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Música
Festa brasileira no
México
Da Orquestra Petrobras Sinfônica ao grupo Olodum, passando por
Elba Ramalho e Arthur Moreira Lima, os brasileiros literalmente fizeram a
festa e se encantaram com a magia da alma mexicana
Por
Paulo Marcio Vaz*
Fotos Paulo Marcio Vaz e Nelson Oliveira

Foi uma viagem de quase 24 horas, incluindo um
enorme atraso na saída do aeroporto do Rio para São Paulo, 8 horas de
avião até a Cidade do México, 2 horas de alfândega e mais de 5 horas de
ônibus até o destino final. Na chegada, apesar do cansaço, uma grata e
bela surpresa: Morelia.
O Festival Internacional de Música de Morelia acontece
desde 1989 e, anualmente, um país é escolhido para ser homenageado.
Finalmente, na 17ª edição, chegou a vez do Brasil. Para abrir o Festival,
os organizadores convidaram a Orquestra Petrobras Sinfônica (na foto,
naipe de percussão), do Rio de Janeiro, que pela primeira vez, depois
de 18 anos de existência, pôde deixar o país em busca de outros palcos.
Seus mais de setenta músicos enfrentaram a dura viagem com bom-humor e
fôlego de crianças e a determinação de profissionais acostumados a
deixar famílias, filhos, namoradas, namorados e os afazeres do dia a dia
em nome da música, numa dura e doce rotina.
Durante o festival, diariamente, artistas brasileiros da
mais alta categoria e dos mais variados estilos brindaram os mexicanos com
o melhor da nossa música. Do baiano e popular Olodum ao carioca e erudito
Quadro Cervantes, passando também pela cantora Elba Ramalho e pelo
pianista Arthur Moreira Lima, Morelia se rendeu, durante quinze dias, ao
talento de nossas vozes, tambores, cordas, sopros e raízes. E nossos
músicos se renderam à beleza e hospitalidade de uma das mais belas cidades
mexicanas.

Imaginem Ouro Preto. Agora, imaginem Ouro Preto
absolutamente preservada (na foto, Museu de Artes e Ofícios de Morelia).
Multipliquem o tamanho das ruas, dos monumentos, das igrejas e dos prédios
antigos por dez. Ah, e retirem as ladeiras. É esse, mais ou menos, o
retrato de Morelia, que fica a 303 quilômetros da Cidade do México e
pertence ao estado de Michoacán, segundo seus próprios habitantes, “a alma
do México”. Se Michoacán é a alma, Morelia, provavelmente, é a aura.
No concerto da Petrobras Sinfônica, regido pelo maestro
Roberto Duarte, obras de Villa-Lobos, Ernani Aguiar, Miguel Bernal Jiménez
e Joaquim Gutiérrez Heras deram ao público um belo panorama da música de
concerto latino-americana, contando também com a participação do
violonista brasileiro Turíbio Santos e do violoncelista mexicano Carlos
Prieto. Durante os 6 dias em que ficaram na cidade, os músicos da
Petrobras Sinfônica descansaram, trabalharam, passearam e se esbaldaram.

A dura viagem e o fuso-horário de 4 horas a mais não
permitiram ensaios nos primeiros dias. A orquestra, que não pôde ir
inteira no mesmo vôo, só se encontrou completa um dia depois que a
primeira turma já havia chegado. Sorte de quem chegou primeiro. Um dia a
mais para apreciar a belíssima arquitetura de influência espanhola e o
maravilhoso artesanato local, degustar a mais típica comida mexicana e
curtir as crianças de Morelia, um espetáculo a parte. Lindas e sempre
muito bem arrumadas (na foto, o repórter com
crianças de Morelia). As meninas, sempre com seus vestidinhos
coloridos e um sorriso pronto para explodir a qualquer momento. E para
nossa sorte, com uma vontade imensa de se deixarem fotografar.
Outro fator
impressionante em Morelia é a quase absoluta ausência de miséria. Não há
mendigos ou pedintes. A população é alegre e bem educada. E amam os
brasileiros. Num posto de gasolina, por exemplo, o frentista fez questão
de comprar nossas notas de Real. “Vou guardá-las como um troféu!”, disse
ele. No trânsito, depois de um ligeiro deslize de nosso
violinista/motorista, o guarda nos manda parar. Rapidamente, explicamos
que éramos “brasileños” e que não sabíamos que não podíamos ter feito o
retorno naquela rua, etc, etc, etc... O guarda, com sorriso de menino, nos
explicou que infelizmente seria obrigado a nos aplicar a multa: “Terei que
recolher os documentos do veículo. Te darei um recibo e você pagará a
multa no departamento de trânsito, onde poderá pegar os documentos de
volta.” O desespero tomou conta de nós. Explicamos que o carro, alugado,
teria que ser devolvido em poucos minutos e apelamos: “Será que não dá pra
pagar a multa agora a você mesmo?” A resposta, com imensa simpatia:
‘Infelizmente, não, pois não teria como lhe dar o recibo”. Ao perceber
nossa situação de penúria e compreender nosso erro involuntário, o guarda
nos liberou, em troca de um fraternal aperto de mão. De Morelia, até a
“PM” deixa saudades.
*Estudante
de jornalismo da FACHA, Rio de Janeiro
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