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turismo Mundo das águas Nosso repórter visitou as maiores cataratas do planeta, situadas no Parque Iguazu, região de Misiones, na Argentina, e registrou o que viu num diário de bordo. Veja o video desta reportagem. Paulo Lima, com fotos de Val Domingo, 17 de junho, 9:00 h Deixamos o Hotel Nadai,no centro de Foz de Iguaçu, rumo ao Parque Iguazu. Somos três: eu, minha mulher e Edson, nosso guia, um sorridente paranaense, ex-soldado do Exército. Noviço em fronteiras internacionais,sou todo olhos e ouvidos. Pisar em solo argentino atiça minha curiosidade. Edson nos adverte: “É preciso pelo menos 5 horas para conhecer todo o parque”. Movidos por um entusiasmo juvenil, embarcamos numa topic. Arriba! Arriba! Argentina, aí vamos nós. 9:30 h Alcançar a fronteira foi mais rápido do que eu imaginava. A aduana argentina tem o aspecto de um simples pedágio. Edson pede nossas identidades e avisa: “A coisa aqui é um pouco demorada”. E desaparece em seguida. A fila de veículos, brasileiros em sua maioria, só faz crescer. Um guarda jovem com traços indígenas anda de um lado para o outro. Turistas abandonam seus carros para tirar fotos. Bem ali do lado fica o prédio de um free shopping. Os preços, nos disseram no hotel, não são muito convidativos. A fila anda em ritmo de tartaruga. Edson estava certo. Esse negócio tem pinta de que vai mesmo demorar. À medida que avança, um guia de outra excursão entra na nossa topic e faz o carro andar para não atrasar a fila. Nada de Edson. Onde foi parar o cabrón? A fila se move mais um pouco, e mais um pouco, e mais um pouco. Finalmente chega a nossa vez de cruzar a aduana. Edson enfim aparece. Estava retirando os nossos vistos. Ah, tá explicado. 10:15 h Entramos na Argentina. Ao contrário do que se vê no Brasil, a estrada é muito bem conservada, um verdadeiro tapete. De um lado e do outro, hotéis magníficos encravados em bosques silenciosos. Começo a gostar do que vejo. Em meio à harmonia da paisagem surge um prédio inacabado com cara de monstrengo. Edson explica: “É uma obra do tempo em que Menem era presidente”. A informação quebra momentaneamente o encanto. Carlos Menem levou seu país à bancarrota. Edson aponta para um hotel suntuoso: “Aquele ali quase foi à falência, mas aos poucos retomou as atividades”. As placas de sinalização ao longo da estrada são impecáveis. Nenhuma destruída, nem mesmo um simples arranhão.
10:45 h Estamos às portas do Parque Iguazu. “Brasileños”, informa Edson a um dos funcionários que fazem o controle da entrada no parque. Desembolsamos 18 pesos por cabeça, cerca de 12 reais, que é o preço cobrado aos moradores do Mercosul. Os valores são diferenciados: se fôssemos argentinos (ou nativos, como eles dizem), teríamos pago apenas 12 pesos. Se morássemos na região de Misiones, somente 7 pesos. Crianças não pagam. Bandos de argentinos se aglomeram no último portão de acesso ao Iguazu. A algaravia em espanhol preenche o ar. Saco a filmadora. Saco a câmera digital. Edson pede para apertarmos o passo. Há muito chão pela frente. Por ora, nada das afamadas cataratas. Edson, um tagarela, despeja informações a cada minuto, a cada segundo. É um guia excepcional. A excursão para ele é motivo de júbilo, não de trabalho. “Estão vendo ali aquele vapor?” Sim, estamos. “São as cataratas”.
11:00 h Andando em ritmo forte, enveredamos por um ziguezague de trilhas bem sinalizadas. Até ali, a limpeza e a organização já começavam a me impressionar. Tudo isso sob os cuidados de poucos funcionários. O barulho das águas estava cada vez mais perto, e delas íamos nos aproximando, avançando a passos cada vez mais rápidos. E de repente, num paroxismo, como se tivéssemos descoberto o éden, lá estão as cataratas. Nada, mas nada remotamente parecido com o que se vê em filmes ou fotografias. É muito mais emocionante, muito mais mesmerizante, algo de encher, literalmente, os olhos. Depois de quase uma hora andando sem parar, nos permitimos um stop para a contemplação, exploradores diante do tesouro descoberto. Dá para entender o espanto de Eleanor Roosevelt, a ex-primeira-dama dos Estados Unidos, ao avistar as cataratas pela primeira vez. “Pobre Niágara!”, exclamou ela. “Que hermoso”, encantou-se um senhor ao meu lado.
11:20 h As trilhas, em sua maioria, são pequenas pontes estreitas que permitem que apenas duas pessoas andem lado a lado. O vai-e-vem é incessante e produz um som quase constante de passos sobre a estrutura de metal: flomp, flomp, flomp. Não é incomum encontrarmos no caminho pessoas com problemas de locomoção, inclusive em cadeiras de rodas. Vejo crianças andando com desenvoltura, sem serem fiscalizados pelos pais. Agora a temperatura subiu um pouco. Já dá para nos livrar dos casacos. Edson nos conduz por um labirinto de trilhas que, invariavelmente, desembocam em visões inusitadas das cachoeiras. A esta altura, não sei se estou indo ou voltando. 1 | próxima |