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crônica Lutos e lutos O provisório e o eterno das regras sociais Por Margarida Ribeiro*
Quando eu era criança e adolescente, até ainda quando era mulher jovem,
havia regras rígidas em relação à maneira como nós, mulheres, provávamos à
sociedade que lamentávamos a morte de alguém. (Os homens podiam limitar-se a
uma tarjeta negra no braço e gravata preta) Lembro-me de aos 16 anos andar seis meses de luto (por avô eram seis meses, três pesado e três aliviado). E só eu sei como esse meu luto ainda dura, vista a roupa que vestir... E como na altura me incomodou pelo nada de sentimento que representava.
Cada tipo de parentesco tinha o seu tempo determinado. Já não me lembro
quanto era para tio ou tio-avô… A minha filha, que tinha nascido um mês antes dessa morte, cresceu o seu primeiro ano a ver-me sempre de preto ou de preto e branco. Deve ter sido um choque, para ela, quando comecei a vestir cores mais variadas… Por ser a minha sogra, e não querer começar a quebrar as regras chocando o meu marido e a sua família, aguentei. Mas jurei a mim mesma e avisei aos 4 ventos que era a última vez. Não tardou, infelizmente, que tivesse oportunidade. Em Coimbra fui das primeiras pessoas a quebrar o tabu. Faço ideia de quanto, antes de me imitarem, disseram mal de mim.
Mas não me caiu o céu em cima da cabeça. - as eternas, porque a sua contravenção faz mais ou menos mal aos outros. Falar de boca cheia enoja o companheiro da frente…
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as provisórias, fruto de preconceitos – essas são fáceis de quebrar como
teias de aranha. E inúteis.
*Professora
portuguesa, reside
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