
Webjornal - Mensal - Edição 85 - Aracaju, 11 de dezembro de 2005
a 15 de janeiro de 2006
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Crise política Por Rodrigo Marinheiro* O colapso político é tão emblemático que escrevi uma crônica na sexta e no sábado estava obsoleta. Rasguei. Tive uma séria crise de personalidade pensando no contexto do país em que vivemos. Quando saio às ruas, isso pode ser aqui em São Paulo ou qualquer outro lugar do Brasil, vejo a população na miséria. Os serviços públicos estão desamparados a um costume dormente. A estupidez é como um nevoeiro que encobre a visão do povo. A única coisa que cresce neste país é a ruína econômica. Somos reconhecidos mundialmente por sermos o país do futebol. Mesmo assim, às vezes, não vejo a menor graça em comentar sobre futebol no rádio e na televisão. O futebol não é uma coisa maior. Nosso país, a sua cidade, a política e a arte são mais importantes do que este esporte, que nada mais é que um entretenimento. O futebol é só futebol e, sinceramente, na verdade mesmo, o futebol não tem a menor importância. Embora seja efêmera minha cólera, arrisco dizer que o futebol não passa de uma iniqüidade. As agremiações que disputam os campeonatos e mexem com as emoções do povo brasileiro nasceram simplesmente para praticar um esporte. Não nasceram para ser motivo de alegria ou tristeza. O fato de nenhum outro país jogar tão bem quanto o nosso não tem a menor importância. Preferia morar no país da honestidade e da democracia, ao morar no país do futebol. Se tudo na vida fosse gritar é campeão e ir à praia ver o pôr-do-sol, a felicidade não teria fim para o povo brasileiro. Pois é, quase fui moldado pela crise política que vivemos. Foi como se lixas e marretas quisessem esculpir meus sentimentos e minha sensibilidade. Ainda ontem me perguntava se não sei o que é compaixão por não aceitar a dor nostálgica do clã Maluf em relação aos milhões de dólares que desviaram do erário paulista. Essa minha desolação, que hora penso ser ideológica, às vezes me parece ser romanticamente embasada numa ética arcaica. Mas o fato é que aprendi muito com o PT e a conjuntura que vivemos. Hoje sei que ninguém pode consertar o mundo! Colocamos no poder uma mentira revolucionária adepta do capitalismo selvagem. Esses heróicos burocratas do movimento 'tiradentista-bolivário-rosaluxemburguista-sanmartinesco-lulal’ ainda se passam por mártires inocentes, negando tudo, enquanto na verdade são apenas uns invertebrados incrédulos no socialismo que os elegeu. Estaria errado por intrigar de forma insopitável com um presidente que discursava, através de metáforas idiotas, enquanto o próprio partido votava leis da direita corrompendo deputados de direita? Será que sou um frívolo malicioso por questionar empréstimos do Banco Rural ao PT, por intermédio de Marcos Valério, com um aval que Genoino não se lembra? Santo Deus, como tudo isso pode ser verdade? Será que sou um homem pérfido, malévolo e sem fé por desconfiar que o ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, morreu por crime comum? Seria muita intolerância minha não aceitar a cupidez de Severino? Às vezes acho que virei um instrumento neoliberal da direita, afinal, como posso duvidar destes homens que dizem lutar contra a elite corrupta para salvar nosso País? Como ouso dizer que os petistas são bolcheviques? Sou muito audacioso por associar o PT a termos como caixa 2, sonegação, parasitismo, formação de quadrilha, prevaricação, rentismo, sonegação, compadrio e superfaturamento? Será que minha obrigação era de ignorar essas pequenas éticas burguesas? Chego a acreditar que posso ser queimado na fogueira por dizer que, se fosse deputado, minha ceia de ano novo seria sobre uma toalha vermelha, degustando uma grande pizza inspirada nos percalços de Brasília, e o melhor, tudo pago por dólares cubanos! A verdade é que pouca gente compra briga hoje em dia, aliás, poucos sequer sabem que estão vivos... Apesar de alguns acharem que mereço os mais cruéis castigos, tenho certeza que os ventos fortes criados pelas CPMIs em Brasília nos farão, mais cedo ou mais tarde, ficar diante de um imenso nada e o governo, enfim, exultará! Isto porque a corrupção é o estigma de nosso país. A direita já a praticava desde a época das capitanias hereditárias. Em outubro de 2006, no país do futebol, teremos o PSDB com candidato à presidência da República. O PDT, PFL, PP e PPS esperarão uma oferta para saber quem apoiar. O PT, é óbvio, terá candidato próprio e o PMDB flertará e oscilará até onde puder. Fora alguma surpresa, quase sempre ruim, diga-se de passagem, a lógica é 2006 copiar 2002, com PT e PSDB prometendo o de sempre sem que a maior parte dos eleitores perceba, pois estes ainda festejarão o hexacampeonato de futebol vencido em terras alemãs. De fato o ano que vem, infelizmente, pode legitimar uma frase de Karl Marx: “a história acontece primeiro como tragédia e depois se repete como farsa”. Ah, quanto aos bolcheviques, estes pelo menos tinham um projeto de governo! *Comentarista esportivo da Rede Mundial de Televisão e da Super Rede Boa Vontade de Rádio, cronista e sócio-fundador da empresa de comunicação R2O |
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