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Cultura
A arte como argumento
Por
L. C. Bragança de Pina*
Como noticiou o
jornal O Globo de sábado passado (27 de maio), depois da decisão do
Centro Cultural Banco do Brasil de retirar da exposição intitulada
“Erótica – os sentidos na arte”, a obra sacrílega “Desenhando com terços”
(onde dois pênis formam um terço), o prefeito do Rio de Janeiro, César
Maia (PFL) exigiu a retirada dos cartazes que reproduz a imagem dessa obra
ofensiva ao cristianismo, espalhadas pela cidade como forma de protesto
contra a censura do CCBB.
A Comlurb, companhia
responsável pela limpeza e retirada do lixo da cidade, respeitou a
determinação do prefeito e retirou 21 cartazes que emporcalhavam os
logradouros públicos, não somente no sentido de poluição, mas eu coloco
aqui também como sujar os valores morais e assim degradá-los, numa afronta
direta ao catolicismo.
O prefeito justificou a
sua determinação, alegando que os cartazes ofensivos a religiosidade afeta
“o sentimento religioso das pessoas”. Além do desrespeito patente, os
defensores dessa ignomínia contra a religião, pensam ao contrário, e diz
que o “terço erótico” é uma manifestação artística, quando na verdade
trata-se de um instrumento (mais um) abertamente anti-católico, com o
sentido de desagregar os sentimentos de educação religiosa que ainda
restam nas famílias, tão importantes na nossa formação.
Para Márcio Botner,
professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, trata-se de censura,
dizendo-se “chocado” com a retirada dos cartazes. A revolta dele
revelou-nos uma característica dos que não sabem conviver com o outro,
principalmente quando o outro vive procurando seguir os valores
religiosos.
Esse professor confirma o
parágrafo anterior quando afirma: “Acho que a obra da Márcia X é tão
potente que efetivamente parece desnortear as pessoas, o que é um bom
sinal”. Não!, trata-se de um sinal maléfico, pois o desnorteamento
ocultado por ele agride, sobretudo, os valores judaico-cristãos alcançados
com muito sacrifício para fazer valer o direito à vida, à tolerância, à
caridade, o respeito ao semelhante etc. Assim sendo, age o professor como
um adolescente influenciado pelos acordes dissonantes das guitarras do som
“pesado”, seja de qual vertente for: black metal, hevy metal
etc. Donde passa a se sentir como o bárbaro na missão de destruir a cruz
para marcar as testas inocentes com o pentagrama invertido, sentindo-se no
direito insano de violar virgens em nome de uma nova ordem.
A piada negra de tudo
isso vem do viúvo de Márcia X, a autora da chamada “obra de arte”,
deflagradora de toda essa polêmica. E não querem que ninguém reaja. Diz o
viúvo: “(ela) não teve qualquer intenção de desrespeitar a religião”. Meu
Deus, o que é então? Ele foi mais longe, querendo justificar o
injustificável, quando disse que no momento criativo, a sua falecida
esposa buscou relacionar “o catolicismo com elementos de outras religiões,
nos quais a energia sexual é considerada sagrada”.
Prezado leitor, chamo a
sua atenção sobre a atitude do ministro Gilberto Gil, que criticou a
direção do CCBB por ter retirado a obra “Desenhando com terços”, como
noticiou o jornal O Globo de 26 de abril deste ano. Ato revelador
da sua covardia ou imoralidade?
No ritmo insano que
envolve a sociedade brasileira e aplaudido por imorais e corruptos
exemplos vindo de onde não deveria, isto é, de cima, Planalto e Congresso
Nacional somente nos falta pedir a cabeça dos cristãos. E não se
esqueçam, ontem chutaram Nossa Senhora Aparecida e, para não encher este
artigo com as barbaridades perpetradas contra os cristãos no passado e as
executadas pelos islamitas (uso tal termo como explicado por Yossef
Bodansky ) na África, concluo com algumas ações veiculas em importantes
jornais para desmoralizar e forçar ainda mais o desaparecimento da
Igreja, não mais enquanto religião, mas o seu legado tradicional, que é um
empecilho aos materialistas, como ficou demonstrado pela crítica contra o
filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson.
Tal tipo de ação vêm
enchendo a cabeça das gerações há anos, confundindo através de propósitos
escusos, tais como comparar Nosso Senhor Jesus com Che Guevara, confundir
comunismo com cristianismo e outras ignomínias mais... Bem, vamos a
conclusão: No lema “leia o livro e veja o filme” eis “O Código Da Vinci”,
que o famoso escritor Carlos Heitor Cony, citando Umberto Eco, qualificou
de “burrice” (Folha de São Paulo, 25 maio de 2006). E Cony é
declaradamente um ateu. A série de animação “Popetown”, da BBC, onde
mostra um papa “insano” e “um cardeal corrupto”. Milhares de
telespectadores decentes protestaram e a BBC foi forçada a tirar do ar o
insano desenho animado. Além da BBC de Londres, o canal MTV e o Multishow
embarcaram nessa onda satânica. Este último vai colocar no ar o episódio
inédito South Park, onde Bento XVI é “retratado numa trama sobre
uma imagem da Virgem Maria que sangra pelo traseiro”. Até agora não foi
previsto quando esses desenhos chegarão ao Brasil (Jornal do Brasil,
6 de maio de 2006). “O papa é pop”, como quer uma banda brasileira da qual
não me recordo, aliás, nem é preciso.
*Jornalista, roteirista e diretor de cinema
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