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reportagem O fim do livro de papel? Kindle, o leitor digital da Amazon Books, poderá transformar as formas tradicionais de ler, escrever e publicar
Por Paulo Lima Ele é silencioso, pesa menos de meio quilo, tem o tamanho de um livro de bolso, e provavelmente passaria despercebido em qualquer vitrine de traquitanas eletrônicas. Mas pode estar provocando uma revolução. Eis o Kindle, a engenhoca leitora de livros digitais lançada recentemente pela Amazon Books, a mais famosa livraria on-line do mundo. A novidade obteve uma resposta imediata do consumidor norte-americano.O produto, vendido inicialmente ao preço de 399 dólares, está temporariamente esgotado. Aqueles que não conseguiram comprar o seu Kindle em tempo terão de entrar numa longa lista de espera. Por causa dessa grande procura, o equipamento não poderá no momento ser vendido para o exterior. Sorry, periferia. O Kindle não é o primeiro leitor digital existente no mercado. O seu concorrente mais próximo é o Sony Reader, lançado em 2006 e já na sua segunda versão. Mas o Kindle oferece detalhes que o põem na dianteira. Para começar, tem sido anunciado como um recurso capaz de mudar a velha indústria do livro. “Esse é um atalho para uma revolução (já em andamento) que transformará a forma de ler, escrever e publicar”, aposta Steven Levy, da revista Newsweek. Escritores, como Toni Morrison, ganhadora do Nobel, podem ser vistos no site da Amazon Books rendendo-se à praticidade do Kindle. Em termos de tecnologia, trata-se de um divisor de águas, que oferece o que nenhum outro leitor digital foi capaz até agora: conectividade wireless baseada no mesmo serviço oferecido pelas operadoras de celular, permitindo que o Kindle funcione em qualquer lugar, não apenas em espaços delimitados para uso Wi-Fi, como shoppings e aeroportos. O próprio Jeff Bezos, o todo-poderoso da Amazon, acentua a diferença: “Isso não é um equipamento eletrônico, é um serviço”. Portátil, sem fio, com acesso a mais de 90 mil livros – que podem ser baixados em um minuto diretamente do site da Amazon Books, a um preço de 10 dólares -, blogs, jornais e revistas, e com a capacidade de armazenar até 200 livros em sua memória interna. Aí está a dimensão do tal “serviço”. Gutenberg, que inventou o processo de impressão com caracteres móveis, deve estar dando voltas em seu túmulo. O livro tradicional está ameaçado? Pode parecer ser cedo demais para prognósticos, mas a estratégia da Amazon Books é ampliar consideravelmente seu acervo de livros digitais. Antes mesmo do Kindle, a megastore já proporcionava aos seus leitores um serviço pioneiro, agora copiado por outras livrarias on-line ao redor do mundo: a leitura do primeiro capítulo dos livros. Além disso, o leitor pode contar com a opção search inside the book, permitindo-lhe pesquisar o conteúdo de cada livro. Agora Jeff Bezos está envolvido numa cruzada para convencer os editores a lançar versões digitais de novos livros, algo que já vem acontecendo, apesar do alto custo do processo, cerca de 200 dólares por exemplar. Isso implica que, num tempo não muito distante, a proporção entre as edições paperback (de papel) e seus equivalentes digitais será consideravelmente reduzida. O anúncio do fim do livro tradicional é tão antigo quanto o do juízo final. Há sempre um profeta de plantão a apregoar a vitória final da tecnologia sobre todas as coisas. Em 1929, o pensador alemão de origem judaica Walter Benjamim já imaginava o fim do livro, impressionado com os textos verticais que preenchiam os anúncios luminosos nas grandes cidades.
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