Webjornal - Mensal  - Edição 91 - Aracaju,  09 de julho a 13 de agosto  de 2006
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Pensata

Código aberto para a destruição

Por L. C. Bragança de Pina*

O caminho da degradação pelo qual a Igreja Católica está sendo empurrada, pode ser identificado filme a filme, livro a livro etc. Quando do lançamento do filme A Paixão de Cristo, dirigido pelo ator Mel Gibson, os inimigos e fiéis detratores da religião, não perderam tempo e nenhum espaço disponível na mídia para atacar o filme, e por tabela, a  Igreja, com os argumentos mais torpes e ignominiosos.

O livro de Dan Brown, O Código Da Vinci, é um calhamaço verborrágico muito ao estilo vibrante, com temas conspiratórios ao sabor dos que se sentem luminares do conhecimento escondido. Não é a toa que o escritor, um espertalhão da ficção, aproveitou-se do oculto, misturando vários elementos, como ritualismos secretos e outros enigmas. Tudo isso propício ao enredo da sua história e, aliado ao marketing, foi de fato, uma jogada  que rendeu milhões de dólares, já preparada na ânsia de chamar a atenção do cinema. 

Palavras e imagens no caminho para reverberar um único plano: Dane-se o cristianismo! Dane-se Jesus! Dane-se a religião! 

Agora, eis que chega em Jacarezinho, no Norte Pioneiro paranaense, o mais comentado filme do ano, O Código Da Vinci. O crítico de cinema da Folha de Londrina, Carlos Eduardo Lourenço Jorge, através do seu artigo Cannes decifra ‘O Código Da  Vinci’, citando os fatos individuais de alguns padres, empulha a igreja, citando ainda a Opus Dei e afirmando que o filme “não vai abalar as Sagradas Escrituras. Ou comprometer os fundamentos da fé ou a imagem da instituição. Não mais, com toda a certeza, do que as muitas acusações de pedofilia clerical tornadas públicas, especialmente entre o clero norte-americano”. Argumentos como esse sempre acompanhados de sarcasmo. 

Não, com certeza, os ensinamentos católicos não foram abalados, e tão pouco por um fato desprezível praticado por algum padre insano violentador de crianças. O crítico não revela senso de proporção, preferindo citar a pedofilia como o mote perfeito de que a Igreja é um antro de depravados.

O crítico torna-se assim, um instrumento dos que querem a destruição dos ensinamentos civilizadores proporcionados desde as pregações de Nosso Senhor Jesus Cristo, passando pelas cartas deixadas por São Paulo Apóstolo em cada lugar por ele freqüentado, sempre com uma palavra de fé em Cristo e força espiritual aos homens e mulheres que observaram nele exemplo a ser seguido.

Senão ainda, temos os relatos registrados nos sinóticos, onde podemos encontrar passagens magníficas sobre a vida de Jesus, deixados aos homens de todos os tempos. E quão belas são as interpretações  deixadas por Hugo de São Vitor, e somente elas nos basta para termos a dimensão profunda do legado espiritual do cristianismo. Leiam os grandes e esqueçam os imundos. 

Não, Cannes não decifrou código algum, pois não há o que decifrar, senão ainda, o que revelar, a não ser o ideal da pregação em benefício do anticristo. Há sim, mais ainda, propaganda deslavada para destruir Jesus e afastar as famílias da prática religiosa, e desconsiderá-la como formação para homens mais honrados e tementes a Deus, através do argumento “o outro lado não revelado de Jesus”, ou “o Jesus oculto” e a sua vida “amorosa com Maria Madalena”. O oculto atrai e o fascínio por ele provocado cabe na esculhambação de que Cristo casou com Madalena e deixou descendentes. Nada disso é confirmado nos sinóticos. Nada disso é investigado por autores sérios, ou sequer uma linha de comentário, senão de revolta diante de tanta degeneração, mas o que vale hodiernamente são os modismos em torno dos livros rejeitados, os apócrifos.

A humildade de sentir, observar e falar, pressupõe não no ato de se curvar, com  medo de ser contradito, mas de reconhecer no objeto observado algo pertinente, verdadeiro. E se assim ainda não o reconhece, cabe ainda manter o ato humilde do silêncio observador, para melhor entender e depois afirmar sobre o que realmente observou e sempre com os olhos no horizonte e jamais como na escultura O Pensador, de Rodin, como bem lembrou o filósofo Olavo de Carvalho.  

Um exemplo de observação humilde venho justamente de uma pessoa declaradamente ateu, um dos escritores mais importantes do Brasil, Carlos Heitor Cony, que foi lacônico na sua apreciação ao amplamente divulgado O Código Da Vinci. Disse ele, através de artigo publicado na Folha de S. Paulo: “Uma burrice”. 

Somente um serviçal, um inocente útil, torna-se capaz de não se ater ao legado cultural presenteado ao ocidente pela Igreja. E nem é preciso ser católico para reconhecer isso. Ele prefere se assanhar, com arroubos violentos de ataque a um mal isolado. A conformação com o que se vê na ficção, somente é levado em conta nos dias de hoje através da análise de que tudo é relativo. O verbo é ( permitam-me a liberdade) relativizar tudo, até mesmo princípios como ser descente, ser correto e poder ser identificado como alguém prestimoso, fiel, honrado. 

Elaborar uma ficção é lançar idéias, onde não tem a desculpa de que teve a intenção de fazer isso ou aquilo, como foi o caso da artista Márcia X, autora de uma obra sacrílega e brutal contra o cristianismo, intitulada Desenhando com terços.    

O envolvimento do espectador com a obra é capaz de provocar nojo ou agrado. Mas longe do agrado, o que vem sendo proposto há anos é o domínio das mentalidades através de ideais difundidos por esses tipos de obras, no que acaba sendo reverberado nas cabeças dos mais indefesos, provocando nelas os infortúnios, a fraqueza ante as dificuldades da vida, a falta de sentido em algo que poderia ser encontrado nos ensinamentos religiosos etc.

Hodiernamente se faz escárnio de quem é religioso. E as novas gerações começam a dizer que não tem sentido em orar, dedicar o seu tempo na leitura de uma boa obra literária, em assistir filmes edificantes, em passar boas horas com os nossos pais e irmãos... Tudo isso é “caretice”. Meu Deus, as famílias já não se encontram esgotadas ante à inúmeras quedas, dentre elas os vícios modernos e os seus entretenimentos envolventes? Não!, há mais necessidade de espetáculos destruidores, revolucionários, contrários a tudo que seja conservador.

Sim, uma sociedade que deseja o escárnio da religião é uma sociedade fadada à desgraça. Quebre-se uma Igreja, quebra-se a sociedade. Vejam o que aconteceu na Rússia bolchevique, onde Lênin e os seus asseclas se regozijavam em desmoralizar a religião. Inimigos não faltam, e a sociedade está cheia deles, mesmo os inocentes úteis, instrumentos dos manobristas de almas, sedentos por utopias e desejosos por implantar a ditadura de raça ou a de classe. Malditos sejam os Hitlers, Stálins, Maos, Fidels e toda a sua corja herdeira. 

*Jornalista, roteirista e diretor de cinema

                                 

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