
Webjornal - Quinzenal - Edição 79 - Aracaju, 19 de junho
a 17 de julho de 2005
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Novos Escritores Por Paulo Lima
Escrevendo desde os 10 anos de idade, Leví Lafetá lançou seu primeiro livro aos 18. Hoje tem 60 e, alguns livros depois, desistiu de bater à porta de editoras para divulgar seu trabalho. Por isso, idealizou um clube para escritores novos, o CEN, por meio do qual poderá tirar do limbo os aspirantes a um lugar no mundo as letras. Mineiro de Coração de Jesus, Leví foi morar aos 14 anos no Rio de Janeiro. Hoje está estabelecido na cidade de Vila Nova de Gaia, um distrito do Porto, Portugal. No currículo, Leví Lafetá carrega as profissões de advogado, administrador de empresas, radialista e jornalista esportivo. Atualmente ele responde como diretor-presidente da revista eletrônica Corner (http://www.revistacorner.com) e do site http://www.ficarcomvoce.com. Embora com uma incursão pela política (foi candidato a vereador e deputado federal pelo Rio de Janeiro), Leví aposta mesmo é na literatura. Com seu novo projeto, o Clube de Escritores Novos (CEN), espera já de saída reunir 50 escritores. Leví falou ao Balaio de Notícias sobre a gênese e o funcionamento do Clube e, naturalmente, sobre literatura. Para quem quiser entrar em contato com o CEN, aqui vai o e-mail: cen@revistacorner.com.br *** BN - Como surgiu a idéia do CEN-Clube de Escritores Novos? Leví Lafetá - As dificuldades que o escritor iniciante encontra para lançar o seu livro continuam sendo muito grandes.Veja bem, estou com 60 anos de idade, comecei escrevendo aos 10 anos e com 18 lancei a minha primeira obra. Mas, só foi possível lançar porque um irmão trabalhava em gráfica e, depois do expediente, imprimiu 200 exemplares, através daquelas impressoras antigas – letra por letra – do meu livro Eu e você. Nessa ocasião eu já havia deixado a minha cidade natal Coração de Jesus (Minas Gerais) e morava no Rio de Janeiro. Recebi os meus exemplares e fui mostrando às editoras cariocas para ver se imprimia uma edição com 1000 exemplares. Decepções e mais decepções e humilhações. Até ouvi de um editor que eu devia pensar era em estudar e que já existiam muitos escritores para poucos leitores. Anos depois, através de amigo, consegui, através da Livraria dos Esperantistas, a edição do livro Eu, você... e a vida. Ufa!! Mas era difícil pagar as prestações da edição. Eu não sabia como vender os exemplares. Com muito custo consegui uma noite de autógrafos que só veio aumentar as minhas dívidas. Como todo iniciante, pensei que fosse vender todos os exemplares e assumi inúmeros compromissos financeiros. Tomei conhecimento de que o Ministério da Educação e Cultura ajudava os autores novos comprando as suas obras. Fui ao encontro da senhora de nome Salvadora, que era a chefe do Banco do Livro, para me comprar os exemplares que já ocupavam lugar em minha casa. Ledo engano, ela me respondeu que não era possível naquele momento. Dez meses depois de ter preenchido uma ficha cadastral, recebo um telefonema para comparecer ao Banco. Lá chegando de peito estufado de emoção recebi a seguinte proposta: “Olha, estamos com um resto de verba que não podemos devolver e queríamos saber se quer vender os seus exemplares”. Disse que sim. Mas, o valor que eu recebi não correspondia nem a 20% do valor dos exemplares. Então, continuei tentando melhorar a maneira de apresentar as minhas obras na esperança de vê-las bancas das livrarias para que todos pudessem folhear. Certa ocasião, coloquei os exemplares da terceira obra em várias livrarias e passava de mês em mês para saber como estavam as vendas. E a frase que eu mais ouvia era. ”Tem certeza,menino, de que você deixou aqui para vender?” E voltava dias depois e o funcionário dizia: “Encontrei os exemplares, estavam lá no porão, no depósito”. Assim aconteceu com os cinco primeiros lançamentos. E
no sexto, em 2001, foram contratadas uma editora e uma distribuidora.Como
última experiência, autorizei por escrito que somente 500 exemplares
fossem impressos. A editora e a distribuidora providenciaram a noite de
autógrafo, quando foram vendidos mais de trezentos exemplares. Resumo: até
hoje não me prestaram conta e continuam vendendo a minha obra em várias
cidades do Brasil. O CEN – Clube dos Escritores Novos surgiu para sanar
todos essas injustiças com os autores novos.
L.L - Muito simples. Todos nós pagamos consórcios para bens
materiais. O CEN é uma espécie de consórcio. Mas, quais as vantagens? O
Autor lançará, inicialmente, 500 exemplares que estarão vendidos em três
meses. No site www.cen.com o escritor vai se promover e continua a vender
os seus exemplares através da Livraria CEN . Não há a menor possibilidade
do livro ficar no porão das livrarias. Vamos criar encontros anuais dos
autores como se fosse uma feira dos nossos livros. No final,
acredite, formaremos um grupo tão forte que as pessoas passarão a se
comunicar e trocar conhecimentos. E de repente pode até sair casamento
(risos). Com seis meses de funcionamento, vamos lançar o categoria de
sócio leitor, que pagará uma pequena mensalidade e receberá,todos os
meses, uma obra dos nossos escritores.
L.L - Inicialmente, será para aqueles que nasceram em países que
falam a nossa língua. Já estamos em Portugal, na cidade do Porto, fazendo
os primeiros contatos.
L.L - Dentro do planejamento, temos que iniciar com, apenas, 50
escritores. Pois queremos mostrar como funciona e não deixar dúvidas
naqueles que sofrem para fazer parte da literatura. O que eu senti não
desejo a ninguém.
L.L
- Sim, os escritores é que são novos na literatura e não um clube. Será
somente para jovens que querem escrever e lançar livros. Afinal, a nossa
idade está no nosso espírito. Veja, quantos aposentados estão pelo mundo
procurando algo para preencher o tempo! Quer algo mais lindo que os da
melhor idade escrevendo e colocando à disposição de todos as suas
experiências?
L.L - A relação é de uma maneira com o pé atrás. Hoje, no Brasil,
um dos melhores negócios é a edição de livros. Como um autor vai controlar
as suas vendas? Falam tanto em CDs piratas, mas o governo esquece das
piratarias organizadas que são as editoras que não prestam contas aos
autores. Mas, infelizmente, temos um Ministro da Educação que é cantor e
um outro que é médico e assumiu o Ministério da Fazenda. |
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