto no Rio. “Não é preciso estar em uma ONG para ajudar. A questão às vezes pode estar em pequenas atitudes. Se cada uma das pessoas com poder aquisitivo razoável, tomasse uma atitude em prol de pessoas carentes, uma infinidade de problemas seriam resolvidos. Às vezes penso que o que falta realmente não são bens de consumo, dinheiro ou coisas do tipo, mas solidariedade e senso de humanidade”, desabafa Anelise. Ponto de Vista de uma Sociedade Abandonada Enquanto a classe média tenta comemorar o fim da CPMF, os com menor poder aquisitivo tentam entender como a saúde pública pode ficar pior do que já está. Hoje em dia, ONGs espalhadas por toda a cidade do Rio de Janeiro, cuidam de pessoas com problemas diversos, como câncer, AIDS e outras doenças. Se Lula diz que vai apontar para as pessoas que sofrem nos corredores dos hospitais, sem atendimento, quem são os culpados por aquela situação, a população brasileira pára para ver. Porque ela não é proveniente de seus mandatos, nem do anterior, mas sim de uma crise que assola o Brasil desde sua existência. Entretanto, com tantas promessas e fórmulas mágicas sendo apresentadas a todo momento pelo Senado, muitas vezes realmente acreditamos que mudanças foram feitas. Mas a cada quatro anos, percebemos que não passamos de um público ignorado pelos poderes e somos instrumentos de mãos sujas. Mesmo pagando impostos mais altos para que os menos favorecidos possam ter uma vida melhor, a classe média brasileira ainda participa de campanhas de doações de livros, brinquedos e alimentação. Tem interesse e admiração por ONGs, mas sabe que até esse bem a corrupção conseguiu alcançar. O que não faltam são escândalos de ONGs ilegais, usadas e abusadas por pessoas do 'alto escalão', como os funcionários do governo, para fuga de pagamentos de impostos e formas ilícitas de aprovação de licitações. Não será surpresa se nos próximos anos, o governo começar a fazer campanhas de arrecadação de livros, com a desculpa de levar educação a quem precisa, para na verdade limpar o estrago que anda fazendo na vida de seus eleitores. Época de Doar Todo dinheiro que é doado às ONGs deve estar em uma prestação de contas obrigatória. Muitas vezes, por causa da burocracia, vale mais a pena buscar investidores, do que contar com a ajuda de pessoas físicas. Porém, brinquedos, livros, roupas, são sempre muito bem vindos, assim como visitas de pessoas com disposição e carinho, que é o que mais deixa as crianças felizes. Os brinquedos podem ser doados em quantidades pequenas ou grandes. Basta entregá-los a algum responsável, a qualquer momento na comunidade ou no escritório. O mesmo acontece para os livros, alimentos não perecíveis, material escolar e roupas. As visitas devem ser agendadas e podem acontecer somente nos dias de semana, de segunda à sexta-feira. Elas são o maior presente que as crianças esperam no natal. Um pouco de atenção e saber que alguém lá embaixo, “do asfalto”, se importa com elas. Paga-se nada e ganha-se muito, com apenas um gesto. AVSI Rio de Janeiro – N. Senhora de Copacabana, 583/608. Copacabana. Rio de Janeiro - RJ. CEP 22050-000. Tel: (21) 2235-0760 e (21) 8207-9091.
*Jornalista. E-mail:
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