Webjornal - Mensal  - Edição 94 - Aracaju, 15 de outubro a 12 de novembro de 2006
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Televisão

Band Rio não se livra do amadorismo

Por Paulo Marcio Vaz*

A Rede Bandeirantes de Televisão, Band, para os íntimos, tradicionalmente tem uma das melhores e mais confiáveis coberturas jornalísticas da TV brasileira, resultado do profissionalismo, responsabilidade e competência de seus profissionais e da direção da empresa. Porém, pelo menos no Rio, esse profissionalismo contrasta absurdamente com algumas práticas que absolutamente não combinam com o nível de qualidade que o jornalismo da emissora esbanja.

O maior exemplo desse contraste ocorreu no ultimo sábado, 30 de setembro, quando a Band dava um verdadeiro show de cobertura sobre o trágico acidente ocorrido na noite anterior com o vôo 1907 da Gol, que saiu de Manaus em direção à Brasília. A Band tinha sido a primeira a exibir, ao vivo, ainda na sexta-feira, o depoimento de um rádio-amador, o primeiro a receber a notícia sobre o acidente, dada por um colega que teria sido testemunha ocular da queda do Boeing. Pois na  manhã daquele sábado, Heleonora Pascoal, repórter da Band, já se encontrava na região próxima ao local do acidente e noticiou, às 9 horas e com exclusividade, que os destroços da aeronave haviam sido encontrados. Por volta das 11 horas, a repórter já estava a bordo de um avião procurando obter imagens do ponto exato do acidente. Enquanto isso, Globo e SBT exibiam desenhos animados e a Record vendia carros.

Por volta das 11 horas, o show da Band esbarrou no amadorismo, pelo menos no canal 7 do Rio de Janeiro, quando entrou no ar o programa publicitário da Casa Magrins. Por meia-hora, os telespectadores da Band carioca tiveram que optar entre mudar de canal, desligr a televisão ou assistir a um desfile de vendedores de um daqueles produtos “milagroso” de emagrecimento. Eles entrevistavam ex-gorduchas felizes por estarem aptas, após usarem o “elixir”, a realizar o “Teste da Camiseta”, isto é, literalmente vestir a camisa do produto e mostrar suas novas silhuetas.

A venda de horário publicitário na Band, ou a venda de parte do horário da programação da emissora é uma prática comum e irritante, pelo menos em sua afiliada carioca. A Band, seguindo a legislação, deixa claro que o horário é vendido exibindo um aviso dizendo que “as opiniões expressas nos programas não correspondem àquelas da emissora”. Mas, levando-se em consideração a qualidade não só do jornalismo, mas também da própria produção dos programas (independente do conteúdo de cada um), já era hora da direção rever esses arroubos de amadorismo ou, no mínimo, de pequenez editorial da emissora em meio a tanta qualidade e profissionalismo já comprovadas por seus jornalistas.

*Estudante de jornalismo da FACHA/RJ

                                 

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