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Televisão
Band Rio não se
livra do
amadorismo
Por
Paulo Marcio Vaz*
A Rede
Bandeirantes de Televisão, Band, para os íntimos, tradicionalmente tem uma
das melhores e mais confiáveis coberturas jornalísticas da TV brasileira,
resultado do profissionalismo, responsabilidade e competência de seus
profissionais e da direção da empresa. Porém, pelo menos no Rio, esse
profissionalismo contrasta absurdamente com algumas práticas que
absolutamente não combinam com o nível de qualidade que o jornalismo da
emissora esbanja.
O maior exemplo desse contraste ocorreu no ultimo sábado,
30 de setembro, quando a Band dava um verdadeiro show de cobertura sobre o
trágico acidente ocorrido na noite anterior com o vôo 1907 da Gol, que
saiu de Manaus em direção à Brasília. A Band tinha sido a primeira a
exibir, ao vivo, ainda na sexta-feira, o depoimento de um rádio-amador, o
primeiro a receber a notícia sobre o acidente, dada por um colega que
teria sido testemunha ocular da queda do Boeing. Pois na manhã daquele
sábado, Heleonora Pascoal, repórter da Band, já se encontrava na região
próxima ao local do acidente e noticiou, às 9 horas e com exclusividade,
que os destroços da aeronave haviam sido encontrados. Por volta das 11
horas, a repórter já estava a bordo de um avião procurando obter imagens
do ponto exato do acidente. Enquanto isso, Globo e SBT exibiam desenhos
animados e a Record vendia carros.
Por volta das 11 horas, o show da Band esbarrou no
amadorismo, pelo menos no canal 7 do Rio de Janeiro, quando entrou no ar o
programa publicitário da Casa Magrins. Por meia-hora, os telespectadores
da Band carioca tiveram que optar entre mudar de canal, desligr a
televisão ou assistir a um desfile de vendedores de um daqueles produtos
“milagroso” de emagrecimento. Eles entrevistavam ex-gorduchas felizes por
estarem aptas, após usarem o “elixir”, a realizar o “Teste da Camiseta”,
isto é, literalmente vestir a camisa do produto e mostrar suas novas
silhuetas.
A venda de horário publicitário na Band, ou a venda
de parte do horário da programação da emissora é uma prática comum e
irritante, pelo menos em sua afiliada carioca. A Band, seguindo a
legislação, deixa claro que o horário é vendido exibindo um aviso dizendo
que “as opiniões expressas nos programas não correspondem àquelas da
emissora”. Mas, levando-se em consideração a qualidade não só do
jornalismo, mas também da própria produção dos programas (independente do
conteúdo de cada um), já era hora da direção rever esses arroubos de
amadorismo ou, no mínimo, de pequenez editorial da emissora em meio a
tanta qualidade e profissionalismo já comprovadas por seus jornalistas.
*Estudante
de jornalismo da FACHA/RJ
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