Webjornal - Mensal  - Edição 90 - Aracaju,  04 de junho a 09 de julho de 2006
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Cultura

A arte como argumento

Por L. C. Bragança de Pina*

Como noticiou o jornal O Globo de sábado passado (27 de maio), depois da decisão do Centro Cultural Banco do Brasil de retirar da exposição intitulada “Erótica – os sentidos na arte”, a obra sacrílega “Desenhando com terços” (onde dois pênis formam um terço), o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL) exigiu a retirada dos cartazes que reproduz a imagem dessa obra ofensiva ao cristianismo, espalhadas pela cidade como forma de protesto contra a censura do CCBB.

A Comlurb, companhia responsável pela limpeza e retirada do lixo da cidade, respeitou a determinação do prefeito e retirou 21 cartazes que emporcalhavam os logradouros públicos, não somente no sentido de poluição, mas eu coloco aqui também como sujar os valores morais e assim degradá-los, numa afronta direta ao catolicismo.

O prefeito justificou a sua determinação, alegando que os cartazes ofensivos a religiosidade afeta “o sentimento religioso das pessoas”. Além do desrespeito patente, os defensores dessa ignomínia contra a religião, pensam ao contrário, e diz que o “terço erótico” é uma manifestação artística, quando na verdade trata-se de um instrumento (mais um) abertamente anti-católico, com o sentido de desagregar os sentimentos de educação religiosa que ainda restam nas famílias, tão importantes na nossa formação.

Para Márcio Botner, professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, trata-se de censura, dizendo-se “chocado” com a retirada dos cartazes. A revolta dele revelou-nos uma característica dos que não sabem conviver com o outro, principalmente quando o outro vive procurando seguir os valores religiosos.

Esse professor confirma o parágrafo anterior  quando afirma: “Acho que a obra da Márcia X é tão potente que efetivamente parece desnortear as pessoas, o que é um bom sinal”. Não!, trata-se de um sinal maléfico, pois o desnorteamento ocultado por ele agride, sobretudo, os valores judaico-cristãos alcançados com muito sacrifício para fazer valer o direito à vida, à tolerância, à caridade, o respeito ao semelhante etc. Assim sendo, age o professor como um adolescente influenciado pelos acordes dissonantes das guitarras do som “pesado”, seja de qual vertente for: black metal, hevy metal etc. Donde passa a se sentir como o bárbaro na missão de destruir a cruz para marcar as testas inocentes com o pentagrama invertido, sentindo-se no direito insano de violar virgens em nome de uma nova ordem.

A piada negra de tudo isso vem do viúvo de Márcia X, a autora da chamada “obra de arte”, deflagradora de toda essa polêmica. E não querem que ninguém reaja. Diz o viúvo: “(ela) não teve qualquer intenção de  desrespeitar a religião”. Meu Deus, o que é então? Ele foi mais longe, querendo justificar o injustificável, quando disse que no momento criativo, a sua falecida esposa buscou relacionar “o catolicismo com elementos de outras religiões, nos quais a energia sexual é considerada sagrada”.

Prezado leitor,  chamo a sua atenção sobre a atitude do ministro Gilberto Gil, que criticou a direção do CCBB por ter retirado a obra “Desenhando com terços”, como noticiou o jornal O Globo de 26 de abril deste ano. Ato revelador da sua covardia ou imoralidade?

No ritmo insano que envolve a sociedade brasileira e aplaudido por imorais e corruptos exemplos vindo de onde não deveria, isto é, de cima, Planalto e Congresso Nacional  somente nos falta pedir a cabeça dos cristãos. E não se esqueçam, ontem chutaram Nossa Senhora Aparecida e, para não encher este artigo com as barbaridades perpetradas contra os cristãos no passado e as executadas pelos islamitas (uso tal termo como explicado por Yossef Bodansky )  na África, concluo com  algumas ações veiculas em importantes jornais para desmoralizar e forçar ainda mais o  desaparecimento da Igreja, não mais enquanto religião, mas o seu legado tradicional, que é um empecilho aos materialistas, como ficou demonstrado pela crítica contra o filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson.

Tal tipo de ação vêm enchendo a cabeça das gerações há anos, confundindo através de propósitos escusos, tais como comparar Nosso Senhor Jesus com Che Guevara, confundir comunismo com cristianismo e outras ignomínias mais... Bem, vamos a conclusão: No lema “leia o livro e veja o filme” eis  “O Código Da Vinci”, que o famoso escritor Carlos Heitor Cony, citando Umberto Eco, qualificou de “burrice” (Folha de São Paulo, 25 maio de 2006). E Cony é declaradamente um ateu. A série de animação “Popetown”, da BBC, onde mostra um papa “insano” e “um cardeal corrupto”. Milhares de telespectadores decentes protestaram e a BBC foi forçada a tirar do ar o insano desenho animado. Além da BBC de Londres,  o canal MTV e o Multishow  embarcaram nessa onda satânica. Este último vai colocar no ar o episódio inédito South Park, onde  Bento XVI é “retratado numa trama sobre uma imagem da Virgem Maria que sangra pelo traseiro”. Até agora não foi previsto quando esses desenhos chegarão ao Brasil (Jornal do Brasil, 6 de maio de 2006). “O papa é pop”, como quer uma banda brasileira da qual não me recordo, aliás, nem é preciso. 

*Jornalista, roteirista e diretor de cinema

                                 

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