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Política
Será mesmo o fim
do nepotismo?
Por
Luiz Leitão*
A sociedade em
geral ficou satisfeita com a decisão do Supremo Tribunal Federal, quase
unânime, que acaba com o nepotismo – emprego de parentes até terceiro grau
– no judiciário, derrubando as incontáveis liminares concedidas pelos
Tribunais de Justiça dos Estados.
Já se cogita extinguir
esta prática na Câmara também, segundo seu presidente, deputado Aldo
Rebello, que pretende estender a proibição ao Executivo, e deve-se
entender Executivo como os três níveis de governo, municipal, estadual e
federal. Aldo prometeu pôr em votação em março uma emenda constitucional
acabando com a prática ; vamos cobrar.
Mas se levarmos em
conta a quantidade de municípios, exatos 5.560, com suas respectivas
câmaras de vereadores, prefeituras, as assembléias legislativas dos 26
Estados da Federação mais a Câmara Distrital de Brasília, veremos que
talvez isto seja uma utopia danada, afinal, como controlar tanta gente? Só
no governo federal são quase 20 mil “cargos em confiança”, ou de livre
provimento, ou ainda comissionados, e haja fé para se confiar em tal
número de pessoas. Acaso se justifica o emprego do ex-motorista do
ministro Antonio Palocci em cargo de confiança no Ministério da Fazenda no
Rio de Janeiro?
Todos sabem que existem
meios de burlar a proibição com a prática do nepotismo cruzado, onde um
emprega em seu gabinete ou seja lá onde for, o parente de um colega, e
vice-versa.
Além do nepotismo
cruzado, existe o que podemos talvez apelidar de nepotismo fantasma, como
os favorecimentos de empresas estatais ou não a parentes de figuras do
governo, como parece ser o caso da Telemar e a firma do filho do
presidente Lula da Silva.
E empregar amigos,
acaso não é também um favorecimento? Não é emprego de parente, mas
equivale à prática do nepotismo, sim. O governante ou parlamentar alegar
que precisa se cercar de pessoas de confiança é uma falácia, haja vista as
tantas pessoas de confiança que pintaram o sete neste governo e acabaram
tendo que ser postas para fora, certamente a contragosto dos atuais
mandatários.
Há ainda os casos de
empresas que prestam serviços ou vendem para os governos e empregam um
parente de algum poderoso, outra forma de nepotismo disfarçada.
Não sejamos ingênuos,
acabar com o favorecimento a parentes e amigos é como querer zerar a
corrupção, tarefa inglória, impossível. O que se pode fazer é tentar
minimizar o problema exigindo de nossos parlamentares uma lei que acabe
com os cargos em confiança, à exceção de ministro e secretário de Estado.
Que só seja permitido ingressar no serviço público por concurso; inclusive
e principalmente nas cortes do Judiciário, acabar com as nomeações.
E nas empresas
estatais, as diretorias e presidências devem ser obrigatoriamente ocupadas
por funcionários de carreira, que conhecem as companhias, nada de um
estranho aterrisar de pára-quedas para dirigir uma instituição que não
conhece. O mais salutar efeito desta medida seria o fim da barganha
política de cargos, à exceção talvez dos ministérios, realmente não se
pode submeter um ministro a concurso público. Idem para as secretarias de
Estado.
Afinal, se policiais,
promotores, juízes e tantos outros integrantes de várias categorias do
serviço público só entram por concurso, por que haveriam de receber
tratamento diverso amigos e parentes?
Um brinde à decisão do
Supremo, mas é preciso exigir muito mais, que a medida seja estendida aos
três poderes, nos três níveis: federal, estadual e municipal, com concurso
público para todos, com provas difíceis, de altíssimo nível, especialmente
no tocante ao manejo da língua portuguesa.
O nome disto é
igualdade. Igualdade de direitos para todos os cidadãos que desejem
trabalhar para a nação, com aposentadorias exatamente iguais às dos
trabalhadores da iniciativa privada.
*Nota: Informo aos
leitores, a respeito do artigo sobre corrupção no MT, que o STJ derrubou a
liminar que suspendera as investigações do MP.
*Articulista
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