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Portugal Online Por Margarida Ribeiro* “Não há escolha
racional acertada sem emoções e intuição, defendeu um grupo de cientistas, entre
os quais o português António Damásio, num artigo publicado na revista Nature.
As emoções, concluíram, desempenham um papel fundamental no nosso juízo
moral. Segundo os investigadores, somos capazes da
escolha moral mais humana e menos utilitária por causa do nosso cérebro
emocional e os indivíduos que optam pela segunda hipótese apresentam lesões
cerebrais, na região do córtex prefrontral ventromedial, situado ao nível da
testa. A estes indivíduos falta-lhes empatia e compaixão; têm geralmente menores reacções emocionais de dimensão
social (compaixão, vergonha, culpabilidade) sem que a sua inteligência e a
sua lógica sejam afectadas.”
Os estudos sobre a inteligência
emocional têm prosseguido sem se tornarem tão conhecidos que dêem origem às
polémicas que um dia hão-de criar. Prova-se cada vez mais que os seres
humanos agem sob condições dos respectivos cérebros, cujas lesões podem ser
comparadas, em termos de “culpa própria”, a outras lesões congénitas que
levam a doenças, a invalidez ou à imbecilidade. Sabendo
nós que algumas pessoas nascem sem a possibilidade de sentir compaixão, vergonha, culpa – tal como algumas pessoas
nascem sem possibilidade de compreender os mais simples conceitos – talvez se
venha a chegar à conclusão de que são inimputáveis, mesmo que a sua
inteligência pareça absolutamente normal e com ela tenham planeado e
efectuado os mais horrorosos crimes. Que sejam inimputáveis, só por si, exigirá medidas diferentes
das penas agora sofridas, mas é apenas um alargamento de sistemas que já
existem. Outra questão surgirá quando se tornar simples e comum a
verificação da existência de lesões no cérebro, tal como hoje é feita a um
recém-nascido ou a pessoas de outras idades a respeito das suas funções
vitais. Perante um comum idiota, dos que simpaticamente nos incomodam
com tentativas de conversas sem sentido, todos nós sabemos dar o desconto,
quer a irrelevâncias, quer a frases desadequadas. Geralmente são mesmo
acarinhados pelos vizinhos. Ninguém se inquieta por eles não compreenderem
coisas óbvias. Sabemos que eles NÃO PODEM compreender devido a lesões
cerebrais. Mas ninguém se lembraria de lhes permitir a entrada em qualquer
reunião onde fosse indispensável a contenção, a circunspecção e o estudo
sério de uma qualquer questão. Seria sabido que seriam incapazes de deixar de
perturbar os trabalhos porque as deficiências no seu cérebro a isso
inevitavelmente o levariam. O que deverá a sociedade fazer perante um ser humano inteligente
e aparentemente normal que, comprovadamente, NÃO POSSA sentir culpa,
vergonha, compaixão? Será certo que, perante a possibilidade de um qualquer
lucro, seja ele material ou imaterial, ele não terá nenhuma das defesas
naturais que nos impedem de, desejando fazer um mal, não o fazer. É um criminoso potencial. Será que se inventará uma cura para essa lesão cerebral e ela
seja imposta pela sociedade? Ou, na falta da cura, essas pessoas serão vigiadas por um “big
brother” defensor da sociedade? Tantas perguntas são projectadas pelas respostas que a ciência
nos vai dando… Professora portuguesa,
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