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crônica
Cepticismo ou engano?
Os jovens e a felicidade
Por
Margarida Ribeiro*
Um dia destes revi uma cena do filme Branca de Neve,
regressada da minha infância até aos meus olhos de hoje, trazido de uma
época em que não se sonhava sequer com televisão nas nossas casas.
Recordei a emoção com que as imagens de Walt Disney, na sua fase do
maravilhoso, se nos gravavam na mente. Lembrei o medo da madrasta má e a
ansiedade feliz de ver os anões regressar da mina para uma casa arrumada e
limpa onde dormia a Branca de Neve. E senti, como um eco vindo do fundo da
minha vida, a esperança no futuro que trazia sempre aquela frase com que
terminava qualquer história: “Casaram e foram felizes para sempre”…
Crescíamos nessa época a acreditar no Príncipe ou na Princesa - e na
Felicidade. Não valia de nada olharmos os mais velhos e ver neles, num país
em que o divórcio estava fora de questão, casamentos transformados em
convivências atribuladas ou numa indiferença quase insultuosa.
Nada disso tinha importância, pensávamos. “Eles”, os
nossos pais, tios, vizinhos, com 30 ou 40 anos eram velhos e não tinham
sabido manter a tal Felicidade.
Nós, sim, saberíamos. Os jovens como nós é que
sabiam. Nós íamos ser felizes.
Depois
do casamento e por causa do casamento.
E agora, neste séc. XXI em que as verdades nuas e cruas na TV, no cinema,
nos livros, nos são mostradas todos os dias?
Que pensam os jovens de hoje acerca do seu casamento, previsto ou apenas
hipoteticamente imaginado?
Acho que já não acreditam no “foram felizes para
sempre.”
Ou será que acreditam?
*Professora
portuguesa, reside
em
Castelo
Branco,
Portugal. E-Mail:
mariamares@sapo.pt.
Blog:
http://encostada.blogspot.com/
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